| Em 09/12/2019

Pesquisa desenvolve pasta de dente canina

Há milhares de anos o cachorro é um companheiro fiel do ser humano. No Brasil, o animal é muito querido, para se ter uma ideia, dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e atualizados pelo Instituto Pet Brasil, mostram que as famílias brasileiras cuidaram de 54,2 milhões de cães em 2018.

No entanto, esses amigos de quatro patas demandam cuidados que englobam não apenas uma alimentação adequada, água limpa e passeios. Muitos tutores se esquecem de um cuidado muito importante: realizar a higiene dental desse superamigo. A tarefa, apesar de muitas vezes difícil, é essencial para o bem-estar do animal, uma vez que a doença periodontal é muito comum nos cães.

Segundo Maria Aparecida Scatamburlo Moreira, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), cerca de 85% dos animais com mais de quatro anos de idade são acometidos pela doença. “Situação que pode resultar na perda dos dentes, comprometendo a alimentação e qualidade de vida do animal. Podendo, até mesmo, ocasionar sua morte por infecções sistêmicas”, conta.

Outro problema, de acordo com a pesquisadora, é que as bactérias, juntamente com os seus genes de resistência e virulência, passam dos animais para os humanos. “Assim, cachorros com bocas saudáveis podem contribuir positivamente com a saúde pública”, destaca.

Diante disso, Maria Aparecida Moreira coordenou o estudo Construção de protótipos de fármacos antimicrobianos contra bactérias de biofilme dental de cães e humanos, através do sinergismo do Cariofileno com outros compostos orgânicos e drogas convencionais. Apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) a pesquisa buscou desenvolver novos compostos antimicrobianos, e por consequência protótipos de fármacos, para combater a placa dental em cães.

Inovação no mundo animal

Durante a pesquisa, a equipe conseguiu identificar uma atividade antimicrobiana altamente significativa em alguns compostos isolados de plantas e frutos contra bactérias formadoras de placa dental de cães. “O que representa uma contribuição inédita na proposta da formulação de protótipos de fármacos antimicrobianos no combate à doença periodontal nestes animais”, informa.

Outra inovação do produto – que pode ser apresentado em dentifrícios, spray ou, até mesmo, aditivos para água e rações – é que, diferente de alguns produtos existentes no mercado, o composto não contribui para a resistência da doença. De acordo com a pesquisadora, é preciso se atentar para formas de prevenção da doença como escovação dental dos animais e uso de antimicrobianos, devido à resistência aos antimicrobianos convencionais. “Dessa forma, a busca de novos compostos, no caso isolados de plantas, pode auxiliar na prevenção da doença periodontal, sem contribuir para a resistência da doença”, conta.

Passos da pesquisa

Maria Aparecida Moreira explica que, em um trabalho anterior realizado no Laboratório de Doenças Bacterianas do Departamento de Veterinária da UFV, também financiado pela FAPEMIG – por meio do Edital Universal 01/2009 –, um composto natural foi reconhecido como um eficiente antimicrobiano no combate da formação da placa dental em cachorros.

A partir disso, foi formulado um protótipo para uso veterinário, tendo como princípio ativo o cariofileno. “Para o qual foi solicitado depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). No momento, estamos aguardando o interesse das empresas pelo produto”, informa.

Já sobre os novos compostos usados no estudo, a pesquisadora conta que foram usadas benzofenonas isoladas de frutos e de árvores como Mangueira e Bacupari, obtidas por meio da parceria com o professor Marcelo Henrique dos Santos do Departamento de Química da UFV. “Durante o desenvolvimento foram observados diferentes níveis de atividades antibacterianas e diferentes associações desses compostos com o cariofileno. No entanto, não se pode tecer mais comentários pois alguns encontram-se sob o sigilo da elaboração de patentes”, finaliza.

Fonte: Comunicação Fapemig

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