| Em 10/04/2017

Pesquisa apoiada pelo Governo de Alagoas inova nos métodos de tratamento gastrointestinais

[cml_media_alt id='13436']Pesquisadora Fapeal[/cml_media_alt]

Pesquisadora Luciana Corá trouxe a Alagoas um projeto inovador. Foto: Fapeal.

Elevar o nível das pesquisas em saúde clínica hoje, não é mais um meta distante para o Brasil. Se antes existia um hábito em se procurar os tratamentos de ponta no exterior, atualmente a contribuição nacional tem se elevado nos índices, a partir de uma tendência de globalização dos estudos clínicos. Alagoas também se insere neste quadro.

Um exemplo é uma pesquisa sobre o funcionamento do trato gastrointestinal em pacientes transplantados, com Síndrome de Down e portadores de esquistossomose. Com o trabalho intitulado “Técnicas Biomagnéticas: novas abordagens para investigação das interrelações entre a motilidade gastrointestinal, parâmetros biofarmacêuticos e clínicos”, a pesquisadora Luciana Corá trouxe a Alagoas um projeto inovador. As técnicas já existentes e empregadas no tratamento são normalmente invasivas, de custo elevado, ou que utilizam radiação. E é aí que reside o diferencial desta abordagem.

A professora atua na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), e desenvolve a pesquisa desde a sua chegada em 1998. Porém foi em 2012 que o trabalho passou a ser apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), através do Programa de Apoio a Núcleos Emergentes (Pronem). O programa destinou mais de 1 milhão 600 mil reais em projetos prioritários para o estado, e atribuiu a este estudo cerca de 160 mil reais.

A proposta
A equipe local começou a investigar o uso de técnicas na motilidade do trato gastrointestinal. A motilidade gastrointestinal é a forma como o alimento é transportado e se comporta a partir do momento que é ingerido. No caso dos pacientes transplantados, acreditava-se que eles apresentavam uma espécie de inflamação, mas na verdade existia um componente motor responsável pela contração da musculatura do trato gastrointestinal.

“O problema que reside na medicação é que o paciente precisa ingeri-la para manter este transplante bem, funcionando. Porém, tomando estes medicamentos ele adquire um efeito colateral principal, a diarreia”, explica a pesquisadora.

A especialista frisa que esta reação leva muitos médicos a diminuir a dose, o que pode prejudicar o transplante ou então, trocar a medicação o que também, de alguma forma, pode afetar o transplante. Então, a pesquisa tenta responder uma grande questão vivenciada por estes pacientes: Como auxiliar no estabelecimento de esquemas que são necessários e efetivos, mas com a menor incidência de efeitos adversos?

O projeto em ação
A outra linha apoiada pelo Pronen voltou-se a um tema também relevante no estado, a esquistossomose, doença endêmica ainda evidente em Alagoas, que afeta o sistema gastrointestinal de forma similar. A professora relata que normalmente os estudos no campo dão ênfase na epidemiologia da doença, enquanto ela observa o processo a partir de quando o paciente ingere uma refeição.

A dinâmica prática segue em parceria com a professora Maria do Carmo, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Uncisal. Ela acompanha os pacientes que vêm para uma rotina de exames necessários, e contacta a Dra. Luciana Corá. A pesquisadora se desloca até o hospital em Arapiraca, onde ocorre todo o atendimento, com o equipamento que é transportado até o local. A produção da análise demora em torno de 8 a 6 horas, que é o tempo que o indivíduo leva para digerir uma refeição teste padronizada.

Em conjunto a esta alimentação, eles devem ingerir um marcador utilizado como sensor magnético. Os resultados são avaliados e mensurados após o procedimento, no hospital ou no laboratório da Uncisal. Posteriormente é realizada uma investigação sistematizada. O tratamento tem uma ação específica na motilidade da forma de como esse alimento sai do estômago, percorre o intestino e vai ser expulso.

“Nós propomos encontrar um caminho mais viável, a utilização do método que é simples para o uso, viável financeiramente, não apresenta radiação, não é invasiva. O paciente fica completamente confortável no momento do exame e a gente consegue investigar outras funções”, frisa a pesquisadora.

O grupo constatou também que a pesquisa ainda vai levar mais anos em desenvolvimento, para trabalhar as causas do efeito colateral e alcançar os resultados esperados. Este conhecimento prévio, formado a partir de uma base dos pacientes, traça um perfil alagoano que será estudado e possivelmente desvendado.

Resultados
Atualmente o projeto rendeu frutos, outro estudo financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no qual está sendo avaliada a concentração sanguínea do fármaco após a sua ingestão e processamento. É necessário saber a quantidade que resta deste medicamento no organismo humano, para analisar se esta concentração está envolvida no aparecimento dos efeitos adversos.

Porém, a pesquisa agora segue novos rumos, e tem agregado outros especialistas ao grupo com a finalidade de verificar o que está ocorrendo no envolvimento imunológico. A ideia é trazer interdisciplinaridade ao programa com inserindo uma série de alunos de todos os cursos da Uncisal, incluindo os de âmbito tecnológico. Em suma, o estudo pretende reforçar seu diferencial e pioneirismo, primando pela qualidade de vida de seus pacientes em Alagoas.

A equipe acredita que se ao fim dos trabalhos, este procedimento irá contribuir como alternativa para os métodos vigentes, a um custo baixo de implementação, quando comparado a qualquer outra forma de tratamento. A expectativa futura é que o sistema rompa as barreiras laboratoriais e seja incorporado como tratamento efetivo em Alagoas.

Fonte: Comunicação Fapeal (texto: Tárcila Cabral).

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