| Em 16/01/2020

Projeto apoiado pela Funcap propõe melhoria no processo de biópsias oculares

Filtro, feito de papel especial aderente e com um desenho impresso em tamanho real da região ocular.

 

Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os casos de pessoas com complicações oculares tendem a aumentar com o processo de envelhecimento da nossa população. Principalmente a partir dos 50 anos, as pessoas ficam mais vulneráveis a complicações oculares como o glaucoma, a catarata e à Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), doença que ocorre em uma parte da retina chamada mácula e que leva à perda progressiva da visão central.

Esse cenário tem estimulado a busca, através de pesquisas científicas no meio oftalmológico, para prevenir as doenças e melhorar a qualidade de vida não só dos pacientes que estão em tratamentos óticos, mas de toda a população – especialmente as pessoas mais vulneráveis a doenças oculares. Nesse sentido, a empresa Olho Humano, com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Funcap, através do Programa Inovafit, criou o projeto Eye Patho, que tem como proposta desenvolver uma tecnologia específica para a coleta de materiais para biópsias, em casos de tumores, tornando o processo mais preciso, prático e intuitivo e sem aumento de custo.

A coleta e a manipulação de espécimes oculares (termo dado ao material retirado para análise) são práticas necessárias para diagnosticar e orientar os tratamentos de complicações oftalmológicas. De acordo com Karlos Sancho, médico e coordenador do projeto, nesse processo o cuidado com a preservação dos tecidos é fundamental para uma boa avaliação anatomopatológica. É através dessa avaliação que é possível determinar, por exemplo, se o tecido biopsiado apresenta células tumorais ou não, em qual estado a patologia está e outras informações determinantes para o tratamento. Dessa forma, o Eye Patho pretende melhorar a qualidade da preservação do material e garantir mais segurança nos resultados finais do processo de análise.

A proposta consiste em um filtro, feito de papel especial aderente e com um desenho impresso em tamanho real da região ocular, no qual o material coletado é colocado em uma posição que dá ao responsável pela biópsia e ao médico que fará uma possível cirurgia, uma ideia mais exata do tamanho do tumor e da sua posição no olho. A equipe responsável pelo projeto fez testes com vários fornecedores de filtros e o produto resultante possui uma fina película que fixa o material analisado. De acordo com os pesquisadores, essa é a principal vantagem em relação ao método tradicional, no qual o tecido coletado é simplesmente colocado em um recipiente e, além de não dar a posição de onde foi retirado, pode dobrar e ser danificado, o que dificulta o processo de análise pelo patologista.

“O Eye Patho é a primeira tecnologia específica para a coleta de espécimes oculares. Acreditamos que seu uso e comercialização irão melhorar os diagnósticos de tumores, o que também irá beneficiar os tratamentos a serem indicados e realizados com os pacientes”, explica Karlos. Ele espera que a aplicação dessa tecnologia também influencie o desenvolvimento de produtos de saúde específicos para os processos desse nicho de mercado.

A criação do material, segundo o pesquisador, traz inovação para o processo de análise de espécimes oculares ao melhorar a fixação do material e dispensar a necessidade de sutura ou desenhos com especificações. Isso facilita o trabalho dos patologistas e a comunicação entre os profissionais da área que irão fazer o tratamento do paciente. “O cirurgião terá seu tempo cirúrgico otimizado, já que a coleta da biópsia com o Eye Patho é prática, rápida e precisa, e o patologista terá mais informações sobre a região biopsiada e as margens cirúrgicas. Além disso, o tecido não vai dobrar ou enrolar, permitindo melhor avaliação do espécime”, acrescenta Karlos, que identificou a necessidade dessa melhoria a partir da sua experiência profissional na área.

Avaliação também está sendo feita em São Paulo

O molde idealizado pela equipe já passou pela fase de testes e foi submetido a um estudo piloto, onde foram realizados alguns ajustes na tecnologia. Atualmente, um estudo maior está sendo realizado com tumores oculares na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com a doutora Melina Morales, responsável pela pesquisa, já foi concluída a fase de testes com grupos de caso e de controle. A etapa seguinte será a análise estatística, a partir da qual será possível obter dados objetivos sobre a relevância do Eye Patho.

“O que já consigo afirmar, com base na experiência de uso que tive nos grupos e como oncologista ocular cujo trabalho envolve constantemente a realização de biópsias em tumores oculares, é que este novo receptáculo chegou para mudar para melhor o fluxo das peças para patologia ocular”, afirma a pesquisadora. Segundo ela, o produto traz mais praticidade para o cirurgião, com menor tempo gasto em sala de cirurgia para o preparo da peça, ao mesmo tempo em que proporciona um número maior de informações importantes para o patologista, que recebe o material com mais clareza de detalhes apenas com a visualização da peça.

Ela informa que “os dados parciais do estudo, até o momento, reafirmam o sucesso do Eye Patho como método de escolha na coleta de espécimes oculares” e o resultado final do trabalho deve sair ainda no começo de 2020, para ser publicado em uma revista internacional especializada nas áreas de Oftalmologia e Patologia.

 

Fonte:  FUNCAP

 

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