| Em 30/05/2017

Medo de dentista: Fapeal apoia pesquisa que inova na abordagem dos pacientes

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), um grupo formado por estudantes e docentes de Maceió tem desenvolvido um Projeto de Iniciação Científica (Pibic) no Centro de Ensinos Superiores de Maceió (Cesmac), sob a orientação do professor Luiz Alexandre Penteado. Os estudiosos estão analisando as interferências e os impactos que o medo odontológico pode causar, tanto à saúde, como na qualidade de vida dos cidadãos. Este medo tem sido amplamente pesquisado no mundo inteiro, mas o projeto alagoano examina, em particular, o impacto na hora em que alguém deveria procurar tratamento.

A viabilidade da pesquisa
“O medo pode ser experimentado diretamente pelo indivíduo numa situação de atendimento, ou ser passado por terceiros, como quando crianças escutam dos pais que foram ao dentista e doeu, ou se os pais ameaçam seus filhos a fazer o tratamento, quando eles não realizam corretamente a higiene dos dentes”, explica o orientador.

Os programas televisivos também reforçam este pensamento, mesmo que de maneira lúdica. Alguns fazem do atendimento odontológico uma cena desagradável, que influencia de maneira negativa, ao criar um receio indireto.

Os pacientes passam a não procurar novos atendimentos, porque têm fixas na memória situações de desconforto. Além disso, existe uma relação de impacto direta entre abandono do tratamento e a qualidade de vida da população.

Vitor Moreira compõe o grupo de pesquisa e é apoiado pela Fapeal com bolsa de iniciação científica. Ele explica como os dados são mensurados: “Nós buscamos analisar o nível do medo e compará-lo às condições bucais, porque é visto em outros estudos que isto retarda a procura no atendimento, ocasionando numa piora do indivíduo”, frisa o bolsista.

Os pacientes só procuram a clínica quando estão com dores, tentando solucionar este incômodo. Depois, não voltam para dar continuidade ao procedimento. A necessidade odontológica vai se agravando, e eles terminam buscando atendimento quando surge um problema a mais, gerando ainda outra uma consulta em estado de ansiedade, medo e estresse.

No entanto, o pior entrave vivenciado no projeto segue sendo a cultura social, verificada principalmente no contexto masculino. A base teórica utilizada pelos pesquisadores já comprova que, no gênero feminino, é mais admitida a ansiedade e sensibilidade à dor, porque as mulheres expõem mais facilmente seus sentimentos, enquanto os homens ainda mantêm isto retraído, por pudor.

Métodos de Pesquisa
Na prática, a equipe começa conversando previamente com o professor da clínica, para posteriormente verificar com a dupla de alunos em atendimento qual foi a condição em que o paciente chegou, pois o estado de medo é percebido muitas vezes na própria consulta. O grupo, então, propõe ao paciente algumas perguntas, que auxiliam a esclarecer esta situação.

Para desvendar os traumas vivenciados pelos pacientes, os pesquisadores empregam questionários utilizados internacionalmente para classificar o medo numa escala de Likert, de 1 a 10. São medidos três níveis nas entrevistas: Quando o indivíduo responde de 1 a 4 este sentimento é ausente, de 5 a 7 é um medo moderado, e de 7 a 10 um medo extremo. A depender da classificação, os dados são comparados com os prontuários.

Este modelo intitulado de Escala de Gatchel – teórico da área – é gradativo e pergunta diretamente ao paciente sobre o nível do temor que ele apresenta acerca do atendimento. “A ferramenta desenvolvida por Gatchel é interessante por ser prática, objetiva, e porque pode ser introduzida na rotina clínica de todo dentista”, ressalta o professor.

Normalmente, um indivíduo com medo extremo e fobia apresenta sudorese, taquicardia, alteração respiratória, e toda essa condição sistêmica tem impacto direto durante o atendimento, podendo causar inclusive complicações.

As avaliações são realizadas na clínica do próprio curso, que completa oito meses de pesquisa. O planejamento do projeto visava atender 240 pacientes acima de 18 anos, envolvendo alunos do 5º ao 10º período. Foram coletados dados de agosto a dezembro que estão em fase de análise e redação.

O estudo se torna inovador porque busca compreender como o paciente se sente durante o processo, e não apenas impõe um tratamento sem analisar o contexto. A proposta sinaliza uma pesquisa preliminar para possuir um diagnóstico básico do perfil do indivíduo, e a partir daí criar um atendimento particularizado.

Esta abordagem diferenciada ocorre quando há uma interdisciplinaridade, utilizando inclusive uma relação com a psicologia e outras áreas afins.

O próximo passo é verificar se esse medo tem impacto na qualidade de vida do indivíduo, num estudo mais aprofundado. A finalidade é que mais adiante se obtenha um sistema nas escolas de triagem, com uma abordagem que ofereça ao paciente uma consulta personalizada, proporcionando que ele se sinta acolhido e que este atendimento seja o mais humanizado possível.

Vitor Moreira explica que os alunos pretendem compreender como a falta de tratamento pode interferir na qualidade de vida: “Nós percebemos que os estudos traçavam o nível de medo do paciente, mas eles não mostravam o que isto implicava a sua vida. Com a evolução das análises estes resultados irão avaliar esta relação”.

A expectativa é que os acadêmicos criem um olhar específico para que, independentemente do serviço inserido, ele seja capaz de detectar determinadas situações, sabendo como ministrar seu tempo de acordo com o perfil e a carência do indivíduo.

Fonte: Comunicação Fapeal (texto: Tárcila Cabral).

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