| Em 14/03/2016

Projeto desenvolve registro eletrônico para a saúde

Durante a vida, as informações dos atendimentos de saúde ficam registradas geralmente em papel ou distribuídas em diferentes sistemas de informação, impossibilitando a integração e acesso ao histórico de saúde de um paciente. Com o desafio de melhorar este processo, a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Zilma Reis, desenvolve um projeto que cria o registro eletrônico em saúde, para que os sistemas de informação para o cuidado materno e infantil neonatal possam dialogar.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), foi criado um modelo computacional que possibilita que as informações de alta da maternidade do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, sejam registradas e transmitidas com uma nova tecnologia proposta para troca de dados sobre a saúde. A ideia inicial foi criar este primeiro documento eletrônico, armazenado em um repositório estadual na Prodemge, que é a empresa de tecnologia da informação do governo de Minas Gerais, a partir da alta da maternidade, que poderá acompanhar este cidadão ao longo da vida.

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“Isto vai abrir portas para uma nova era na transmissão eletrônica de dados na saúde. O caminho é possível e temos conhecimento para fazer isso aqui no Brasil. Até o momento, esta é a primeira experiência brasileira a fazer esta troca de informação com alto nível de complexidade, ou seja, preservando o sentido e formato dos dados. Isso abre perspectivas para fazer fluir a informação entre os vários cenários da saúde: entre hospitais e unidades básicas de saúde, por exemplo”, enfatiza Zilma.

Desde 2011, foi regulamentado por meio da Portaria nº 2.073 (2011) o uso de padrões de informação em saúde e a comunicação entre os sistemas de informação do SUS, possibilitando o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), que faz parte da estratégia e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB), do Ministério da Saúde. O trabalho desenvolvido na UFMG é uma adequação ao projeto governamental, mas Zilma destaca o diferencial da pesquisa: “Conseguimos desenvolver e aplicar o primeiro protótipo de registro eletrônico no Brasil, usando padrões internacionais de interoperabilidade, a partir da Norma ISO 13606. Atualmente, ainda não existe uma aplicação realmente operacional desta tecnologia na saúde, apenas tentativas”, declara a coordenadora”.

A primeira fase do projeto, concluída em novembro de 2015, foi a criação do sistema que capta os dados do nascimento e os transmite até a base de registro eletrônico de saúde do Estado de Minas Gerais. Este sistema é um protótipo e funciona apenas na maternidade do Hospital das Clínicas da UFMG. Uma equipe multiprofissional da área de saúde e computação foi necessária para possibilitar que as informações fossem arquivadas com mais detalhes, por exemplo, constando se o peso do bebê é realizado assim que ele nasce, qual a unidade de medida usada e se está adequado para a idade gestacional. Desta forma, criou-se um padrão semântico e outras adequações tecnológicas chamadas de arquétipos para facilitar, por exemplo, que um médico da atenção básica compreenda de maneira correta as informações do histórico do parto.

A segunda etapa da pesquisa será o desenvolvimento de processos para levar a informação sobre o nascimento, armazenada na base de registro eletrônico de saúde do Estado de MG, até a atenção básica e fazer o caminho de volta, tornando os dados acessíveis onde o paciente precisa deles. A previsão é que em 2017 esta etapa seja concluída, finalizando o protótipo. “A Universidade tem o papel de testar e desenvolver uma tecnologia nova. Depois deste processo, cabe ao governo do estado decidir implementá-la no sistema de forma efetiva”, acrescenta.

Para compreender o cenário, a estimativa divulgada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Antônio Carlos Coelho Campino mostra que os gastos em ambulatórios – como consultas e exames diagnósticos – podem atingir, em 2030, R$ 63,5 bilhões, uma elevação de quase 149% em relação aos R$ 25,5 bilhões gastos em 2010. Diante disso, Zilma afirma que, se as informações de saúde de um paciente ficarem disponibilizadas, ganha-se em qualidade do atendimento, em exames que não precisam ser repetidos e se reduz gastos desnecessários.

 

Fonte: Roberta Ribeiro – Assessoria de Comunicação FAPEMIG

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