| Em 08/07/2020

Pesquisadores criam aparelho de musculação compacto que atende à diversos públicos

Imagem: Acervo pesquisador

A prática de exercícios físicos é uma ação importante para a saúde, pois ajuda a aumentar a imunidade e a prevenir doenças. Além disso, as atividades físicas movimentam um grande mercado, para se ter uma ideia, o relatório da IHRSA Global Report 2019 mostra que o Brasil foi o terceiro no ranking de faturamento no comércio fitness no ano passado, com uma movimentação de mais de U$2 bilhões de dólares.

Pensando no potencial desse mercado um grupo multidisciplinar de pesquisadores do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (IF-Sudeste MG) desenvolveu, com o apoio da FAPEMIG, um aparelho de musculação compacto que busca atender a todos os tipos de público. Fruto de um trabalho de conclusão de curso, a ideia surgiu em 2014 após a identificação de uma deficiência dos aparelhos das academias ao ar livre.

Segundo o técnico em eletromecânica e um dos inventores do aparelho, Denis Ribeiro Maurício, o invento é um sistema de variação progressiva e contínua de carga que pode ser usado tanto em academias ao ar livre, como in door (fechadas), além de centros fisioterápicos, empresas, clubes e hotéis. “O sistema é formado por dois blocos de peso, um na esquerda e outro na direita, além de travas onde podemos deslizar para frente e para trás para variar a carga de peso. Temos ainda três barras de empunhadura que possibilitam 5 tipos de exercícios diferentes. Ou seja, propomos um parelho compacto no formato 5 em 1”, explica.

Atualmente, a tecnologia tem depósito no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) tanto do modelo de utilidades, quanto do desenho industrial. “A patente em si não é simplesmente o aparelho, mas o sistema, uma vez que eu consigo adapta-lo para vários dispositivos”, conta Ribeiro.

O sistema também está exposto na Vitrine Tecnológica da Fapemig. O inventor explica que uma dificuldade que encontraram inicialmente foi o contato com as empresas. “Acreditamos que a Vitrine irá proporcionar uma visibilidade muito grande ao nosso Projeto, como aos demais, visto a oportunidade de reunir diversas tecnologias das diversas instituições mineiras em uma plataforma que tem grande notoriedade”.

Além de Denis Ribeiro, participaram da invenção do sistema o técnico em Design de Móveis Daniel Braga Ribeiro e os professores do IF-Sudeste MG Eduardo Seabra Guedes, do Núcleo Design, e Miguel Fabiano de Faria, professor de Educação Física.

Cenário atual

Apesar de poder ser utilizada em diversos ambientes, inicialmente o grupo se focou no uso do aparelho nas academias ao ar livre. Segundo Ribeiro, o grupo fez um estudo teórico de como elas surgiram no Brasil, como são vendidas e implementadas, quais empresas trabalham nesse nicho, além de uma análise ergonômica dos aparelhos. “As academias ao ar livre de hoje são usadas principalmente por idosos ou crianças, estes para poderem brincar. Isso é uma coisa que intriga muito, pois há um investe público grande nessas academias de praças, mas estão restritas a um público”, destaca.

O técnico explica que por meio do estudo foi possível identificar que a academia ao ar livre não abrange todos os públicos, porque não tem uma variação de carga que possibilite, por exemplo, um público jovem utiliza-la. Uma vez que ao fazer o exercício em poucas semanas esse usuário irá alcançar a carga máxima dos aparelhos, que se tornarão muito leves para ele. “Eu poderia simplesmente colocar um dispositivo de academia in door nesses locais, mas eu teria um equipamento com uma série de cabos de aço que iriam se degradar naturalmente em contato com o meio ambiente. Outro ponto a se levar em conta é que vários desses aparelhos precisam, para variar a carga, que eu troque as anilhas. Isso, pensando no ar livre, eu poderia levar para a minha casa, então eu precisaria de alguém para me orientar”, conta.

Inovações do produto

De acordo com Ribeiro, a principal preocupação de uma academia ao ar livre é justamente que você não tem a orientação de um educador físico. “Os aparelhos guiados das academias in door são programados para fazer apenas os movimentos que a máquina permite, minimizando os erros de uso. Então tivemos a preocupação com isso também, em manter a liberdade do dispositivo exatamente na trajetória do exercício para evitar lesões e uma série de problemas ocasionados pelo mau uso”, explica.

A inovação que pode ser usada por públicos distintos, desde o mais jovem até a terceira idade, é compacta e pode ser instalada em um quintal ou em uma pequena praça. “É bom destacar que para variar a carga nesse aparelho eu não preciso retirar a anilha, não tenho peças soltas, o que evita extravio e facilita o uso. Por exemplo, talvez eu não consiga pegar uma anilha de 25 quilos e colocar no aparelho, mas dependendo do exercício fazemos com pesos até maiores. Então, essa estrutura simplificada com os componentes acoplados evita esse problema, além de ter um baixo custo de manutenção”, conta.

Outro ponto identificado pela pesquisa foi a forte tendência do mercado, tanto de compras públicas, empresas privadas e, até mesmo, de exportações. “Algumas empresas para quais estamos apresentando a tecnologia já têm um nicho sul americano ou até mesmo de exportação para a Ásia. E olha que o mercado chinês é muito forte nisso e um produto brasileiro podendo competir nesse continente é para se ter destaque”, ressalta.

Para saber mais sobre a tecnologia você pode acessar aqui.

 

Fonte: FAPEMIG (Texto: Tuany Alves)

 

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