| Em 03/02/2020

Uerj inaugura o primeiro navio oceanográfico do estado do Rio de Janeiro

Construído sob encomenda, o navio, com 30,5m de comprimento, representa um marco para a realização das pesquisas relacionadas ao oceano no estado do Rio de Janeiro (Foto: Philippe Lima / Reprodução Jornal do Estado do Rio)

 

Dando um importante passo para a consolidação e o desenvolvimento das pesquisas fluminenses relacionadas ao mar, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) inaugurou na tarde desta terça-feira, 28 de janeiro, o Navio Oceanográfico Professor Luiz Carlos, na Marina da Glória. A aquisição da embarcação, que foi construída no Nordeste, no estaleiro Indústria Naval do Ceará (Inace), com um custo de aproximadamente R$ 7 milhões, representa um marco para a realização de diversas pesquisas ambientais, como o monitoramento dos ecossistemas marinhos, e para a formação de recursos humanos em Oceanografia e outras áreas do conhecimento. O navio vai atender aos alunos das diversas áreas da Oceanografia e apoiar outros cursos da universidade como Geologia, Geografia e Biologia, além de possibilitar parcerias com órgãos governamentais, empresas e demais instituições de pesquisa.

O recém-empossado reitor da Uerj, Ricardo Lodi, destacou que o navio será um divisor de águas para os alunos da Faculdade de Oceanografia da universidade. “A inauguração do navio faz com que a pesquisa oceanográfica fluminense passe para outro patamar. É o primeiro navio oceanográfico universitário do estado do Rio de Janeiro, que tem uma vocação para o estudo do oceano muito intensa, tendo em vista as pesquisas na área de óleo e gás. Não só a Uerj, mas todas as empresas e órgãos públicos com quem vamos estabelecer parcerias serão beneficiados por essa iniciativa, que contou inclusive com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ”, disse Lodi. “Antes, os alunos da Oceanografia não tinham um navio próprio para a realização de estudos práticos no mar e dependiam de parcerias com outras instituições. Ter acesso ao navio é tão importante para a formação acadêmica do oceanógrafo como o hospital universitário é para os alunos de Medicina, ou o escritório-modelo para os acadêmicos de Direito”, contextualizou.

Com 30,5 metros de comprimento e 7,8 metros de largura, o Prof. Luiz Carlos ultrapassa 250 toneladas, tem capacidade para navegar com 30 pessoas e autonomia para permanecer até 15 dias no mar. “Com o navio, vamos potencializar o estudo das ciências do mar, inclusive como laboratório flutuante. Vamos aperfeiçoar, por exemplo, o monitoramento da poluição da Baía da Guanabara, da Baía da Ilha Grande, além de outras baías, regiões costeiras e oceânicas, atuando diretamente em problemas relacionados à pesca, fazendas marinhas e outros recursos naturais”, explicou o diretor da Faculdade de Oceanografia, Marcos Bastos.

O navio começará a funcionar após o Carnaval e uma das pesquisas será relacionada à coleta de lixo plástico na Baía de Guanabara. Bastos lembrou que o projeto de construção dele teve início em 2013, ainda durante a gestão do reitor Ricardo Vieiralves e atravessou a gestão do professor Ruy Garcia Marques, até chegar ao início da atual gestão, de Lodi. “Esse é um projeto que atravessa três gerações de reitores da Uerj. Tenho palavras de agradecimento, orgulho e responsabilidade em poder comemorar hoje a aquisição desse navio, que é a nossa maior conquista, e simboliza uma ressurgência da Uerj depois dos anos de crise financeira no estado. Não será um navio apenas para a Oceanografia da universidade, mas para toda a sociedade do estado do Rio de Janeiro”, destacou.

Durante a cerimônia de inauguração do navio, o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, falou sobre o aumento dos investimentos da administração estadual para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) em 2020. “Esse ano, serão R$ 550 milhões em pesquisa e inovação para o nosso estado. Ano passado, foram R$ 300 milhões. Por isso, lancei o desafio para as universidades do Rio de Janeiro para que possamos superar as demais instituições brasileiras, que têm tradição na área de pesquisa. A Uezo (Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste), por exemplo, terá um campus novo para que os estudantes tenham melhores condições de estudo. Reafirmo meu compromisso de investir em educação e na cultura porque só assim o Brasil vai retomar a capacidade de gerar riqueza”, disse o governador.

Por sua vez, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Rodrigues, destacou que a  inauguração do navio é fruto de um esforço coletivo. Além dos recursos alocados por meio da FAPERJ, o projeto contou com o financiamento da Uerj, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Secti). “Quando tive conhecimento da ideia, busquei apoio em Brasília e com o governador Wilson Witzel, que prontamente também abraçou o projeto. Ganham a Uerj, a pesquisa científica, os projetos ambientais e toda a sociedade fluminense com essa embarcação. Vamos escrever uma nova história do estudo das ciências do mar no estado do Rio de Janeiro”, pontuou o secretário.

A embarcação carrega o nome do professor Luiz Carlos Ferreira da Silva, da Faculdade de Oceanografia da Uerj, como homenagem ao trabalho realizado por ele ao longo de muitos anos, na formação de gerações de oceanógrafos e na consolidação desse campo de estudos no Brasil. O professor, que é oficial da Marinha do Brasil na reserva e foi secretário adjunto da Comissão Interministerial de Recursos do Mar (CIRM), foi homenageado durante a inauguração com uma placa. “A primeira turma de Oceanografia da Uerj foi formada em 1978, e ninguém sabia muito sobre o que se tratava. Sempre falei aos meus alunos que é preciso estudar e, mais do que isso: o principal é a prática. Por isso, ver de perto a concretização do navio oceanográfico é uma grande felicidade. Sinto-me honrado e grato pela homenagem”, agradeceu Luiz Carlos.

Participaram ainda da cerimônia de inauguração a subsecretária estadual de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Izabel Castro, da Secti; o secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos; o presidente da Alerj, deputado André Ceciliano; o diretor-geral da Alerj, Wagner Victer; o deputado Rodrigo Amorim; o vice-reitor da Uerj, Mário Sérgio Carneiro; os professores da Faculdade de Oceanografia da Uerj Alexandre Freitas de Azevedo, Marcelo Sperle Dias e Marcos Fernandez, além de professores de outros cursos da Uerj, como Maria Georgina Muniz Washington, da Faculdade de Engenharia, Egberto Gaspar de Moura, do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag), e o assessor da Reitoria da Uerj Roberto Dória, entre diversas outras autoridades e membros da comunidade científica e tecnológica fluminense que estiveram presentes. A FAPERJ foi representada pela sua diretora Científica, Eliete Bouskela.

 

Fonte: FAPERJ

 

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