| Em 19/02/2025

Projeto MEInstruAção: Educação e Combate à Pobreza Menstrual no DF

Estudantes do Ensino Médio recebem aulas e eventos de letramento em educação menstrual no Instituto Federal de Brasília (IFB) Campus São Sebastião. (Créditos: Arquivo MEInstruAÇÃO)

A menstruação ainda é cercada por tabus e mitos, refletidos em desinformação e exclusão social ao redor do país. O projeto MEInstruAção, fomentado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e sediado na Universidade de Brasília (UnB), atua para reverter esse cenário, promovendo educação menstrual entre os estudantes.

Com base em uma abordagem crítica e interseccional, o projeto busca desconstruir estigmas e ampliar a discussão sobre menstruação, incluindo pessoas trans e não-binárias. O MEInstruAção incentiva debates e oficinas em escolas do Distrito Federal para promover a conscientização.

Para a professora Maria Carmen Aires Gomes, à frente do projeto, o problema é sistêmico. “A precariedade menstrual é uma problemática sociocultural política e discursiva que gera impactos não só no acesso e na permanência escolar de meninas e mulheres cis, homens trans e pessoas não-binárias que menstruam, mas afeta também a produtividade dessas pessoas e seu desempenho no mercado de trabalho”, pontua a pesquisadora. “O tabu e o estigma em torno da saúde menstrual ainda persistem na sociedade brasileira, quase não há estudos que investiguem o tema no contexto do Distrito Federal”, completa.

Pobreza Menstrual

A pobreza menstrual é um desafio estrutural no Brasil, atingindo milhões de pessoas sem acesso adequado a produtos de higiene. O projeto trabalha em três eixos principais: tabu e estigma, precariedade menstrual e sustentabilidade ambiental, incentivando o uso de produtos menstruais sustentáveis como coletores e discos menstruais.

Para o presidente da FAPDF, Marco Antônio Costa Júnior, o intuito de programas voltados para a saúde feminina está inserido nos valores da Fundação. “Utilizar a pesquisa como ferramenta de combate às desigualdades tem sido uma tarefa cumprida com muito empenho pelos pesquisadores que podem afetar positivamente a realidade da população”, pontuou o presidente. O projeto foi um dos selecionados no edital de 2023 por Demanda Espontânea.

“Nós promovemos ações de educação menstrual que tem como objetivo principal ressignificar mitos, tabus e estigmas menstruais”, relata Maria Carmen Aires Gomes. “Como temos um foco na sustentabilidade ambiental, mostramos todos os tipos de produtos menstruais disponíveis no mercado e apontamos os pontos positivos e negativos quanto ao uso, considerando as condições econômicas e ambientais”, completa a profissional.

Em espaços de troca coletivos, colaborativos e seguros, a proposta é trocar saberes-poderes a respeito da educação menstrual. (Créditos: Arquivo MEInstruAÇÃO)

A iniciativa também dialoga com políticas públicas, como o PLC nº 12/2023, que prevê licença menstrual para servidores do DF, e a Lei nº 7.423/2024, que garante absorventes para mulheres em situação de rua. Essas medidas são essenciais para combater a precariedade menstrual e promover mais dignidade.

Além do impacto social e educacional, o projeto traz uma abordagem pedagógica emancipatória, estimulando a troca de saberes e o empoderamento dos estudantes. Tecnologias educacionais, como nuvem de palavras e vídeos curtos, são utilizadas para facilitar o aprendizado e estimular a reflexão crítica.

Do DF para todo país

O futuro do MEInstruAção inclui a expansão para outras regiões do Brasil e a criação de um Observatório da Dignidade Menstrual, que monitore políticas públicas sobre o tema. A meta é formar uma rede de educadores menstruais e ampliar a discussão sobre o acesso à educação menstrual.

Ao enfrentar os tabus e promover o direito à dignidade menstrual, o projeto MEInstruAção se estabelece como uma ferramenta de transformação social. Com iniciativas que unem educação, saúde e políticas públicas, a ação contribui para um futuro mais justo e igualitário para todas as pessoas que menstruam.

Fonte: FAPDF (Por: Mariah Brandt/ Ascom Fapdf)

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