| Em 02/08/2023

Projeto da UEMS, financiado pela Fundect, desenvolve sistema para detecção de substâncias psicoativas ilícitas

(Foto: divulgação)

O projeto “Detecção inteligente de substâncias psicoativas ilícitas: desenvolvimento e aplicação de dispositivos a serem empregados nas fronteiras do Mato Grosso do Sul” começou a ser desenvolvido no início de 2023 na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) por pesquisadores que integram o Centro de Estudos em Recursos Naturais (CERNA) e o Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais (PGRN).

Fazem parte do projeto, os pesquisadores prof. dr. Gilberto José de Arruda, prof. dr. Luis Humberto da Cunha Andrade, prof. dr. Júnior Reis Silva e o prof. dr. Sandro Marcio Lima, coordenador da pesquisa. A pesquisa ainda conta com a participação do pesquisador prof. dr. Jesús Calvo Castro da University of Hertfordshire, do Reino Unido.

Para essa parte inicial da pesquisa, o projeto dispõe de financiamento da Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do MS (FUNDECT) para auxílio financeiro custeando a visita de dois meses do pesquisador prof. dr. Jesús Calvo Castro à Unidade da UEMS em Dourados. O projeto foi aprovado na Chamada FUNDECT Nº 19/2022 UK Academies 2022.

O projeto visa o desenvolvimento de novas plataformas de detecção inteligentes, com capacidade de detectar simultaneamente substâncias psicoativas pertencentes a classes com diferentes composições químicas.

Prof. dr. Jesús e Prof. dr. Luís Humberto em laboratório do CERNA/PGRN. (Foto: ACS/UEMS)

O estudo visa explorar o sinal optoeletrônico de sensores à base de nanopartículas de prata dopadas com terras-raras. O resultado será uma impressão de última geração para o desenvolvimento de tecnologia de sensores para as novas substâncias psicoativas (NPS) em misturas complexas que podem ser implantadas em campo e usadas por não especialistas. Espera-se que as abordagens desenvolvidas ajudarão a reduzir os atuais problemas de saúde e sociais que estão associados ao tráfico de substâncias ilegais.

Fase inicial

A pesquisa “Detecção inteligente de substâncias psicoativas ilícitas: desenvolvimento e aplicação de dispositivos a serem empregados nas fronteiras do Mato Grosso do Sul” está em sua fase inicial, nesta etapa os pesquisadores estão usando diversas técnicas espectroscópicas, como absorção, raios x e Raman, tanto para caracterizar os materiais desenvolvidos como para a optimização dos sistemas de detecção.

“Quando falamos de substâncias psicoativas ilícitas precisamos entender que existe uma diferença bem grande entre elas e as drogas tradicionais, como cocaína e heroína. Estas são drogas para as quais há sistemas de detecção bem estabelecidos. Por outro lado, as NPS representam um grupo de substâncias muito numeroso e caracterizado por uma grande diversidade na sua estrutura química, o que dificulta o desenvolvimento de métodos de detecção. No nosso projeto estamos focando em NPS pertencentes ao subgrupo dos opióides, que são substâncias caracterizadas por uma maior potência. É isto que faz os opióides serem usados, em conjunto com outras substâncias, em concentrações muito baixas, o que dificulta ainda mais o desenvolvimento de métodos optoeletrônicos”, explica o pesquisador prof. dr. Jesús Calvo Castro.

O pesquisador prof. dr. Jesús Calvo Castro com formação na área química e conta que já trabalhou anteriormente com sistemas de detecção focado em sensores para outro tipo de substâncias, como materiais explosivos. Também já atuou em pesquisas focadas na área da saúde (farmacêutica) também com sistemas de detecção.

Prof. dr. Gilberto, Leonardo Moreira e Silva Gomes (doutorando do PGRN) e o Prof. dr. Jesús. (Foto: Arquivo pessoal)

Aplicação da pesquisa

A equipe de pesquisadores acredita que o sistema de detecção em desenvolvimento poderá ser aplicado em diversas áreas, como em fiscalizações policiais para o combate ao narcotráfico e também na área da saúde.

Prof. dr. Sandro e Prof. dr. Jesús em laboratório do CERNA/PGRN. (Foto: Arquivo pessoal)

“Normalmente, os opióides são misturados com outras substâncias que podem ser ilícitas ou não, o que dificulta o processo de detecção. A identificação destas substâncias no laboratório, por meios espectroscópicos e cromatográficos é hoje possível, mesmo para novas substâncias com estrutura química desconhecida e em concentrações muito baixas. Porém, nós queremos chegar a um sistema de detecção que possa ser utilizado por profissionais não qualificados na linha de frente. Imagine um policial que tem um sistema de detecção pequeno e portátil, ele conseguiria utilizar esse sistema para detectar esse tipo de droga. Não podemos esquecer também das possíveis aplicações na área da saúde, na qual eu trabalhei muitos anos. Com o sistema de detecção, médicos e enfermeiros podem ajudar pacientes que chegam com problemas em decorrência do uso dessas substâncias. O profissional de saúde precisa saber o que causou o problema no paciente para realizar o tratamento adequado. Eu tenho certeza que a ideia que nós estamos desenvolvendo ajudaria a estabelecer um padrão de atendimento, o que representaria um grande avanço nesta área”, explica o pesquisador prof. dr. Jesús.

Para chegar até a fase final, a pesquisa ainda levará um tempo, os pesquisadores explicam que neste momento o objetivo é desenvolver a tecnologia em laboratório que seja capaz de detectar diversas combinações dessas substâncias. “Se nós continuarmos evoluindo bem nesta etapa inicial da pesquisa, até o fim do ano é possível conseguir provar a ideia que a gente propôs para essa etapa, que é ter um sistema que detecte esse tipo de moléculas. Uma continuidade a isso, que depende tanto de novos financiamentos quanto do apoio das instituições, seria transformar essa tecnologia desenvolvida em laboratório em uma tecnologia que possa ser comercializada”, finaliza o prof. dr. Jesús.

Parceria internacional

O prof. dr. Sandro Marcio Lima destaca a importância da realização deste projeto em parceria com o pesquisador prof. dr. Jesús da universidade britânica. “O tema pesquisado é de grande relevância para a sociedade em geral, e a junção de esforços multidisciplinares entre diferentes países para apresentar alternativas para o controle de entorpecentes, garante sua importância. A colaboração internacional fomentada pelo FUNDECT com esta chamada contribui para inserir o PGRN/CERNA/UEMS no contexto de interesse da ciência mundial. Esta iniciativa é fundamental para o fortalecimento da internacionalização do PGRN”, acrescenta o prof. dr. Lima, coordenador da pesquisa.

 

Fonte: FUNDECT (Texto: Liziane Zarpelon, da Assessoria de Comunicação UEMS)

 

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