| Em 02/07/2024

Pesquisadores desenvolvem gel com casca de fruto do cerrado como agente antiobesidade e antidiabetes

O fruto da mangaba (Hancornia speciosa) – (Foto por: Arquivo/Pesquisador)

Uma equipe de pesquisadores está investigando os benefícios do fruto da mangabeira (Hancornia speciosa) como potencial fitoterápico, com apoio do Governo de Mato Grosso. Estudos revelaram que compostos fenólicos, como ácido clorogênico e rutina, presentes na casca da fruta possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo, reduzem o peso corporal com segurança e melhoram comorbidades associadas, como obesidade, diabetes mellitus e doença hepática gordurosa não alcoólica, possibilitando a criação de um fitoterápico eficaz.

A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e liderada pela professora doutora Márcia Queiroz Latorraca, da faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Durante o desenvolvimento do fitoterápico, a casca do fruto foi processada rigorosamente e submetida a técnicas de extração dos princípios ativos. Esse extrato vegetal foi incorporado em um gel com aplicações farmacêuticas e alimentícias, formulado para ser livre de incompatibilidades físico-químicas. A forma farmacêutica semissólida gelificada é composta por uma rede de polímeros hidrofílicos que entumece em contato com a água, formando partículas esféricas que encapsulam os compostos bioativos, protegendo-os do pH estomacal e preservando suas propriedades. Além disso, o produto é seguro para diabéticos e intolerantes à lactose, pois não contém açúcar ou excipientes lácteos.

(Foto por: Arquivo/Pesquisador)

As folhas da mangabeira têm atividade anti-hipertensiva, vasodilatadora, anti-inflamatória e antidiabética; a casca possui atividades antidiabética, anti-obesidade, antimicrobiana e gastroprotetora; a raiz tem efeitos anti-hipertensivos, cicatrizantes e anti-reumáticos; e o látex e o suco leitoso do fruto são usados no tratamento de doenças fúngicas, tuberculose e úlceras gástricas.

A mangabeira é uma espécie promissora encontrada principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O fruto é rico em elementos essenciais como ácido ascórbico, cálcio, zinco, ferro, carotenoides e vitamina E, além de ser saboroso, utilizado na produção de sorvetes, biscoitos, caldas, sucos, vinhos, licores, geleias, compotas, álcool e vinagre.

Outro potencial da mangabeira é a extração de látex para a indústria da borracha. A mangabeira pode produzir um litro ou mais de látex em apenas duas horas de sangria, enquanto a seringueira produz entre 50 e 100 ml, precisando ser cortada a cada dois dias. A mangabeira, por sua vez, é cortada apenas duas a três vezes ao ano, exigindo menos mão de obra.

A análise do extrato bruto das folhas frente às larvas de Artemia salina Leach revelou baixa citotoxicidade, indicando segurança no uso terapêutico. O teste de atividade hemolítica realizado com hemácias de sangue de carneiro mostrou que o extrato da casca de mangabeira é fracamente tóxico a atóxico.

Os próximos passos da pesquisa incluem determinar as concentrações dos compostos bioativos no extrato, avaliar a influência da digestão na bioacessibilidade dos compostos fenólicos, estender o prazo de validade do produto, desenvolver um nanosistema para administração oral do extrato e realizar ensaios clínicos para avaliar sua eficácia no tratamento da obesidade e outros parâmetros biológicos.

A equipe de pesquisa é composta pelos professores doutores Ana Paula Aparecida Pereira (UFMT – Cuiabá), Célio Fernando Figueiredo Angolini (UFABC) e Claudemir Batalini (UFMT – Campus do Araguaia).

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Ovando/ Fapemat)

Leia também

Em 25/02/2026

Governo de Santa Catarina e UFSC inauguram o primeiro laboratório da Rede Catarinense de Robótica, com investimento de R$ 2,5 milhões

A consolidação de uma infraestrutura científica de alto nível marca um novo momento para a robótica no estado, com a criação de uma rede que integra diferentes regiões, fortalece a pesquisa de ponta e já demonstra potencial de aplicação em ações conjuntas com forças de segurança e órgãos de fiscalização. Em Santa Catarina, essa iniciativa […]

Em 25/02/2026

Governo do Pará financia criação da primeira estação de recarga para carros elétricos feita 100% de fibras amazônicas

Um projeto inovador e sustentável, voltado à bioeconomia amazônica, utiliza insumos naturais vegetais da região em 100% de sua estrutura. Com financiamento do governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta contemplada no âmbito do programa Centelha II, substitui materiais sintéticos e metálicos, usualmente empregados no […]

Em 25/02/2026

Facepe adere a acordo com o Belmont Forum e amplia participação de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa oceânica

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) aderiu a um Acordo de Cooperação Técnica com o Belmont Forum, ampliando a inserção de Pernambuco em redes internacionais de pesquisa voltadas a desafios globais estratégicos. Por meio desse acordo, a Facepe participa da chamada Ocean II – Towards the Ocean We […]

Em 25/02/2026

FAPEMA lança edição especial da Revista Inovação

Está no ar a edição especial da Revista Inovação dedicada à divulgação científica e à popularização da ciência produzida no estado do Maranhão. O periódico, produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), reúne 40 reportagens que traduzem pesquisas, projetos e trajetórias de pesquisadores vencedores do Prêmio […]