| Em 14/01/2026

Projeto estuda a viabilidade econômica e impactos da irrigação e da agricultura de sequeiro no plantio do cacau amazônico

Fomentado pela Fapespa, o Estudo busca fortalecer a cadeia produtiva do fruto amazônico por meio do monitoramento em SAFs (Foto: Divulgação)

O projeto intitulado “Viabilidade econômica de tecnologias agrometeorológicas como mitigação de cenários futuros de mudanças climáticas para o fortalecimento da cadeia produtiva do cacau da região Transamazônica” foi uma das propostas aprovadas na chamada Nº 009/2022, do Plano de Bioeconomia (PlanBio), com fomentos do governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Desenvolvida desde 2023, na região de Vitória do Xingu, próximo a Altamira, a iniciativa propõe avaliar a viabilidade econômica do cacaueiro, seminal (T. cacao) em condições irrigadas e em sequeiro, cultivado a pleno sol nas condições climáticas da região da Transamazônica. E, ainda, avaliar a resposta agronômica que o cacaueiro apresenta em uma área de sistema agroflorestal (SAF) ao ser irrigado, em comparação a um SAF não irrigado, na região de Tomé-Açú.

O monitoramento das áreas é feito pela realização de experimentos de campo em locais de produção de cacau em áreas submetidas a irrigação e sem irrigação. E, segundo o pesquisador responsável, Dr. Paulo Jorge Souza, “a falta de informações técnicas prejudica o avanço da cadeia produtiva no Pará, o que é inaceitável para o Estado considerado o maior produtor nacional”. 

Ainda de acordo com o pesquisador, apesar de o cacau possuir alta rentabilidade e importância social para a Amazônia, algumas lacunas técnicas, principalmente para o fortalecimento da cadeia produtiva, ainda não foram elucidadas, em especial, a necessidade de informações consolidadas quanto à viabilidade econômica do uso da irrigação nos diferentes arranjos que os agricultores locais utilizam, visto que essa informação é base para fomentos dos bancos para agricultura na região. 

Deste modo, os estudos buscam por dados reais, baseados em experimentação de campo, que podem melhor orientar os pequenos produtores quanto aos ganhos e vantagens, caso existam, em adotar o manejo da irrigação, principalmente, se considerarmos que eventos climáticos extremos, como secas mais severas e mais frequentes, que poderão ocorrer, futuramente, uma vez que o desequilíbrio climático é uma realidade mundial.

Estudos baseados em modelos climáticos indicam mudanças significativas no regime de chuvas na América do Sul nas próximas décadas. Projeções com o modelo RCP 8.5 Eta-HadGEM2-ES apontam para uma redução expressiva das chuvas do Norte ao Centro-Sul do Brasil, enquanto o extremo Sul do continente e o Noroeste da Amazônia devem registrar aumento das chuvas durante a estação chuvosa.

Simulações em escala regional com o modelo RegCM4 reforçam esse cenário ao indicar diminuição da precipitação nos meses mais secos e aumento nos períodos mais chuvosos em áreas da Amazônia oriental. Esse padrão de maior irregularidade das chuvas sugere que o uso da irrigação tende a se tornar cada vez mais necessário, especialmente em cultivos perenes, como o cacau, apontam dados referentes as pesquisas do projeto. 

“A Fapespa, enquanto órgão financiador e apoiador de pesquisas em nosso Estado, está sendo fundamental para a viabilidade da pesquisa e descoberta de informações técnicas só existentes em outros estados do País. Pesquisas básicas e aplicadas estão em consonância com o Plano de Bioeconomia do Estado, conforme estabelecido no seu plano de ação, eixo 1, que precisa gerar conhecimento técnico e científico para orientar e auxiliar no fortalecimento das principais cadeias produtivas do Estado, destacando-se a do cacau da região transamazônica”, destacou Paulo Souza. 

Resultados – em 2025, o grupo de pesquisa Interações Solo-Planta-Atmosfera na Amazônia (ISPAAM), coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Jorge (UFRA), participou de importantes congressos nacionais e internacionais como o XXIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia (CBAgro), que ocorreu em Porto Alegre, e o XI Simpósio Internacional de Climatologia (SIC) ocorrido em Belém. 

(Foto: Divulgação)

Nestes eventos, os estudantes vinculados à pesquisa, defenderam seus trabalhos gerados no âmbito projeto. Houve, também, a participação em importantes eventos, como na Feira do Cacau e Chocolate Amazônia, nos quais o professor Paulo Jorge apresentou quatro palestras. Além disso, no primeiro semestre de 2025, tivemos a defesa de três dissertações de mestrado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), cujos resultados foram apoiados pelo projeto em questão.

Em dezembro de 2025, o grupo de pesquisa realizou um encontro, no município de Altamira (PA), onde foram apresentados aos produtores locais, os principais resultados como parte dos objetivos e metas previstas no projeto. Nesse encontro, cerca de 100 produtores e o público presente receberão uma cartilha técnica com informações essenciais sobre demanda hídrica do cacaueiro, coeficientes culturais, impactos do uso da irrigação na produtividade e viabilidade econômica da irrigação na região de estudo.

“O cacau é uma das principais cadeias produtivas do Pará e é uma cultura que dialoga fortemente com a agricultura sustentável, uma vez que a sua produção pode ser feita em sistemas agroflorestais que imitam uma floresta e, com isso, diminui o impacto sobre a biodiversidade daquela região. O Pará tem uma vocação natural para a produção de cacau, assim, a pesquisa, a ciência, a tecnologia agregadas à essa condição natural, fortalecem ainda mais o Estado e a sua capacidade produtiva, com agregação de renda e qualidade de vida para a nossa população, ainda mais porque o cacau é uma cultura que depende muito de mão de obra para sua colheita. Portanto, tem tudo a ver com aquilo que o Estado do Pará vem pregando, continuar produzindo com sustentabilidade”, destaca o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

Fonte: FAPESPA (Por: Jeisa Nascimento, estagiária sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira – Ascom/Fapespa)

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