| Em 21/07/2017

Uma brincadeira muito séria: jogos de computador podem estimular a memória

Como todo mundo sabe, exercitar o corpo é importante para a saúde física e mental. Mas o que poucos sabem é que também é possível exercitar o cérebro. Essa prática, fundamental para o bom funcionamento mental, é possível com a neuroterapia cognitiva, cuja eficácia tem sido comprovada por meio de inúmeras pesquisas neurocientíficas. Elas vêm demonstrando que a plasticidade cerebral é crucial para melhorar essa performance, ampliando a capacidade de atenção, concentração e até de memória em nosso dia a dia, independentemente da idade ou de haver alterações cognitivas, resultantes de problemas como, por exemplo, Alzheimer, depressão, esquizofrenia.

Disponível on-line como uma verdadeira academia destinada a exercitar o cérebro, o site Neuroforma Tecnologias trabalha com neuroterapia cognitiva, proporcionando aos usuários jogos variados para as mais diversas finalidades, sejam elas para melhorar a concentração, para tornar o raciocínio mais rápido, para melhorar as habilidades de orientação, a memória e até aperfeiçoar as habilidades sociais. Funcionando desde 2014 no Brasil, o site foi traduzido e adaptado de um similar americano pelo neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rogério Panizzutti e pelo empreendedor e especialista em comunicação e marketing Luiz Eduardo Souza. Para que esses games de treino cognitivo computadorizado hoje pudessem estar disponíveis a usuários brasileiros, ambos contaram, em parte com auxílio da Faperj, por meio do programa de Apoio à Difusão de Ambiente de Inovação em Tecnologia Digital, com esforço de captação de recursos de outras fontes e investimentos próprios.

De acordo com Souza, não foi fácil, mas valeu a pena. “O mais gratificante é perceber como o site traz resultados. Muitas vezes, vemos usuários do Neuroforma, que tiveram funções cognitivas comprometidas melhorarem significativamente”, explica. Um exemplo que Souza cita é o aposentado Alvaro Oliveira Costa, que depois de sofrer uma isquemia teve sua memória recente comprometida, o que o impedia de fazer uma das atividades de que mais gostava, que era ler. Depois de três meses de treinamento com o Neuroforma, ele não apenas voltou a ler como passou a viver melhor e de forma mais independente. Costa fez parte da turma de treinamento que a Associação de Aposentados e Assistidos da Telos/Embratel (Asastel) contratou. A formatura ocorreu em maio, com uma celebração na sede da associação no Rio de Janeiro e a presença de Panizzutti, que entregou os certificados aos participantes. Atualmente, o neurocientista está no Global Brain Health Institute, na Irlanda, desenvolvendo pesquisas para melhorar a saúde mental do idoso.

O pesquisador explica que esses exercícios do site trabalham a capacidade de receber estímulos sonoros e visuais, além de ativar outras funcionalidades cerebrais. “Quanto mais envelhecemos, mais o cérebro vai ficando lento e com menor capacidade de captar as informações sensoriais ao nosso redor, que incluem a visão e a audição. Nossos sentidos ficam menos aguçados. Acredito que esses jogos possam melhorar a capacidade cognitiva de alguém. Como foi divulgado recentemente em um congresso em Toronto, no Canadá, esses jogos podem trazer uma redução de até 30% no risco de uma pessoa ter Alzheimer e outras demências”.

O site Neuroforma conta com mais de 40 exercícios cientificamente desenvolvidos para treinar as capacidades de foco e concentração, memória, tempo de reação e resposta, solução de problemas e visão periférica de cada pessoa. São jogos simples, que consistem, por exemplo, em acompanhar peixinhos que se juntam a várias outros e depois procurar reconhecê-los separadamente. Ou marcar, na tela do computador, a localização exata de pássaros numa imagem que some depois de um tempo.

Entretanto, para evoluir, é necessário manter a assiduidade nos exercícios. De acordo com Souza, é imprescindível treinar um mínimo de meia hora diária, três vezes por semana. O site também disponibiliza relatórios de desempenho de cada usuário, para que se possa acompanhar a evolução em cada treino. “Muitos profissionais, como psicólogos e fisioterapeutas, por exemplo, têm entrado em contato conosco para treinar seus pacientes e conferir seu progresso”. Para conhecer melhor como funciona a plataforma, é possível se cadastrar e jogar gratuitamente em algumas atividades.

Para mais informações acesse o site: http://www.neuroforma.com.br, https://www.facebook.com/neuroformabrasil e https://br.brainhq.com

Fonte: Comunicação Faperj (texto: Danielle Kiffer).

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