A inquisição no Brasil ocorreu por volta da segunda metade do século XVIII. Com objetivo de realizar estudos sobre a perseguição da inquisição aos judeus em Sergipe, um estudo está sendo realizado pela mestranda em Ciências da Religião, Priscilla da Silva Góes.
O estudo está sendo desenvolvido a partir da análise de documentos inquisitoriais relacionados ao judaísmo. O personagem principal do estudo é Diogo Vaz, um homem que possuiu o cargo de sargento-mor, e foi acusado de praticar umas das religiões mais perseguidas pela Igreja Católica, que foi o Judaísmo. Além de Diogo, outros familiares dele também fizeram parte do estudo.
A bolsista de mestrado da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), Priscilla da Silva Góes, explica que a vinda dos judeus para a colônia portuguesa ocorreu em virtude da perseguição que eles vinham sofrendo na Europa. Muitos deles temiam ser presos pelo Tribunal do Santo Ofício, pois alguns praticavam, em secreto, os ritos judaicos como foi o caso de Diogo Vaz e sua família.
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“Grande parte das pessoas que fugiam das atrocidades cometidas pela Inquisição na Península Ibérica era de cristãos-novos refugiados na região que hoje compreende o nordeste brasileiro, no qual acabaram deixando suas marcas, seus costumes. Muitos cristãos-novos eram para a sociedade, seguidores da religião oficial, a fim de não serem vítimas do Tribunal da Inquisição em suas visitas ao Brasil, porém, no interior dos seus lares, seguiam os ritos da religião mosaica”, conta Priscilla.
A mestranda Priscilla Góes ressalta que o estudo é muito importante para a história de Sergipe e do Brasil, já que existem poucos estudos sobre o tema. Em Sergipe, quem estudou o tema foi a professora Thetis Nunes, que fez uma apanhado geral da inquisição em Sergipe. Além do professor Luiz Mott, que na década de 80 foi para Portugal e fez um apanhado dos documentos sobre a inquisição em Sergipe, o que resultou no livro ‘A Inquisição em Sergipe: do século XVI ao XIX’.
“A inquisição em Sergipe ainda é muito pouco estudada porque esses arquivos estão online há cinco anos com o processo de digitalização da Torre do Tombo. Quem pesquisava o arquivo era quem podia ir até Portugal”, pontua Priscilla.
Edital
O estudo é fruto de edital de bolsas de mestrado e doutorado ofertado pela Fapitec/SE. O edital tem por objetivo apoiar o desenvolvimento da pós-graduação em Sergipe. O estudo está sendo desenvolvido dentro do mestrado de Ciências da Religião da UFS.
Fonte: Adriana Freitas – Assessoria de Comunicação/FAPITEC/SE