| Em 12/05/2021

Pesquisador baiano desenvolve nova forma de extrair amido da pupunheira

pupunha

Projeto, que rendeu a primeira patente do Instituto Federal Baiano este ano, busca aplicar a matéria-prima na criação de alimentos e embalagens sustentáveis. A planta é comum na região sul da Bahia. (Imagem: Arquivo da pesquisa)

Foi durante o projeto de doutorado do professor Biano Melo Neto, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que a ideia de utilizar a pupunha para aplicá-la em alimentos e embalagens biodegradáveis surgiu. Junto à sua equipe, que contou com apoio de pesquisadores do Instituto Federal Baiano de Uruçuca, o professor identificou que grandes volumes de resíduos sólidos são gerados durante a exploração agroindustrial da planta. “Ainda que possua grande potencial na alimentação humana, sua produção é totalmente destinada à obtenção de sementes e grande parte da matéria-prima é descartada”, disse Biano. Com o objetivo de reutilizar as partes da árvore que seriam desprezadas, o professor encontrou um meio de aproveitá-las a partir de seu principal nutriente, o amido.

A polpa da pupunheira é rica em amido, mas, segundo o professor, costuma ser subutilizada. Em avaliações realizadas no IF Baiano, foi verificado que os frutos desta árvore são extremante ricos nesse nutriente, mas o problema é que a extração dele é cientificamente complexa. Foi a partir desta problemática que a equipe propôs uma metodologia capaz de associar rendimento e pureza durante o processo de extração. “A inovação se deu em quatro etapas. A primeira, direcionada a otimizar a extração dessa substância do fruto, a segunda, direcionada à caracterização química e funcional do amido, a terceira, ao estudo das propriedades térmica, morfológica e estrutural, a quarta, à aplicação do amido obtido em alimentos e na produção de um compósito termoplástico biodegradável”.

Com os primeiros resultados, a viabilidade da nova forma de extração foi confirmada e indicou o potencial para ser aplicada nas indústrias de alimentos, cosméticos, fármacos ou de termoplásticos destinados à confecção de matérias, com foco em materiais biodegradáveis. Para o idealizador do trabalho, as empresas processadoras de palmito de pupunha, precisavam investir na produção de alimentos, de forma limpa e sustentável. Agora, com a nova metodologia proposta pela equipe, esses objetivos tornam-se mais acessíveis. “Com este método, ofertamos à indústria e à sociedade em geral, que consome diversos produtos que contém amido, uma matéria-prima com alto grau de pureza, com propriedades nutricionais, químicas, funcionais, térmicas e mecânicas”, disse o pesquisador.

O projeto inovador, que recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), conquistou sua patente de invenção no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) este ano. Foi o primeiro registro de carta-patente conferido ao IF Baiano.

 

Fonte: FAPESB (Texto: Assessoria de comunicação Fapesb – com acréscimos)

 

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