| Em 25/03/2026

Projeto apoiado pela Fundect usa novas tecnologias contra enchentes em Campo Grande

(Foto: Arquivo Pessoal)

O período de verão é historicamente marcado por altos volumes de chuva em Campo Grande. Os registros de alagamentos são recorrentes. Em 2026, de acordo com informações da defesa civil, só em fevereiro já foram mais de 300 mm de chuva – quantidade que não era registrada há dez anos. Na imprensa e nas redes sociais, são inúmeros os vídeos de alagamentos, com pessoas em perigo, carros arrastados pela água, ruas e casas submersas.

O cenário reforça a necessidade de ações preventivas e de sistemas capazes de antecipar os riscos. Observando este contexto, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul investe em soluções que possam ajudar a minimizar os impactos gerados pelas chuvas, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul).

Um exemplo são as pesquisas iniciadas em 2017, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que se transformaram em um sistema avançado de monitoramento e previsão de enchentes. A iniciativa já está ajudando o município a monitorar as águas. Conhecido como HidroEX – Extremos Hidrológicos em Múltiplas Escalas, o projeto consolidou uma trajetória científica que hoje combina equipamentos de ponta, inteligência artificial e aplicação direta no planejamento urbano de Campo Grande, de acordo com o relatório apresentado para a Fundação.

Segundo o coordenador do projeto, professor Paulo de Tarso, o apoio da Fundect foi fundamental para o crescimento da ideia. “Em 2017 a gente tinha basicamente um projeto pequeno, na época universal, do CNPq, que deu um start para a gente desenvolver os trabalhos nessa linha”, explica. Atualmente, o projeto também resultou em sistemas de alerta e aplicativos voltados a áreas específicas de inundação na cidade.

Na fase inicial, os estudos utilizaram dados de chuva e de nível da água monitorados pela Prefeitura, com foco principalmente na Bacia do Prosa. A aprovação do HidroEX pela Fundect representou um ponto de inflexão nessa trajetória. “Depois do HidroEX, a gente conseguiu comprar equipamentos de ponta”, afirma o pesquisador, ao destacar que o projeto permitiu um impulso maior no desenvolvimento de novas pesquisas e tecnologias.

Com o apoio da Fundect, o grupo passou a trabalhar com sensores sem contato com a água (não ficam submersos), radares, câmeras e modelos baseados em inteligência artificial.

“Hoje a gente tem, por exemplo, um radar que mede nível de água ali no Prosa”, explica o coordenador, ao ressaltar que esses dados são utilizados na calibração de modelos hidrológicos e hidráulicos que contribuem para entender o comportamento das águas.

Resultados – Entre os resultados do HidroEX está o desenvolvimento de ferramentas inovadoras baseadas em deep learning (aprendizado de Inteligência Artificial), sistemas de alerta e aplicativos voltados a áreas específicas de inundação na cidade.

“Foi desenvolvido um modelo de deep learning e usando câmeras com as quais é possível simplesmente, em qualquer ponto de um rio, gravar um vídeo e ter a ideia da altura da água e consequentemente da vazão”, relata o pesquisador. Segundo ele, esse é um dos subprodutos tecnológicos gerados a partir do projeto.

Além disso, foram desenvolvidos modelos hidráulicos calibrados utilizados para subsidiar o planejamento urbano. De acordo com o coordenador, esses modelos permitem avaliar “as melhores descoberturas do solo na região para minimizar impactos de picos de cheia, de volumes de cheias”.

Desdobramentos – Os dados e resultados obtidos no HidroEX viabilizaram a aprovação de um novo projeto temático no CNPq, voltado a sistemas rápidos e antecipados de alerta de inundações. “Esse projeto tem contribuído ainda mais para a gente avançar nessas linhas que foram impulsionadas com o projeto do HidroEX”, afirma o pesquisador. Atualmente, o grupo trabalha com a integração de dados de modelos climáticos aos modelos hidrológicos para indicar áreas de inundação antes mesmo da ocorrência das chuvas.

Outro resultado do projeto é o fortalecimento da relação com a Prefeitura de Campo Grande. Está em fase de formalização um convênio que prevê a manutenção e a gestão de uma rede de 54 pluviômetros distribuídos pela cidade, além da organização desses dados em um banco qualificado. Segundo o coordenador, essa estrutura permitirá apoiar decisões do poder público e o planejamento urbano. “Antes de iniciar um loteamento ou uma nova obra que vai impermeabilizar o solo, a gente pode simular e ver qual é o impacto disso dentro de um sistema, de uma bacia”, explica.

Apoio da Fundect – Ao avaliar o financiamento estadual, o pesquisador destaca que o apoio da Fundect foi determinante para a consolidação do projeto. “A Fundect foi extremamente importante nessa etapa pra gente, como eu falei, deu a impulsionada nos nossos trabalhos”, afirma. Ele também ressalta que a flexibilidade administrativa da Fundação permitiu a continuidade das pesquisas mesmo durante o período de atividades no exterior, garantindo o andamento do projeto e a atuação de estudantes e pesquisadores.

“O HidroEX representa o que defendemos como política pública de ciência no Governo do Estado: partir de um problema real da sociedade, investir para gerar uma solução concreta. A Fundect possibilitou o salto tecnológico necessário para integrar monitoramento em tempo real, modelagem e inteligência artificial. O resultado é uma ciência que não fica restrita à universidade, mas que apoia o planejamento urbano, fortalece a gestão pública e contribui diretamente para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida da população”, explica o professor Cristiano Carvalho, diretor-presidente da Fundect.

Fundect: MS ama Ciência – Está é mais uma reportagem da série “Fundect: MS ama Ciência”. Ao longo das publicações, serão divulgadas informações sobre os relatórios técnicos dos projetos financiados, acompanhados de entrevistas com os pesquisadores responsáveis, destacando como o investimento público em ciência tem contribuído para o desenvolvimento científico e tecnológico em Mato Grosso do Sul.

Fonte: FUNDECT (Por: Ascom/Fundect, com adaptação)

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