| Em 27/03/2026

Pesquisa da Paraíba investiga segurança alimentar na produção de caprinos e ovinos

 A correta formulação das rações à base de palma forrageira foi capaz de modular a microbiota da dieta, melhorando a saúde e o desempenho dos animais (Foto: Arquivo da pesquisa)

Pesquisa amplia novos horizontes de investigação das comunidades microbianas ao longo do processo de produção de caprinos e ovinos que consomem palma forrageira e silagens. O estudo demonstra como a diversidade microbiana dos alimentos influencia na ocorrência e predominância de microrganismos patogênicos no trato gastrintestinal dos animais e seu impacto na segurança alimentar.  O projeto foi executado por pesquisadores do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (CCA/UFPB), com investimento do Governo da Paraíba e Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), e apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties).

A pesquisa coordenada pelo prof. Dr. Edson Mauro Santos, identificou alguns fatores de riscos associados ao manejo alimentar dos animais que proporcionam maior ocorrência e predominância de microrganismos patogênicos no trato gastrintestinal dos animais e, no leite e carne desses animais. O projeto foi composto por nove experimentos, realizados entre agosto de 2019 e dezembro de 2023. Os ensaios de campo foram realizados na Estação Experimental de Pendência da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER) e as análises laboratoriais na UFPB e Instituto Nacional do Semiárido (INSA).

Os pesquisadores estudaram a comunidade bacteriana de silagens de sorgo e palma forrageira e sua influência na comunidade bacteriana do trato gastrointestinal de ovinos e caprinos, o que permitirá avançar na modelagem técnica e experimental com relação ao uso de alimentos conservados na dieta de pequenos ruminantes. E ainda a evolução do microbioma bacteriano de rações com palma forrageira ao longo do tempo e seu impacto na saúde animal, o que tem permitido entender as implicações técnicas e de saúde animal no que se refere ao uso de palma forrageira em rações para pequenos ruminantes, uma vez que esse recurso forrageiro é a base da alimentação de ruminantes no Semiárido brasileiro.

De acordo com os resultados da pesquisa, o projeto conseguiu avaliar que a confecção de rações para pequenos ruminantes tem papel fundamental na saúde e segurança alimentar dos animais. Houve a detecção de microrganismos patogênicos sobre a ração dos animais e determinaram-se manejos alimentares capazes de diminuir ou impedir sua proliferação, evitando assim, a contaminação dos animais. Além disso, houve a divulgação de manejos adequados de alimentação de pequenos ruminantes para produtores rurais do Semiárido Paraibano.

(Foto: Arquivo da pesquisa)

Segundo o pesquisador Edson Silva, o uso de aditivos durante a ensilagem e a correta formulação das rações à base de palma forrageira foi capaz de modular a microbiota da dieta, prevalecendo a ocorrência de microrganismos benéficos, melhorando a saúde e o desempenho dos animais e diminuindo o risco de contaminação de alimentos de origem animal.

Esses resultados permitirão aos produtores obter maiores desempenhos em termos de produção de leite e carne, e principalmente oferecer para os consumidores um produto de qualidade e seguro para o consumo humano. Além disso, a formação de mestres e doutores e o treinamento de zootecnistas e médicos veterinários contribuirá com a transferência de tecnologia para a cadeia produtiva caprina e ovina na Paraíba, permitindo assim o seu aprimoramento e melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais.

“Em um momento de imensa dificuldade pelo qual passamos em função da Covid 19, e considerando a conjuntura econômica do país, o apoio da Fundação foi um grande diferencial para a geração do conhecimento científico e a formação de recursos humanos capacitados na nossa instituição”, disse Edson.

O tema resultou em vários projetos: uma tese de doutorado concluída e duas em andamento; seis dissertações concluídas; treinamento de nove acadêmicos dos cursos de Zootecnia e medicina veterinária; dia de campo para produtores rurais e dois boletins técnicos sobre produção de silagem e manejo alimentar de pequenos ruminantes.

Fonte: FAPESQ (Por: Ascom Fapesq)

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