| Em 05/09/2025

Projeto financiado pela Fapespa fomenta beneficiamento e qualidade do cacau nativo de várzea

Por meio da ciência, o projeto contribui diretamente para a bioeconomia regional, fomenta práticas sustentáveis e promove a inclusão produtiva de comunidades ribeirinhas. (Foto: Divulgação)

A partir de uma abordagem interdisciplinar, o projeto de beneficiamento do cacau amazônico otimiza todas as etapas da cadeia produtiva do cacau nativo de várzea. O trabalho envolve desde a coleta e análise das amêndoas até a definição de protocolos adequados para colheita, quebra, transporte, fermentação, secagem e armazenamento.

Deste modo, o estudo é composto por um conjunto de ações voltadas ao estudo do beneficiamento primário e das propriedades físicas, químicas e bioquímicas das amêndoas do cacau nativo, especialmente em áreas de várzea. Além disso, prevê a criação de um Sistema Informativo Geográfico (SIG) sobre as ilhas produtoras no município de Mocajuba, onde a atividade agroextrativista tem papel central na geração de renda para famílias ribeirinhas.

Em andamento na região de Mocajuba, no Pará, o projeto tem como objetivo principal a definição de protocolos para o beneficiamento das amêndoas de cacau nativo de várzea. Desenvolvido com o apoio técnico e científico da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a iniciativa visa assegurar a qualidade do produto, valorizando suas características naturais e promovendo mais segurança para os produtores locais.

A iniciativa faz parte do projeto “Beneficiamento primário, propriedades físicas e químicas das amêndoas de cacau nativo (Theobroma cacao) e sistema informativo geográfico das ilhas de várzea” das professoras Maria do Perpétuo Socorro Progene Vilhena e Maria José de Sousa Trindade. Financiado pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Fapespa, a execução conta com parcerias da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Universidade Federal do Pará (UFPA).

Segundo a pesquisadora responsável, Profª Drª Maria do P. Socorro Progene, o projeto se dedica à identificação de compostos bioativos presentes nas amêndoas, e suas propriedades funcionais e antioxidantes. Além disso, está sendo estruturado um sistema de informação voltado à rastreabilidade e à organização da produção nas pequenas ilhas da região, fortalecendo a cadeia produtiva e contribuindo para a valorização do cacau amazônico.

“O apoio do governo do estado a partir da Fapespa foi fundamental para a concretização deste projeto, pois possibilita a mobilização de recursos humanos, técnicos e científicos para atuação em uma região de difícil acesso, como as ilhas de várzea de Mocajuba. Ao investir em pesquisa aplicada e na valorização de ativos da sociobiodiversidade amazônica, a Fapespa reafirma seu papel estratégico no fomento à ciência, tecnologia e inovação no estado. Esse apoio tem sido essencial para aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades reais dos produtores locais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da bioeconomia paraense”, reforçou a Profª Maria Progene.

Exportação – Segundo dados coletados pela Fapespa, o Pará é o maior produtor de amêndoa de cacau do Brasil, sendo responsável por quase 145 mil toneladas da produção agrícola, o que supera em 53% de toda produção nacional, e conta com mais de 31,5 mil produtores, sendo que boa parte do fruto colhido no estado, tem como base a agricultura familiar, por meio de sistemas agroflorestais (SAFs). Atualmente, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas destina R$ 2.535,079,20 para dez projetos que envolvem cacau, sendo sete de pesquisas e três de apoio a startups.

“Um dos resultados do projeto é a produção de cookie com os resíduos das cascas das amêndoas do cacau, realizada e avaliada com resultados químicos microbiológicas e análise sensorial na Feira de Cacau Chocolate Festival em 2024, com 300 pessoas e, aprovação de 95% de aceitação para o mercado. Esse trabalho foi publicado em capítulo de livro: IV SICITAL – Simpósio de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Título: Reutilização de resíduos agroindustriais – Estudo sobre o uso da casca da amêndoa de cacau na produção de cookies,” declarou a pesquisadora.

(Foto: Divulgação)

A iniciativa promoveu a produção de materiais técnico-educativos, de inovação em gestão territorial e reaproveitamento de resíduos agroindustriais. Entre os principais resultados do projeto estão:

Materiais técnico-educativos e de divulgação científica: foram produzidos cinco materiais voltados à capacitação de agricultores, divulgação científica e educação ambiental:

*Guia de Beneficiamento Primário do Cacau de Várzea das Ilhas de Mocajuba, Pará: o guia disponibiliza informações acessíveis aos cacauicultores e demais interessados no processamento primário do cacau nativo de várzea, visando elevar a qualidade do produto e inseri-lo em mercados de alto padrão, como o de cacau orgânico, fino e gourmet.

*Guia Ilustrado de Macrofungos das Ilhas de Várzea de Mocajuba: apresenta informações sobre os fungos que impactam o sabor e as propriedades funcionais do cacau, como Aspergillus, Penicillium e Trichoderma, fundamentais na fermentação das amêndoas.

*Cartilha Técnica sobre Beneficiamento Primário do Cacau: manual ilustrado com instruções detalhadas sobre todas as etapas do processamento, incluindo manejo, quebra do fruto, fermentação e controle de qualidade.

*Cartilha infantojuvenil “Aventuras nas Ilhas de Mocajuba: Descobrindo o Cacau”: voltada à educação ambiental de crianças, incentiva a preservação da floresta de várzea e valoriza alternativas sustentáveis de renda como a cacauicultura.

*Documentário digital: produzido com foco em comunicação visual, retrata a realidade das comunidades ribeirinhas e sua relação com o cacau.

*Inovação tecnológica e gestão territorial: o projeto também implementou um Sistema de Informação Geográfica (SIG) para mapear as áreas de produção de cacau e apoiar o planejamento territorial das ilhas de várzea. Com parceria do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e coordenação do Dr. Marcelo Thales, a iniciativa integrou imagens de satélite, dados de campo e tecnologias como o LiDAR (Light Detection and Ranging). Essa abordagem permite identificar com precisão áreas cultivadas com cacau em florestas ou sistemas agroflorestais, superando limitações dos métodos convencionais. As métricas estruturais validadas com dados de campo podem ser utilizadas para monitoramento ambiental e gestão sustentável da produção.

*Valorização do cacau amazônico e reaproveitamento de resíduos: a avaliação dos resultados do beneficiamento primário busca agregar valor ao cacau amazônico e adaptá-lo às exigências de mercados especializados. Como parte da proposta de aproveitamento integral da produção, foi desenvolvido um cookie utilizando resíduos das cascas das amêndoas de cacau, contribuindo para a redução de desperdícios e o fortalecimento da bioeconomia local.

Fonte: FAPESPA (Por: Jeisa Nascimento, estagiária, sob a supervisão da jornalista Manuela Oliveira – Ascom/Fapespa)

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