| Em 21/07/2017

Empresa cearense cria ferramenta para o ensino de programação e robótica nas escolas

A lógica de programação e a robótica parecem distantes do nosso cotidiano, mas logo podem se tornar uma realidade na vida das futuras gerações através do ensino da temática nas escolas brasileiras. Atualmente, elas têm no currículo escolar apenas informática básica, mas o Ministério da Educação (MEC) mantém o Programa Nacional de Tecnologia Educacional, iniciativa que tem o objetivo de promover o uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação nas redes públicas de educação básica.

A iniciativa do MEC é importante porque a área de Tecnologia da Informação (TI) é promissora, em termos de geração de emprego. De acordo com a Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), em 2020 o Brasil pode ter um déficit de até 408 mil profissionais de TI. Pensando neste mercado crescente e na importância do ensino da lógica de programação nas escolas, a empresa Gênio Azul desenvolveu o projeto Code Dominó para tornar o conteúdo mais acessível para a educação básica. O estudo conta com o apoio da Funcap através do edital Inovafit.

O dominó
O Code Dominó é uma plataforma de ensino de lógica de programação para crianças entre 4 e 15 anos composta de aplicativo, dominó de madeira e robô. Segundo, Kátia Ribeiro, pedagoga, especialista em informática na educação e diretora pedagógica da empresa, a escola é um lugar de socialização e compartilhamento de saberes e, por isso, precisa se apropriar desse conhecimento e repassá-lo aos alunos. “Através do ensino da lógica de programação e da robótica, é possível desenvolver o raciocínio lógico matemático e criativo”, explica.

A plataforma é composta de um dominó de madeira, onde cada peça representa um comando que controla um robô. Isso permite que a criança consiga entender a lógica de programação na prática, pois ela aplica a fórmula e o robô identifica e executa os movimentos e ações referentes. A programação pode ser feita em grupo ou individual.

O robô é o item mais caro do conjunto, mas pensando na acessibilidade do produto também para as escolas públicas, a empresa criou um robô virtual, tornando possível a programação e a execução dos códigos. “Pensamos na transformação da sociedade com mais acesso e oportunidades, isso passa por pensar em soluções de baixo custo e que facilitem o acesso a todos”, afirma Kátia.

Responsabilidade social
O projeto também versa sobre a desigualdade de gênero presente no meio da Tecnologia da Informação. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 20% dos profissionais de TI no Brasil são mulheres. Para a empresa, o ensino tecnológico tem a capacidade de auxiliar na igualdade de gênero no trabalho, pois incentiva, ainda na educação básica, tanto meninos quanto meninas a criarem interesse pelo assunto.

Vale ressaltar que, como a proposta da Gênio Azul é popularizar a lógica de programação e a robótica, tanto o dominó quanto o robô têm código aberto, podendo ser replicados através da licença Creative Commons. O criador do Code Dominó, professor Daniel Chagas, acredita que esse tipo de iniciativa poderá revolucionar o ensino público brasileiro. Além disso, o equipamento se propõe a materializar a programação, saindo do campo da abstração. “Ao transformar cada linha em peças de dominó, o código torna-se palpável e passível de ser trabalhado em grupo”, comenta.

De acordo com Kátia, o apoio da Funcap está sendo fundamental para alcançar os objetivos. “O projeto Code Dominó ganha asas para voar graças a esse apoio”, comenta. Com o progresso da pesquisa, a empresa busca tornar o produto mais barato e fácil de montar, com mais possibilidades para pais, alunos e professores. A Gênio Azul também pretende chegar ao mercado internacional com a tecnologia cearense. O objetivo é “mostrar que iniciativas livres, com foco nos problemas locais e no uso de criatividade e inovação, podem ajudar bastante na construção de um mundo melhor”.

Fonte: Comunicação Funcap.

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