Professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp de Araraquara fez um estudo do número de depósitos de patentes na universidade, em que analisa sua distribuição por cidades, onde a Unesp está sediada, e por grandes áreas.
Segundo a pesquisa, a produção e o depósito de patente na Unesp cresceu nos últimos anos. “Entre as décadas de 1990 e 2000, o crescimento foi de 600%. Nos anos de 2010, é possível visualizar que o número de depósitos será maior do que na década passada”, diz Rondinelli Donizetti Herculano, coordenador da pesquisa.
Os principais fatores apontados por ele foram a criação da Agência Unesp de Inovação (AUIN); a promulgação de novas leis, como a no10.973/2004, que estimulam a proteção à propriedade intelectual; e a cobrança da Capes pela excelência nos Programas de Pós-Graduação, que gera uma busca por aumento dos conceitos (notas), consequentemente, a procura dos docentes por depósitos de patentes.
“Hoje em dia, o docente tem mais claro o que seria uma patente e o quanto a propriedade intelectual pode ser benéfica para uma pesquisa inovadora”, diz. Os dados da pesquisa foram obtidos na AUIN e conferidos na plataforma Lattes. Todas as patentes depositadas na Agência foram registradas no estudo.
De acordo com o levantamento, as primeiras posições em concentração de número de patentes são Araraquara (37,7%); Botucatu (15,4%); Rio Claro (9,2%); Guaratinguetá (7,7%); e Ilha Solteira (6,1%). Já unidades como Assis, São Paulo ou Ourinhos, o deposito de patentes é mais baixo: 1,5%; 0,7%e 0,7%, respectivamente.
Segundo a avaliação do pesquisador, na universidade a patente ainda é algo obscuro. “Na área de humanas quase não temos patentes depositadas. As unidades que não se caracterizam com um perfil tecnológico, que não possuem curso de química, farmácia, odontologia, por exemplo, o número de patentes é muito baixo. Isto não ocorre só na Unesp, mas é uma tendência nacional”, conta.
Além do perfil tecnológico, o professor diagnosticou que a produção se concentra mais em locais onde têm uma grande concentração de empresas. As unidades que mais apresentam este perfil estão localizadas no centro do Estado como Araraquara, Bauru, Botucatu, Jaboticabal e Rio Claro.
“Somando Araraquara e Botucatu são mais de 50% de patentes. A unidade de Araraquara, sozinha, tem aproximadamente 40% de toda a universidade, isto porque eles desenvolvem produtos que favorecem o patenteamento. É um dado excelente para a unidade, mas pensando na universidade como um todo o alerta tem que ficar ligado”, ressalta.
Fazendo uma análise por área, as que mais pedem patentes são as de química (25,3%); saúde (22,3%); instrumentação (18,5%); pedido de sigilo (quando não especifica a área) (11,5%); e agricultura (5,4%). Porém, têm áreas que pedem patentes mas têm valor baixo são. A bioquímica (0,77); transporte (0,77); vestuário (0,77); desenho industrial (1,54%) e alimentos (1,54). Temos áreas que nem aparecem como ciências sociais e humanas.
Rondinelli conta que já a área de agricultura, que deveria ter um volume alto de patentes, uma vez que a universidade tem cursos de excelência nesta área, que contemplam a agronomia, zootecnia e veterinária, entre outros, não está entre as principais. “Muitas vezes o professor desta área resolve problemas relevantes avaliando os prós e contras de cada alternativa de ação, publicando estes achados, e acabam não tendo interesse no patenteamento”, diz.
O período trabalhado foi de 1980 a 2012. Na avaliação do docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara, houve uma grande evolução. Na década de 80, houve apenas cinco patentes; na década de 90 foram 14 registros; de 2000 a 2010 são 84 e de 2010 a 2012 contabilizou 27.
Para o professor a maior questão não é o número de patentes depositadas pela universidade, e sim, quantas patentes entrarão no mercado via empresas. As empresas são importantes, pois atuam como “canais de distribuição”, sendo responsáveis pela produção e comercialização do produto, funções impraticáveis dentro de uma universidade. “Muitas vezes um pesquisador deposita vários pedidos de patentes, mas nenhuma empresa tem interesse em adquirir a patente. Ou seja, o pedido não se torna um produto”, explica o professor.
Unidades
A partir de dados da Agência Unesp de Inovação é possível analisar as unidades que mais apresentaram patentes ao longo dos 32 anos de registro.
Do total das 130 patentes apresentadas entre os anos de 1980 e 2012, estão, em primeiro e segundo lugar, respectivamente, o Instituto de Química, com 25,4%, e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, com 10% da produção da universidade, ambas sediadas na cidade de Araraquara. Em terceiro lugar, a Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, representando 8,4% e, em quarto, o Instituto de Biociências de Botucatu com 6,9% de patenteamento de toda a Unesp.
Fonte: Assessoria de Comunicação Unesp – Universidade Estadual Paulista