| Em 21/01/2026

Projeto amparado pela Fapt desenvolve dispositivo impresso em 3D para atrair e combater o mosquito Aedes aegypti

Equipe da startup Wasi Biotech, do Tocantins, desenvolvedora da tecnologia inovadora para combater o mosquito da dengue. Projeto é coordenado pelo professor e pesquisador doutor Walmirton Bezerra (à direita) – Foto: Divulgação/Acervo Pessoal

A startup Wasi Biotech, apoiada pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), no Programa Centelha 2 TO, desenvolve uma solução tecnológica inovadora para o enfrentamento de um dos principais problemas de saúde pública no Brasil: a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya. 

Exemplo de como o Programa Centelha impulsiona ideias inovadoras e gera impacto direto na vida da população, a iniciativa ocorre em um momento em que o Governo do Tocantins mantém abertas as inscrições para o Centelha 3 TO, prorrogadas até 30 de janeiro de 2026. Confira aqui o edital completo.

O projeto, coordenado pelo professor e pesquisador doutor Walmirton D’Alessandro, utiliza impressora 3D para a criação de um dispositivo capaz de atrair mosquitos e contaminá-los com um fungo. Ao entrar em contato com o fungo dentro do dispositivo, o mosquito se infecta e passa a disseminar o agente entre outros indivíduos, reduzindo gradativamente a população do vetor.

De acordo com o pesquisador, a proposta vai além da simples captura do mosquito. “A ideia é que o Aedes seja atraído para o dispositivo, entre em contato com o fungo e, a partir disso, leve essa infecção para outros mosquitos. Isso cria um efeito em cadeia, que contribui para o controle da população do vetor”, explica ele.

O coordenador destacou também que a impressora 3D é uma peça-chave no desenvolvimento do projeto. O uso dessa tecnologia permite que o dispositivo seja produzido localmente, a partir de um arquivo digital, reduzindo custos logísticos e facilitando a replicação da solução em diferentes regiões. “Com o design pronto e o arquivo do produto, qualquer local que tenha uma impressora 3D pode produzir o dispositivo, sem necessidade de transporte físico”, destaca o pesquisador.

Além do design funcional, a equipe também se preocupa com a estética e a aceitação do produto pela população. O dispositivo foi pensado para ser discreto e pode ser instalado em ambientes internos, como residências, ou em espaços públicos e institucionais.

Dispositivo é desenvolvido na impressora 3D para atrair mosquitos e contaminá-los com fungo – Divulgação/Acervo Pessoal

Monitoramento e apoio à saúde pública

Outro diferencial do projeto é a integração com tecnologias de monitoramento. O dispositivo poderá emitir sinais via GSM, permitindo o acompanhamento de dados como temperatura, umidade, pressão atmosférica e localização, além de possibilitar a criação de um observatório digital para apoiar a vigilância em saúde. Essas informações podem auxiliar gestores públicos na tomada de decisões e no direcionamento de ações de combate às arboviroses.

O projeto tem foco prioritário no modelo Business to Government (B2G), voltado para parcerias com governos e secretarias de saúde.

Fases do projeto e municípios envolvidos

Atualmente, o projeto está na fase final do Programa Centelha 2, com a conclusão da segunda versão do dispositivo, já aprimorada em termos de atratividade e funcionalidade. Os testes iniciais comprovaram a eficácia do fungo utilizado, e os próximos passos envolvem a validação do equipamento em campo, considerando as condições climáticas do Tocantins.

O projeto piloto teve início em Paraíso do Tocantins. A expectativa é expandir a aplicação para Palmas e Gurupi, além de outras cidades, conforme a consolidação das parcerias institucionais.

Educação e comunicação com a comunidade

Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto também investe em educação científica e comunicação acessível, incluindo materiais lúdicos voltados para crianças e famílias, com o objetivo de explicar, de forma simples, como o dispositivo funciona e como contribui para a proteção da saúde.

“Não adianta ter uma tecnologia complexa se a população não entende. A gente precisa falar a linguagem das pessoas”, reforça o pesquisador.

Equipe multidisciplinar

O projeto conta com uma equipe formada por pesquisadores e profissionais de diferentes áreas. O professor doutor Walmirton D’Alessandro é responsável pela gestão administrativa do negócio. O professor mestre Ivo Sócrates Moraes auxilia na aplicação da tecnologia ao dispositivo, enquanto a professora mestre Sávia Herrera atua na área de mercado. 

A equipe também conta com Iago Figueiredo, responsável pelo desenvolvimento de diferentes designs dos dispositivos, e a professora doutora Aline D’Alessandro, que faz o estudo epidemiológico da doença nas regiões.

Centelha como porta de entrada para a inovação

Para o coordenador do projeto, o Programa Centelha foi fundamental para tirar a ideia do papel e estruturar a startup. “O Centelha foi um divisor de águas. Ele me deu condições de transformar a pesquisa em inovação, captar recursos e levar esse conhecimento para a comunidade”, afirma Walmirton.

Experiências como a da startup Wasi demonstram o papel estratégico do Centelha no estímulo à inovação, ao empreendedorismo e à pesquisa aplicada no Tocantins, conectando universidades, governo e sociedade.

Inscrições prorrogadas

Pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores que desejam transformar ideias inovadoras em negócios de base tecnológica ainda podem participar do Programa Centelha 3 TO. As inscrições foram prorrogadas até o dia 30 de janeiro, ampliando a oportunidade para submissão de propostas que apresentem soluções inovadoras.

A iniciativa é realizada no estado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fapt, tendo como interveniente a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), e é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação Certi.

Fonte: FAPT (Por: Fernanda Dias/Ascom Fapt)

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