| Em 18/04/2023

Pesquisa inédita com apoio da Fapespa apresenta resultados sobre gases de efeito estufa em rios amazônicos

Pesquisadora Vânia Neu, coordenadora do estudo sobre gases de efeito estufa em rios amazônicos e Marcel Botelho, presidente da FAPESPA. (Crédito foto: Sérgio Moraes/Fundação Guamá)

Os resultados preliminares da primeira expedição científica da pesquisa “Influência dos Processos Hidrodinâmicos sobre as Trocas de carbono e nitrogênio no Sistema estuarino do rio Pará”, feita a bordo do barco laboratório Mirage, foram apresentados no “I seminário sobre Química das Águas e emissões de gases de efeito estufa no sistema estuarino do rio Pará”, na última quinta-feira, 13. O projeto tem o apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

A pesquisa apontou que os dados físico-químicos e fluxos de gases preliminares do período de transição (entre período seco e chuvoso) nos canais de Breves e Boiuçu são similares aos observados no rio Amazonas o que confirma a conexão entre o rio Amazonas e o estuário do rio Pará. Já as águas do rio Tocantins apresentam um padrão biogeoquímico similar a outros rios de águas claras, como por exemplo Xingu e Tapajós. Ao longo do ano hidrológico foram observadas intensas mudanças físico-químicas nos rios, o que torna necessário coletas nos períodos seco, chuvoso e a transição (chuvoso para o seco), a fim de obter dados precisos e contínuos de fluxo e exportação de carbono e nutrientes do estuário e contribuição dos gases de efeito estufa na região.

Marcel Botelho, presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), destaca que investimentos em ciência e sua divulgação na Amazônia permitem tomadas de decisões precisas que impactam na melhora da qualidade de vida da sociedade.

“Expedições como essa são fundamentais para que tenhamos dados concretos sobre nossa realidade para podermos planejar políticas públicas viáveis. Compreender como nossos ecossistemas se mantêm saudáveis e investir em ciência e tecnologia, nos coloca como protagonistas do desenvolvimento da região”, enfatiza o presidente da Fapespa.

Financiada com recurso do governo do Pará, a expedição composta por 10 pesquisadores de diferentes instituições do Brasil, percorreu cerca de 900 quilômetros entre Belém, estreito de Breves, Canal Boiuçu, Rio Tocantins, Rio Pará, Guamá e Acará.

Ao longo do trajeto, o registro contínuo de pH da água, condutividade elétrica da água, oxigênio dissolvido, turbidez, salinidade, clorofila, concentração de CO2, CH4 e valores isotópicos de carbono, permitiu se ter o primeiro mapa com tais parâmetros biogeoquímicos. Amostras de água, sedimento, gases, microplástico e vazão do rio estão sendo determinados em pontos estratégicos. É o primeiro registro com tal grau de detalhamento.

O banco de dados gerados com monitoramentos interanuais possibilitam prever possíveis impactos antrópicos e determinar até que ponto a natureza é capaz de suportar estas alterações. À medida que se constituir um banco de dados detalhado, preciso e com amostragens a longo prazo, será possível realizar o planejamento estratégico sustentável para uma determinada bacia, de forma a manter sua funcionalidade e a prestação de seus serviços ecossistêmicos. Por meio de modelos numéricos também será possível integrar informações para regiões onde não haja medições.

Ao final dos três anos de projeto, a equipe de pesquisadores vai entregar ao estado do Pará um banco de dados com informações essenciais para subsidiar as decisões do governo frente às alterações climáticas em curso.

Junto dos resultados, foi apresentado o analisador de gases de efeito estufa, Picarro, primeiro e único no Pará, instalado no PCT Guamá, que faz o monitoramento em tempo real da emissão dos gases e determina o valor isotópico do carbono, podendo rastrear sua origem.

Ciência para o benefício social – Os rios que cortam a Amazônia são sustento das cidades ao longo da margem. A pesquisadora Vânia Neu, coordenadora do estudo, explica que a expedição irá coletar dados fundamentais para garantir segurança alimentar e hídrica. “Os dados coletados nos permitirão monitorar a qualidade da água e poluentes que afetam o pescado, além de identificar locais que possam ser afetados de maneira hostil por mudanças climáticas”. A pesquisadora destaca ainda a importância da formação de pesquisadores paraenses que possam atuar na região Amazônica. “Com conhecimento científico é possível entender e desenvolver a região de forma mais sustentável”.

“Pesquisas como esta e outras que estão dentro da âmbito da Sectet trazem dados que demonstram a importância dos nossos ecossistemas e como eles integram e influenciam as dinâmicas sociais, já que nossos rios nos alcançam de diferentes formas, seja pela qualidade da água quanto pelos alimentos que abastecem a população. Esses dados nos dão segurança ao traçar projetos em benefício do meio ambiente e sociedade, identificando pontos estratégicos para investimento”, comenta Maria Trindade, coordenadora do programa StartUP Pará, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet).

 

Fonte: FAPESPA (Texto: Sérgio Moraes/PCTGuamá e Ascom/Fapespa)

 

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