| Em 26/05/2026

Prêmio José Reis de Divulgação Científica 2026 contempla a revista Pesquisa Fapesp e o jornalista Bernardo Esteves

A revista Pesquisa Fapesp e o jornalista Bernardo Esteves são os vencedores do Prêmio José Reis em 2026. – Foto: Divulgação

A 46ª edição do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica contemplou a revista Pesquisa Fapesp – tradicional publicação de jornalismo científico, com mais de 25 anos de estrada – e o jornalista Bernardo Esteves Gonçalves da Costa – repórter da revista Piauí e autor do livro “Admirável novo mundo — uma história da ocupação humana nas Américas”. Os trabalhos da revista e do jornalista auxiliam o público leigo a entender melhor o que cientistas fazem e a compreender como a ciência se aplica no dia-a-dia, além de informar especialistas sobre estudos desenvolvidos em diversas áreas do conhecimento. O prêmio será entregue durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá entre 26 de julho e 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói.

Também foram anunciadas duas menções honrosas: Giovana Girardi, repórter especializada em ciência e meio ambiente, que atua na Agência Pública, foi agraciada na categoria Jornalista em Ciência e Tecnologia; e o Instituto Serrapilheira, instituição privada sem fins lucrativos que apoia a pesquisa e a divulgação científica no Brasil, foi agraciado na categoria Instituição e Veículo de Comunicação.

Ciência no cotidiano

“A ciência está presente em cada aspecto de nosso cotidiano, e o pleno exercício da cidadania depende cada vez mais de que as pessoas tenham conhecimentos mínimos de ciência. Acompanhar as novidades da ciência e relatá-las aos leitores é uma forma de estar atento a essa dimensão central da sociedade e de contribuir para o fortalecimento da democracia”, resume Bernardo Esteves, ao comentar sobre a razão de ter escolhido trabalhar com Jornalismo voltado à área de ciência.

Hoje repórter da revista Piauí, Esteves é um jornalista especializado em ciência, tecnologia e meio ambiente e pesquisador no campo dos estudos sociais da ciência e tecnologia. Ele é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde defendeu dissertação sobre a ciência na imprensa brasileira do pós-Segunda Guerra. O jornalista também tem doutorado em História das Ciências e das Técnicas e Espistemologia, também pela UFRJ. 

Esteves é também apresentador do podcast “A Terra é redonda” e autor de Admirável novo mundo — uma história da ocupação humana nas Américas, livro editado pela Companhia das Letras, em 2023. A obra já foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico nas categorias Divulgação Científica e História e Arqueologia e semifinalista do Jabuti na categoria Biografia e reportagem. O jornalista também é autor de Domingo é dia de ciência: história de um suplemento dos anos pós-guerra, editado pela Azougue/Abipti em 2006, e professor de jornalismo científico do Amerek, curso de especialização profissional em divulgação científica da UFMG.

Ao refletir sobre a importância crescente da divulgação científica, Esteves atenta para a relevância das informações sobre ciência para a formação de cidadãos conscientes. “Estamos assistindo a um crescimento do negacionismo científico, em que algumas pessoas questionam o aquecimento global causado pela ação humana, a eficácia das vacinas ou o próprio formato do planeta. Nesse contexto, o jornalismo especializado pode contribuir para combater o negacionismo, ao familiarizar os leitores com a forma como o conhecimento científico é produzido. Num mundo cada vez mais permeado pelo conhecimento técnico, o jornalismo científico pode ajudar a formar cidadãos capazes de cobrar dos governantes políticas públicas alinhadas com as melhores evidências disponíveis”, afirma.

O jornalista, que já foi editor do site da revista Ciência Hoje e repórter da Superinteressante, ainda possui no currículo colaborações publicadas em revistas de divulgação científica de Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França. Ele cita as mudanças nas dinâmicas da divulgação científica no país nos últimos anos, atentando para o papel ambíguo das redes sociais, que, ao mesmo tempo em que contribuem para a disseminação de conhecimento científico, concorrem para difundir desinformação na área. “O panorama da divulgação científica no Brasil hoje é bem diferente em relação ao que encontrei quando comecei minha trajetória profissional no ano 2000. Por um lado, hoje temos muito mais jornalistas e pesquisadores bem preparados e capacitados para a divulgação científica, formados em vários cursos de especialização e pós-graduação que foram criados nesse período. Outra novidade é a centralidade das redes sociais na forma como as pessoas consomem informação. As redes permitiram que cientistas pudessem se comunicar diretamente com o público, mas também facilitaram a circulação de desinformação científica em grande escala”, diz Esteves. Segundo ele, o campo da divulgação científica tornou-se mais relevante à medida que a ciência ganhou centralidade na esfera pública, conforme mostraram  a pandemia de covid-19, o agravamento da crise climática e a popularização das ferramentas de inteligência artificial.

