| Em 21/05/2025

Projeto financiado pela Fapesq e Capes usa biotecnologias aplicadas ao desenvolvimento agropecuário sustentável do Semiárido

(Foto: Divulgação)

Capacitar jovens pesquisadores em Ciências Ômicas (que envolve sequenciamento de alto desempenho) aplicadas à produção agropecuária sustentável no Semiárido paraibano. Essa é uma das principais ações de projeto desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba (PPGZ/UFPB), Campus de Areia, que recebeu financiamento do Governo da Paraíba, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), no valor de R$ 137.160,00, além de duas bolsas de mestrado, três de doutorado e três de pós-doutorado, pagas pela Capes.

O projeto “Ciências Ômicas Aplicadas ao Desenvolvimento Agropecuário Sustentável do Semiárido” foi aprovado no edital do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG – Semiárido) fruto de parceria entre Fapesq e Capes, e proporcionou também a aquisição de insumos dos projetos de pesquisas associadas, que contribuíram significativamente para a exploração do potencial genético da biodiversidade nativa, assim como de variedades animais e vegetais adaptadas, incorporando inovações tecnológicas aos animais, plantas, e microrganismos, e gerando novas alternativas de produção e serviços associados no Semiárido paraibano.

Com o investimento, o projeto vai alavancar a bioeconomia, através do desenvolvimento e aplicação de biotecnologias que contribuem para a geração de riquezas, com redução das desigualdades sociais, promoção da saúde e preservação dos recursos naturais da região semiárida.

O projeto apoiado pela Fapesq/Capes é coordenado pelo prof. Edilson Paes Saraiva, e teve como atividade central a realização de analíticas envolvendo sequenciamento de alto desempenho, junto ao Laboratório de Avaliação de Produtos de Origem Animal (LAPOA), do CCA/UFPB. Segundo o coordenador do Laboratório, Celso José Bruno de Oliveira, as ações vinculadas ao projeto foram desenvolvidas em dois eixos estruturantes: Bioprospecção no Semiárido e desenvolvimento de bioprodutos para produção animal, e Genômica aplicada à segurança dos alimentos, no âmbito da Saúde Única.

O estudo preconiza o conceito de Saúde Única, através do princípio da indissociabilidade da saúde animal, humana e ambiental recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Nesse sentido, o pesquisador destaca o convênio Cooperative Agreement to Support JIFSAN (Environmental Water Project) com o Joint Institute for Food Safety and Applied Nutrition (JIFSAN), da Universidade de Maryland (EUA), coordenado pelo Prof. Celso Oliveira, e que gera conhecimentos inéditos sobre a dinâmica de contaminação microbiológica em reservatórios hídricos do Semiárido paraibano, através de epidemiologia genômica.

“As ações desenvolvidas no projeto auxiliam na construção do conhecimento científico e tecnológico para fomentar a bioeconomia aplicada ao Semiárido. Trata-se de um segmento crescente e prioritário dentre as políticas públicas globais, com grandes oportunidades para o desenvolvimento do setor agropecuário associado à redução do impacto ambiental e incremento de produtividade”, enfatizou Celso. Ele destaca entre as pesquisas em andamento a de Tecnologia de Silagens, coordenada pelos Profs. Edson Mauro Santos e Juliana Oliveira, que empregam o desenvolvimento de inoculantes microbiológicos para melhoria da qualidade das silagens, tema de fundamental importância para a sustentabilidade da produção animal na Caatinga. E também as pesquisas envolvendo nutrigenômica aplicada ao desenvolvimento de aditivos alimentares a partir de plantas da Caatinga, sob coordenação do prof. Ariosvaldo Nunes de Medeiros.

O estudo contou com a colaboração dos docentes do PPGZ: Ariosvaldo N. Medeiros, Patrícia Givisiez, Edson Mauro Santos, Juliana Silva Oliveira, Fernando Guilherme P. Costa, Leonardo A. Fonseca Pascoal, Ricardo Romão Guerra, Severino Gonzaga Neto, além de parceria com os pesquisadores Antônio Silvio do Egito e Nívea Felisberto e Leandro Oliveira, da Embrapa Caprinos e Ovinos, e instituições internacionais nos Estados Unidos (Ohio State University, University of Arkansas, Joint Institute for Food Safety and Applied Nutrition, University of california-Davis) e Portugal (Universidade de Lisboa).

De acordo com o pesquisador Celso de Oliveira, o financiamento Fapesq/Capes subsidiou a capacitação de jovens pesquisadores, através da concessão de bolsas de pós-doutoramento onde foram beneficiados Daniel Farias Marinho do Monte e Gustavo Sales; doutoramento, Antoniel Florêncio da Cruz, Girlene Cordeiro de Lima Santos, Maria Letícia Rodrigues Gomes, e mestrado: Bruna dos Santos Souza e Willyane de Souza Santos. “As teses proporcionaram a geração de conhecimentos inéditos aplicados à produção animal sustentável no Semiárido”, destacou ele.

Mais três teses de doutorado estão em andamento: (Dietas com alto teor de grãos, palma forrageira e silagem de milho para cabras leiteiras (Antoniel Florêncio da Cruz);  Nutrigenomica aplicada ao desenvolvimento de aditivo alimentar de compostos de plantas da Caatinga e bioprospecção do leite e da carne caprina (Girlene Cordeiro de Lima Santos); Avaliação entre promotor de crescimento antimicrobiano e aditivo fitobiótico sobre o microbioma intestinal em frangos de corte (Maria Letícia Rodrigues Gomes), além de duas dissertações de mestrado: Uso de bentonita como aditivo químico na silagem de milho (Bruna dos Santos Souza);  Desempenho e características do trato digestório de frangos de corte suplementados in ovo com treonina e glutamina (Willyane de Souza Santos). Uma doutoranda, Maria Letícia Rodrigues Gomes, encontra-se em estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Arkansas, EUA. Adicionalmente, permitiu a publicação de artigos em periódicos internacionais de elevado impacto.

De acordo com Celso, as pesquisas associadas ao projeto não teriam sido realizadas sem os recursos da Fapesq, responsável por todo o custeio do projeto.  “As atividades envolvendo biotecnologia são bastante onerosas. Os reagentes são importados, com custos susceptíveis ao câmbio, bastante desfavorável.  O financiamento garantiu o melhor aproveitamento das bolsas concedidas, permitindo a geração de conhecimentos inéditos e contribuindo para a qualidade das dissertações, teses e publicações”.

Ciências Ômicas

São áreas de estudo que utilizam tecnologias de alta capacidade para analisar de forma global os componentes moleculares de um sistema biológico, com o objetivo de entender os processos biológicos a nível molecular. As Ciências Ômicas permitem analisar, identificar e quantificar diversos componentes em sistemas celulares, como genes, RNAs (ácido ribonucleico), proteínas e metabólitos. Elas buscam compreender a estrutura, função e dinâmica de um tipo celular, tecido ou organismo, permitindo uma visão mais abrangente e detalhada dos processos biológicos.

Fonte: FAPESQ (Por: Ascom Fapesq)

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