| Em 04/11/2019

Fapeal, Imprensa Oficial e Uneal lançam livros da coleção Raízes das Alagoas

O diretor-presidente da Fapeal, professor Fábio Guedes, diz que as obras serão levadas para outros lugares do Brasil

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Imprensa Oficial Graciliano Ramos e a Editora da Universidade Estadual de Alagoas (Eduneal) lançaram, na noite do último sábado (2), quatro edições de clássicos não ficcionais da literatura alagoana pela nova coleção Raízes das Alagoas. Foram lançados: Os negros muçulmanos nas Alagoas – Os malês, de Abelardo Duarte; História de Anadia, de Nicodemos Jobim; Metamorfose das Oligarquias, de Douglas Apratto e Formação de Alagoas Boreal, de Dirceu Lindoso, que recebeu homenagens.

O diretor-presidente da Imprensa Oficial, Dagoberto Omena, destacou que as obras são de extrema importância para Alagoas e reforçou a importância de o estado promover esse resgate literário-cultural: “Essas obras aqui lançadas estão esgotadas há, no mínimo, 10 anos, mas elas eram solicitadas, tinham demanda de pesquisadores, dos alagoanos. E é isso que o estado precisa suprir, obras como essas, que não são comerciais para algumas editoras particulares, por exemplo, mas o estado precisa registar isso. Todas elas, inclusive, passaram pelo crivo editorial da Imprensa Oficial, que conta com pessoas imparciais e isentas e as obras serão distribuídas para bibliotecas públicas de Alagoas”, disse.

Dagoberto reforçou que toda essa produção cultural alagoana será levada para outros estados do Brasil, numa forma de valorizar ainda mais os escritos. “Estamos trazendo de volta para a população todo esse aparato, essas obras reeditadas, mas queria dizer, em primeira mão, que essa coleção ira para a Bienal Internacional de São Paulo. E que nós vamos divulgar essas obras para todo o Brasil”, declarou, recebendo aplausos.

O diretor-presidente da Fapeal, professor Fábio Guedes Gomes, disse ser um prazer para a entidade colaborar com a Imprensa Oficial no processo de revitalização da produção acadêmico-científica de Alagoas. “Nesses últimos cinco anos, nós já vamos em 130 livros lançados. E especialmente agora, em que estamos num momento muito auspicioso de ataques à racionalidade, à ciência e à literatura… Por isso, a nossa intenção é, sim, a de juntarmos forças e levar essa produção para vários estados do Brasil, valorizando também os autores que estão contribuindo para o sucesso intelectual do estado”, explicou Guedes.

Ainda na solenidade, o diretor da Eduneal, Renildo Ribeiro, expressou sua felicidade em fazer parte desse projeto. “Essa é uma parceria muito boa. A Eduneal ainda é pequena, mas já conta com grandes obras como essas aqui e ficamos muito felizes, não só pela qualidade acadêmica das obras, mas pela qualidade editorial do trabalho. São verdadeiras obras de arte que vão entrar para a história do estado de Alagoas, sem dúvida”, apontou.

Para a professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenadora do Arquivo da Fapeal, Rosaline Mota, a parceria com a Imprensa Oficial e com a Eduneal para o lançamento dos livros é muito importante. “A Fapeal, inclusive, está sempre acreditando e buscando trazer o melhor em ciência, tecnologia e inovação. E acredito que são parcerias desse tipo que fazem com que Alagoas avance e nós caminhemos juntos”, vibrou a professora.

Também presente no evento, o vice-reitor do Centro Universitário Cesmac, professor Douglas Apratto, destacou a importância do resgate dessas obras em meio ao que ele chamou de “tempos turbulentos” vivenciados nos dias de hoje. “Eu poderia dizer que todas as palavras já foram ditas, mas estou aqui primeiro para agradecer imensamente à Imprensa Oficial, à Fapeal, que juntam esforços em fazer essa noite na Bienal com essa movimentação Cultural. Vivemos tempos difíceis, turbulentos e é muito ver em Maceió esse bastião de resistência trazendo livros, autores, mostrando que a forca cultural alagoana é grande”, falou.

Homenagens a Dirceu Lindoso

Uma das obras lançadas na coleção foi Formação de Alagoas Boreal, escrita por Dirceu Lindoso (1932-2019). Na ocasião, o alagoano foi homenageado, a começar por sua mulher, a professora da Ufal, Lia Lindoso, que recordou sobre a época em que a obra foi escrita, em 2000.

“Foi muito engraçado porque eu estava acostumado com o ‘toc, toc, toc’ da máquina de escrever e nesse meio período a gente comprou o primeiro computador e só eu sabia usar. Aí eu falei: então, Dirceu, quem vai digitalizar sou eu. Fui digitalizando e ensinei a ele. Na segunda parte do livro, ele já estava sabendo tudo e escreveu os demais sem a ajuda de ninguém. Então, esse livro marca essa trajetória da volta do Dirceu, essa segunda edição é muito significativa. Uma pena que ele não está aqui pra ver, mas ele viu a boneca e ficou satisfeito”, disse.

Lia também recordou a convivência com Dirceu. “Ele foi um escritor singular, batalhador. Trabalhava de noite, na madrugada, pela manhã… Dirceu acordava enquanto a gente dormia e… Era um trabalhador. Escrevia todos os dias, a noite toda. A hora que a gente tinha para conversar com ele era de manhã, no café, porque ele já sabia de tudo que tinha acontecido e já tinha feito tudo e ficávamos conversando por horas. Depois a gente perdia ele de novo porque ele ia trabalhar. No dia que Dirceu nos deixou, recebi muitas mensagens de amigos, pessoas que leram, admiravam, achei extremamente bonito o que as pessoas falaram sobre ele.”

O professor Bruno César Cavalcanti, também da Ufal, escreveu o prefácio da obra e falou sobre a importância deste trabalho. “Ele foi um grande escritor e estou muito satisfeito de ter prefaciado esse livro, sobretudo em ver que o mesmo está sendo lançado com duas obras literárias de alto nível”, disse.

Bruno também destacou a relevância do intelectual para o estado. “Acho que a grande contribuição de Dirceu, mais do que ler ele, é entender a sua lição em torno da necessidade de a gente ousar, ser criativo, inventivo. Mais do que louvar pura e simplesmente o homem ou a obra, louvaria essa perspectiva que ele deixa pra gente, de uma ousadia impressionante. Dirceu foi um dos intelectuais mais ousados que conheci, viveu solitariamente escrevendo, nunca perdeu um dia da vida dele com questões secundarias do destino, da dificuldade da vida, ele tava sempre positivo nessa meta dele, de escrever sobre Alagoas e ele fez isso magistralmente”, declarou.

Fonte: Comunicação Fapeal

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