| Em 24/01/2018

Pesquisadores da Unoesc testam processos para tratar efluentes industriais

Uma equipe de cinco pesquisadores da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), campus Videira, testou processos de tratamento de resíduos da indústria de lâminas de madeira, conhecidas como compensados. Eles descobriram que a chamada Reação de Fenton, somada a processos de coagulação e adsorção, é o processo mais eficiente, já que os fenóis e sólidos suspensos encontrados no efluente foram totalmente biodegradados. O estudo foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Faesc) no programa Universal, que auxilia a realização de projetos em todas as áreas do conhecimento. As amostras foram coletadas em uma indústria de laminados de Pinus SP.

Os efluentes provenientes do cozimento de toras apresentam alta carga orgânica, composta principalmente por taninos e lignina. Em função da pouca eficiência e do alto custo dos processos convencionais biológicos e físico-químicos neste tipo tratamento, os pesquisadores testaram três alternativas, tentando atender as exigências da legislação ambiental: processos de coagulação, adsorção-coagulação (utilizando como adsorvente carvão ativado) e reação de Fenton. “O grande objetivo foi desenvolver processos que não apenas remediam a situação destes poluentes, mas sim os transforme em compostos biodegradáveis e menos nocivos para o nosso ecossistema”, diz o coordenador da pesquisa, Jean dos Santos Menezes.

Para tratar os resíduos, os métodos de coagulação química, adsorção com carvão ativado e separação por membranas demonstraram grande eficiência, no entanto, os poluentes retidos tiveram de ser tratados também com processos oxidativos avançados (POA). O coordenador do estudo explica que os POA têm recebido grande interesse no tratamento e pré-tratamento de compostos não biodegradáveis em águas, atmosferas e solos contaminados, pois convertem a matéria orgânica em gás carbônico e água, ou, no caso de pré-tratamentos, torna-os biodegradáveis.

A reação de Fenton, aplicada nos efluentes pesquisados, é um dos principais POA e consiste na reação entre Fe 2+ e peróxido de hidrogênio. “O Reagente de Fenton tem sido utilizado com sucesso no tratamento de diversos tipos de efluentes, como os que contêm fenóis, clorofenóis, tensoativos, corantes e ainda no tratamento de lixiviado de aterro sanitário (chorume)”, exemplifica Jean. Seus principais usos são na redução da DQO (Demanda química de oxigênio), da cor e toxicidade dos efluentes; na oxidação de águas residuárias tóxicas ou que inibam o tratamento biológico; e na coagulação de impurezas que são transferidas para o lodo. Em relação aos fenóis encontrados no efluente, foram totalmente biodegradados, assim como os sólidos suspensos. Os outros compostos do efluente tiveram cerca de 70% de mineralização. Comparando os resultados de todos os três processos aplicados, a Resolução do CONAMA nº 357, os parâmetros de Nitrogênio Amoniacal e Fenóis encontram-se dentro da legislação.

A vantagem do uso da Reação de Fenton, em relação a outros processos é que ela possui baixa toxicidade, é de fácil obtenção e seus reagentes são de baixo custo e podem ser reutilizados. Além disso, os POAs são os mais indicados para o tratamento de compostos refratários (aqueles que não podem ser biodegradados), que se transformam em biodegradáveis, e possibilitam o tratamento “in situ”, e ainda ajudam a mineralizar o poluente, não apenas transferindo-o de fase. “Essa solução estimula a conscientização ambiental na empresa e na região. A respeito disto, como desdobramento da pesquisa, a equipe aprovou projeto de educação ambiental relacionada a efluentes, junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)”, diz o coordenador de projetos da Fapesc, Gilberto Montibeller, que acompanhou os resultados da pesquisa.

Outras empresas da região já demonstraram interesse em otimizar seus sistemas de tratamento e aplicar soluções que foram desenvolvidas durante o trabalho de pesquisa apoiado pela Fapesc. Os pesquisadores ainda realizaram um trabalho visando o aproveitamento dos resíduos sólidos gerados na combustão nas caldeiras como matéria-prima para a fabricação de tijolos e blocos de concreto, obtendo bons resultados.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social da Fapesc.

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