| Em 01/07/2014

Própolis vermelha de Alagoas tem substâncias anticancerígenas

propolis vermelha

Detalhe da Própolis Vermelha de Alagoas  (Crédito: Philipe Medeiros)

No mês do Meio Ambiente, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) celebra um projeto norteado pela sustentabilidade, que comprova os benefícios da união entre mercado produtor, setor público e meio acadêmico. Nos últimos dois anos, diversas foram as descobertas acerca da Própolis Vermelha de Alagoas, um ouro rubro encontrado exclusivamente nos manguezais locais e importado por países como Japão e Estados Unidos. As pesquisas possibilitaram a produção de extratos em cápsulas, a obtenção de patentes e o desvendamento de substâncias anticancerígenas e até anti-HIV no composto natural.

O incentivo a essa aproximação foi dado pelo Programa de Subvenção à Pesquisa em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pappe Integração), uma iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal (Finep) e que tem em seu comitê gestor local a Fapeal, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), a Federação das Indústrias (FIEA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Isso permite que a Fapeal venha a fortalecer cada vez mais a inserção e o fomento de projetos voltados à inovação”, destacou Janesmar Cavalcanti, diretora presidenta da Fapeal. A ação está alinhada com as diretrizes do Eixo 3 do Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação de Alagoas.

Em 2011, quando o edital Pappe Integração foi lançado pela Fapeal, foram disponibilizados recursos na ordem de R$ 2 milhões para micro empresas e empresas de pequeno porte de diversas áreas no estado. Um dos projetos contemplados foi “Desenvolvimento e padronização de bioprodutos derivados dos manguezais de Alagoas”, que proporcionou as descobertas acerca da própolis vermelha.

“Temos uma parceria com a Fapeal há cerca de cinco anos e já trabalhávamos em cima do estudo do produto, mas, com a subvenção econômica desse programa específico, pudemos concretizar o sonho de nos aproximar ainda mais da academia e custear a inovação científica que o tema requer”, contou o empresário e coordenador geral do projeto aprovado, Mário Calheiros de Lima.

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador técnico do projeto da própolis, professor doutor Ticiano Gomes, o programa foi interessante tanto para o pequeno produtor quanto para a universidade. “Parcerias como essa proporcionam resultados rápidos – o que é, naturalmente, importante para o mercado -, tendo em vista que o pesquisador atua desenvolvendo produtos dentro da própria empresa. Para a academia, esse tipo de fomento deixa como herança a formação de recursos humanos”, acrescentou.

Resultados da pesquisa 

O professor Ticiano Gomes, que também possui curso de pós-doutorado em estudos de padronização da Própolis Vermelha de Alagoas, explica quais foram os resultados alcançados com a pesquisa:

“O projeto foi divido em três etapas. Na primeira, desenvolvemos estudos sobre a sazonalidade do produto e observamos que ele manteve sua qualidade e eficiência terapêutica ao longo de todos os meses do ano. Na segunda fase, conseguimos desenvolver o extrato da própolis em escala semi-industrial. Depois, partimos para o depósito de patente, sendo possível, com recursos deste projeto, desenvolver também um protótipo, um piloto em escala laboratorial, os extratos secos microencapsulados de própolis vermelha, que poderão ser introduzidos no mercado na forma de cápsulas”.

Ticiano também explica que, além dessas etapas, a equipe desenvolveu um estudo no qual foram isolados e identificados dois compostos de ocorrência natural da própolis vermelha, as chamadas “guttiferonas”, com atividade antimicrobiana, anticancerígena e anti-HIV em estudos in vitro. Essa etapa foi realizada em Glasgow, na Escócia.

Registro exclusivo 

A inovação advinda da Própolis Vermelha de Alagoas não para por aí. Em 2012, os produtores do estado conseguiram a aprovação final da Indicação Geográfica (IG) do produto, que delimita a área de produção, restringindo seu uso aos produtores dos manguezais alagoanos e impedindo que outras pessoas utilizem o nome da região em produtos ou serviços indevidamente. O selo da IG, que não possui prazo de validade, foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e destacou a própolis vermelha como único produto da biodiversidade brasileira que possui tal registro.

De acordo com Mário Calheiros, que também é presidente da Associação Uniprópolis – que reúne todos os produtores do estado e é detentora do selo -, a conquista do reconhecimento foi um trabalho complexo, que durou cinco anos e reuniu diversas empresas e entidades na disponibilização de recursos financeiros ou humanos para o levantamento de pesquisas e documentos. Os principais parceiros neste processo foram: Fapeal, Secretaria da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do Estado de Alagoas (Secti), Sebrae, Ufal, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Fiea, Braskem, MAPA, Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Os benefícios da própolis

Oriunda exclusivamente dos manguezais alagoanos, a Própolis Vermelha de Alagoas é gerada a partir da resina da planta Dalbergia Ecastophyllum, mais conhecida como “rabo de bugio”, e transformada a partir da saliva de abelhas. Reconhecida nacionalmente e internacionalmente por sua composição química original, esse tipo de própolis é rica em elementos terapêuticos e possui atividade antioxidante, além de atuar na prevenção de doenças cardiovasculares, no combate ao colesterol alto, à osteoporose e aos efeitos da menopausa. Ela também é indicada para dermatites, ferimentos, inflamações e infecções. Em Maceió, o extrato pode ser adquirido na rede de produtos naturais Erva Doce & Doce Erva ou na Apícola Fernão Velho.

 

Fonte: FAPEAL 

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