| Em 07/04/2017

Pesquisadores do Museu Goeldi descrevem nova espécie de peixe-elétrico da América Central

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) descreveram uma nova espécie de peixe-elétrico encontrada na bacia do rio Tuíra, no Panamá. O animal tem nove características que o diferenciam das espécies já conhecidas, como padrão de coloração, número de escamas e disposição dos dentes. Além de ampliar o conhecimento da diversidade da espécie, o estudo identificou potenciais áreas de ocorrência deste animal, o que facilitará investigações futuras sobre impactos ambientais e ameaças à espécie.

De acordo com os pesquisadores, o Eingenmannia meeki é o primeiro peixe-elétrico com ocorrência nas bacias da América Central. Da mesma família da enguia Poraquê, a mais popular espécie de peixe-elétrico da região amazônica, tem entre 16 e 30 centímetros de comprimento. O nome é uma homenagem ao cientista norte-americano Seth Eugene Meek (1859-1914), autor do primeiro livro sobre peixes de água doce do Panamá.

Os cientistas explicam que, enquanto a enguia Poraquê é a única espécie que utiliza descargas elétricas para defesa e imobilização de presas, capaz até de matar outros animais, as outras espécies, como a descrita no Panamá, utilizam a capacidade de gerar campos elétricos apenas como mecanismo de comunicação. Por habitarem em águas turvas, a emissão do campo elétrico é a forma que possuem para se orientar.

Segundo o pesquisador Guilherme Dutra, embora a ocorrência do gênero Eigenmannia no Panamá já fosse conhecida desde 1916, até agora os cientistas não contavam com material em boas condições para descrever a nova espécie. “O esforço para se conhecer a diversidade de Eigenmannia é contínuo. Em 2015, sete espécies foram descritas para o gênero, sendo cinco na Amazônia, e duas descritas nos últimos dois anos. Em 2017, pelo menos mais duas novas espécies serão apresentadas pela ciência”, afirma Dutra.

A descrição de uma espécie envolve uma série de etapas, entre elas, a apresentação da sua morfologia, que é o estudo da aparência de órgãos ou seres vivos. Essa análise, por exemplo, se baseia em vários exemplares da espécie depositados em coleções científicas, chamados exemplares tipos.

Os pesquisadores Carlos David de Santana e Wolmar Benjamin Wosiacki, curador da coleção ictiológica do Goeldi, também participaram do estudo, cujos resultados foram publicados na revista científica Copeia, periódico oficial da Sociedade Americana de Ictiologia e Herpetologia. A pesquisa também conta com a parceria do Smithsonian Institution (EUA).

O acervo ictiológico do Museu Emílio Goeldi possui abrangência neotropical, ou seja, a região biogeográfica que se estende do sul do México, passando pelas Ilhas do Caribe até o sul da América do Sul. A coleção é composta por cerca de 35 mil lotes, representando mais enfaticamente a bacia amazônica, com exemplares de peixes ósseos e cartilaginosos.

Fonte: Museu Goeld e MCTIC.

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