| Em 04/04/2017

Pesquisadora cearense desenvolveu produção local de proteína que atua no tratamento do câncer

[cml_media_alt id='13343']Pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Katiane Queiroz[/cml_media_alt]

Pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Katiane Queiroz. Foto: Reprodução Youtube.

Tradicionalmente, pacientes portadores de câncer são tratados com quimioterapia, radioterapia e/ou cirurgias. São recursos terapêuticos agressivos, que trazem uma série de efeitos negativos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo 8,8 milhões de pessoas morreram vítimas de câncer em 2015. Na busca para ampliar as possibilidades de tratamento da doença, a pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Katiane Queiroz desenvolveu um estudo sobre a lactoferrina humana (LF), proteína já conhecida como agente antitumoral. A pesquisa contou com o financiamento da Funcap através do edital Inovafit.

A lactoferrina humana é uma proteína natural encontrada no leite materno e “em inúmeras secreções exócrinas como saliva, lágrima, sêmen, fluidos vaginais e gastrointestinais, mucosa nasal e bronquial”, como coloca Katiane. Essa substância ajuda a combater infecções e fortalece o sistema de defesa do corpo humano. É a principal fonte de ferro presente no leite e desempenha um papel importante no sistema imunológico das crianças.

O estudo utilizou um método inovador para a produção da lactoferrina. Nele, um vírus com alto poder de proliferação, conhecido como adenovírus, foi modificado e passou a conter os genes da proteína. As células virais contendo o DNA da lactoferrina humana foram injetadas nas glândulas mamárias de cabras que passam a produzir leite com essa substância. Segundo a pesquisadora, a técnica permite “a produção rápida e barata de um biofármaco que já foi empregado eficazmente no combate de células provenientes do câncer colorretal, da próstata e do glioblastoma (tumor cerebral)”.

A área de aplicação da lactoferrina é extensa, segundo Katiane. Ela afirma que a proteína serve como agente antibacteriano, antiviral, anti-inflamatório, imunoregulatório, antifúngico e antitumoral. “Ou seja, pode ser usada na prevenção, tratamento e cura de uma gama de doenças”, ressalta a pesquisadora.

Diante da versatilidade da lactoferrina, existe uma considerável variedade de remédios que podem ser fabricados a partir dela. Como explica Katiane, “vacinas, imunoreagentes, agentes quimiopreventivos e quimioterápicos” estão entre os produtos possíveis. A proteína também pode ser utilizada em tratamentos nutricionais através do leite e derivados lácteos como queijos, iogurtes e manteigas.

A pesquisa apresentou uma série de possibilidades de uso da lactoferrina e uma forma mais barata para produzi-la, o que poderá gerar impactos positivos na área da indústria farmacêutica, tornando o componente mais acessível para a população. Para Katiane, “a produção e comercialização de diversos produtos e subprodutos oriundos da lactoferrina têm potencial para ajudar a alavancar a economia e as exportações do Brasil”.

Os estudos sobre a aplicação da lactoferrina no tratamento do câncer foram concluídos, mas as pesquisas sobre a utilização da proteína para tratar outras doenças seguirá. “Nossa pesquisa ainda abordará o papel da lactoferrina contra o zika vírus. Também estamos em busca de auxílio financeiro para estudarmos essa proteína como agente modulador na doença de Alzheimer e antienvelhecimento”, comenta Katiane.

Fonte: Funcap.

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