Jornalismo científico como especialidade

Também agraciada com o Prêmio José Reis deste ano, a revista Pesquisa Fapesp é a única revista do país especializada na cobertura da produção científica e tecnológica nacional, tratando do impacto social, intelectual e econômico de estudos brasileiros realizados em todas as áreas do conhecimento. Segundo o site da revista, o objetivo da publicação é ampliar o acesso aos resultados de pesquisas científicas, ao mesmo tempo em que ressalta as pessoas, instituições e processos envolvidos no fazer científico. A revista é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e vem atuando em cinco frentes: formato impresso, newsletters, site, podcasts e vídeos.  

O projeto da Revista Pesquisa Fapesp começou em 1995, com o lançamento do informativo Notícias Fapesp, distribuído de forma gratuita para jornalistas, pesquisadores paulistas, gestores de política nacional de ciência e tecnologia. A revista seria lançada quatro anos depois, em 1999, com reportagens que enfatizavam resultados de pesquisas financiadas pela fundação de amparo à pesquisa paulista em várias áreas do conhecimento. Em 2001, a revista foi publicada pela primeira vez online e, em 2002, a publicação passou a ter o formato atual, ganhando a primeira edição em língua inglesa. A edição francesa foi lançada em 2005 e a em espanhol, em 2007.

A partir de 2004, a revista passou a disponibilizar seus conteúdos para editoras de livros didáticos e lançou o programa de rádio Pesquisa Brasil, baseado em reportagens publicadas na revista. O programa era uma parceria com a Rádio Eldorado AM, que durou até 2010.  De 2012 em diante, o programa passou a ser veiculado pela USP FM e no site da revista, em formato de podcast. A entrada nas redes sociais aconteceu a partir de 2008, com a estreia da revista no Twitter e, depois, com o lançamento do canal próprio no YouTube, seguido de criação de perfil no Facebook e no Instagram.

No ano de 2019, a revista implementou política de republicação que permite a reprodução livre de seu conteúdo no meio digital, dentro de condições pré-estabelecidas. Dois anos depois, criou novos canais para atender leitores interessados em conteúdos específicos e lançou newsletter mensal sobre inovação e edição-piloto de newsletter sobre integridade científica. Em fevereiro de 2023, a revista lançou as versões em inglês e espanhol de sua newsletter.

Nos primeiros meses da pandemia de covid-19, a Pesquisa Fapesp criou uma editoria especial para tratar do tema, que chegou a ocupar metade das páginas da revista. Também lançou um guia sobre o novo coronavírus e uma seção sobre o trabalho dos pesquisadores na quarentena, publicado em seu site. Com seu papel na área de divulgação científica, a revista tem sido fonte de perguntas de exames e recebido premiações. Em 2010, todas as questões da prova de Química da segunda fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram formuladas a partir de reportagens da revista. As matérias da publicação têm sido, ainda, exploradas em questões de provas de vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O trabalho bem-sucedido, além de ser reconhecido com o resultado da edição do Prêmio José Reis deste ano, também já foi valorizado em outras ocasiões. Em 2019, vídeo sobre o infectologista Guido Carlos Levi, feito para a revista por Diana Zatz, do Estúdio Varanda, recebeu o prêmio de melhor curta-metragem na VI Mostra VideoSaúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. O vídeo concorreu com mais de 100 trabalhos e mostra depoimento do médico Guido Levi, sobre a vacinação no Brasil. Em 2020, por sua vez, o hoje editor especial da revista, Carlos Henrique Fioravanti, ganhou o 40º Prêmio José Reis, devido a seu trabalho de divulgação científica.

Fonte: CNPq (Por: Ascom CNPq)

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