| Em 22/02/2017

Sinergia com ciência cidadã vai ampliar base de dados da biodiversidade brasileira

Além disso, parceria estimula a participação da sociedade. Iniciativa do MCTIC, Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira já possui 10,5 milhões de registros da fauna e da flora do país.

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) quer formar uma Rede de Ciência Cidadã com projetos de pesquisa desenvolvidos em parceria com a sociedade. Um workshop realizado em Brasília reuniu, pela primeira vez, representantes de projetos de ciência cidadã em biodiversidade cujos dados farão parte do SiBBr.

“Estamos criando uma comunidade de boas práticas de ciência cidadã em biodiversidade no Brasil. A ideia é que essa rede se fortaleça, que atraia mais projetos, para começar a vislumbrar a oportunidade de sinergia. Queremos, com essa experiência, trazer a sociedade para entender a ciência e participar da ciência que eles conseguem fazer sem ter uma formação acadêmica profissional”, afirmou a diretora do SiBBr, Andrea Portela.

Com 10,5 milhões de registros de espécies da flora e da fauna brasileiras, a plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para reunir a maior quantidade de dados e informações existentes sobre a biodiversidade brasileira com o objetivo de apoiar a produção científica, a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões sobre conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.

Um dos projetos apresentados no workshop é do Instituto Mar Adentro para o monitoramento de animais aquáticos. A iniciativa “Onde estão as baleias e os golfinhos?” conta com a participação dos cidadãos para a observação desses animais, que possuem um ciclo biológico longo e estão em constante movimento em extensas áreas. Entre outubro de 2013 e janeiro de 2017, foram feitos 198 mil registros de baleias e golfinhos por cidadãos no Rio de Janeiro.

“Nós pesquisadores não temos olhos para estar em todos os lugares. Então, pintou a ideia de fazer um grupo de ciência cidadã nas redes sociais para que a população colaborasse com o nosso trabalho mandando informações sobre baleias e golfinhos avistados no Rio de Janeiro. As informações complementam o trabalho dos pesquisadores e são usadas num cruzamento de dados para o georreferenciamento da disposição das espécies e para levantar as áreas de preservação desses animais”, explicou a coordenadora do projeto Liliane Lodi.

Ciência cidadã é um tipo de ciência baseada na participação de cidadãos que geram e compartilham conhecimento, dados e informações sobre determinado assunto. Segundo a diretora do SiBBr, esse é um movimento que cresce no mundo e precisa avançar no Brasil.

“A gente não está acompanhando na mesma velocidade. No resto do mundo, já há programas de décadas. Então, como a gente tem o SiBBr, que é uma plataforma que visa disponibilizar informações para vários setores, a gente já tinha a infraestrutura tecnológica que podia dar um suporte para ter uma iniciativa legal.”

A médio prazo, o objetivo é integrar os dados desses projetos com a plataforma do SiBBr, que já reúne informações sobre as coleções biológicas do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do Museu de Biologia da Universidade de São Paulo. “A gente vai começar com a integração por aquilo que é mais fácil, porque os dados de ocorrência de uma determinada espécie em um determinado lugar, que a gente chama de dado georreferenciado, podem ser integrados rapidamente, em um período curto de tempo”, explicou Andrea.

Outro projeto de ciência cidadã é a plataforma mundial eBird, que possui 20 milhões de dados de aves. No Brasil, a ferramenta foi criada em 2013. Inicialmente com 244 usuários, saltou para 1.087 em 2016. “Temos 569 mil registros de aves no eBird Brasil. Não há biólogo ou ornitólogo capaz de um esforço igual a esse usando os observadores de aves”, avalia o biólogo Pedro Develey, coordenador da plataforma no Brasil.

Por isso, ele elogia a iniciativa do MCTIC para diminuir as resistências de acadêmicos e pesquisadores em aproveitar as informações que não são repassadas por especialistas. “A ciência cidadã sempre tem que ter um técnico junto. Então, o ministério chamar a gente pra esse workshop mostra um reconhecimento da importância desses dados, e isso abre uma perspectiva muito grande de integração e mais, aproxima a sociedade da ciência, que é totalmente isolada. A sociedade não entende para que existe a ciência e o cientista não consegue entender que ele deve prestar conta para sociedade.”

Co-fundador do projeto Táxeus, plataforma colaborativa com 785 mil registros de espécies em 1.080 municípios brasileiros, Ricardo Mendes defende a integração de dados de diferentes iniciativas de ciência cidadã. “O SiBBr traz uma novidade que é a integração dessas plataformas. Existem muitas tecnologias que a gente pode compartilhar, formas de trabalho, o próprio engajamento da comunidade, uma série de fatores que são importantes para todos nós, mas que cada um, até então, trabalhava de maneira isolada”, disse.

No futuro, o próprio SiBBr também pretende desenvolver um projeto de ciência cidadã numa sinergia com o Departamento de Políticas e Programas para Inclusão Social do MCTIC. “Esses projetos exigem um engajamento e um esforço de mobilização constante. Estamos avaliando um experimento-piloto na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia para ir ganhando experiência”, diz a diretora do SiBBr, Andrea Portela.

Fonte: Imprensa MCTIC

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