| Em 06/07/2016

SBPC presta homenagem aos cientistas que construíram a história centenária da ABC

Para celebrar os 100 anos da Academia Brasileira de Ciências, ABC, comemorados no último mês de maio, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, promoveu uma sessão especial no final de tarde de ontem (4? 7) durante a 68ª. Reunião Anual da entidade, que está sendo realizada no campus Sosígenes Costa da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), campus de Porto Seguro. A mesa foi coordenada pela presidente da SBPC, Helena Nader, e contou com palestras do presidente da ABC, Luiz Davidovich, e dos acadêmicos Jorge Almeida Guimarães (presidente da Embrapii), Debora Foguel (UFRJ), Carlos Alberto Aragão de Carvalho (UFRJ) e João Alziro Herz da Jornada (UFRGS).
A presidente da SBPC abriu a sessão com um pequeno discurso onde salientou o papel fundamental da ABC na institucionalização da ciência no Brasil, como também o fato de que as duas entidades, ABC e SBPC, têm atuado como parceiras em vários momentos da história, mas sobretudo nos últimos anos.

“Já o nascimento da SBPC, em 1948, teve a participação de diversos acadêmicos e sempre houve cientistas que atuaram tanto na Academia como na SBPC, como Maurício Rocha e Silva, Warwick Estevam Kerr, Sergio Ferreira, Crodowaldo Pavan e tantos outros. Também houve momentos muito importantes na construção do sistema brasileiro ciência e tecnologia em que a SBPC e a Academia ocuparam o mesmo cenário e marcharam juntas, como na criação da Capes no início dos anos 1950”, lembrou Nader.

Um momento simbólico do início de parcerias vigorosas entre a ABC e a SBPC foi em 2009, “quando realizamos um estudo em que analisamos em profundidade o marco legal de ciência e tecnologia, e propusemos melhorias, e principalmente em relação às fundações de apoio”, disse a presidente da SBPC. Este era um ponto nevrálgico do sistema porque as fundações de apoio passavam a ter as mesmas restrições e dificuldades para compras e contratos que já tinham as universidades em sua administração direta. Ainda, neste documento apontamos as lacunas e falhas das legislações vigentes em prol da ciência e da educação. Esse estudo foi entregue pelo então presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp e pelo então presidente da ABC, Jacob Palis, ao governo federal, precisamente ao próprio presidente Lula, durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, em maio de 2010.”

Outros projetos mais recentes em que ABC e SBPC trabalharam em conjunto e de modo sistemático e organizado foram o grupo de trabalho SBPC-ABC para estudar e encaminhar propostas para o novo Código Florestal; e o novo marco legal de ciência, tecnologia e inovação, aprovado no início deste ano. “Participamos de N reuniões, com outras entidades, com representantes do governo federal e com parlamentares. Resultado: temos um novo marco legal, muito melhor do que o anterior exatamente porque contou com a pró-atividade e a representatividade da comunidade científica, expressas enormemente na atuação conjunta SBPC-ABC,” afirmou Nader em seu discurso.

A parceria tem possibilitado a mobilização de outras entidades do sistema nacional de CT&I, como o Conselho dos Secretários Estaduais de Ciência e Tecnologia (CONSECTI), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Apoio a Pesquisa (CONFAP), e mesmo as entidades empresarias ligadas ao setor empresarial dedicado à inovação, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC).

Na visão da presidente da SBPC, a ação conjunta tem sido cada vez mais relevante, necessária e vigorosa. “Estamos nos posicionando de maneira conjunta em praticamente todas as pautas da ciência relacionadas aos poderes públicos: da regulamentação retrógrada da lei de acesso à biodiversidade, ao desatino de se ter no MCTI um político com agenda religiosa, incluindo-se, naturalmente, a luta para que a tríade ciência, tecnologia e inovação volte a ser representada”, concluiu Nader.

Parceria em momento de crise

O presidente da ABC, Luiz Davidovich, reforçou a importância do trabalho que é realizado com a SBPC, principalmente em momento de crise política e econômica como vivemos, que tem afetado negativamente grandes projetos de CT&I no Brasil. “Temos programas e projetos quase parados, ou com carência de recursos, como o reator multipropósito brasileiro, o navio oceanográfico e o Instituto de Pesquisas Oceânicas, e diversos outros”, salientou Davidovich. Ele também afirmou que a luta contra a fusão do MCTI com o MiniCom, e pela recuperação do orçamento de CT&I, tem mobilizado a agenda conjunta da ABC e da SBPC nos últimos tempos.

Davidoch apresentou um breve histórico da ABC, onde destacou desde o discurso de posse do 1º. presidente, o cientista Henrique Morize, até o relato de visitas ilustres durante a primeira metade do século XX, como Albert Einstein e Marie Curie. E momentos históricos relevantes, como o eclipse solar observado em Sobral, no Ceará, em 1919, que buscou a comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

A acadêmica Débora Foguel, professora de bioquímica da UFRJ, fez uma apresentação sobre a posição brasileira em CT&I em relação a outros países. Citou estudos realizados pelo economista americano Robert Solow, conhecido pelo Modelo de Solow-Swan, um modelo econômico que procura responder, entre outras, à pergunta: “por quê uns países são mais ricos que outros”. Foguel acredita que o futuro da ciência brasileira vai depender muito de maiores investimentos em pesquisa básica, “combustível da tecnologia e da inovação”, e de governantes que realmente percebam a relevância da C&T para o desenvolvimento do País.

Para Jorge Guimarães, presidente da Embrapii, o momento de crise que vivemos já foi até pior em outras épocas da história brasileira, como na década de 1980. Que no Brasil é ainda muito baixo o investimento em ciência e tecnologia, sobretudo o investimento realizado pelo setor industrial e privado, ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos. Além de investir até 3% do PIB em C&T, em países como os EUA, Coreia do Sul, Japão e alguns países europeus, o investimento é por vezes superado pela indústria do que pelos governos. O professor João Alziro Herz da Jornada, da UFRGS, ressaltou o papel que as academias de ciência representam para a validação e reconhecimento das ideias de cientistas de todo o mundo.

Ao final da sessão especial em homenagem aos 100 anos da ABC, Helena Nader entregou uma placa comemorativa à Luiz Davidovich, que afirmou: “Esta placa ficará por mais 100 anos na ABC, para representar a parceria que existe entre a ABC e a SBPC”.

 

Fonte: Fabíola de Oliveira – SBPC

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