| Em 25/08/2022

Pesquisa desenvolve fitoterápico à base de fruto amazônico para combater danos causados por veneno de cobra

No Brasil, cerca de 26 mil acidentes ofídicos ocorrem ao ano, com maior incidência na Amazônia, com 52,6 casos a cada 100 mil habitantes (Foto: Luana Travassos/Acervo pessoal)

O desenvolvimento de um fitoterápico à base de Bellucia dichotoma (fruta amazônica conhecida como goiaba-de-anta) para ser usado como anti-inflamatório e bloquear as reações edematogênica, provocadas pelo veneno de Bothrops atrox (serpente jararaca-do-norte). Esse é o objetivo principal de uma pesquisa desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Edital nº 006/2019, do Programa Universal Amazonas.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, a bióloga e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Maria Cristina Sampaio, a formulação do fitoterápico já está concluída. O remédio será uma substância efervescente para ser tomada diluído em água, com ação eficaz contra dor intensa, edema, bolhas, equimose e necrose muscular, antimicrobiana e, principalmente, para evitar a amputação do membro afetado pelo veneno da serpente.

O estudo buscou propor uma fórmula que pudesse ser utilizada como coadjuvante à soroterapia para diminuir os danos teciduais locais produzidos pelo envenenamento botrópico.

Doutora em Imunologia, a pesquisadora destaca que o soro utilizado no Brasil para acidentes com jararacas neutraliza com bastante eficácia os efeitos sistêmicos causados pelo veneno (hemorragia, miólise, hemólise, paralisia neuromuscular e respiratória, sintomas vagais, injúrias renais, alterações na cascata de coagulação e nas plaquetas, cardiotoxicidade, trombose), mas não impede os efeitos locais, deixando desta forma a porta aberta para complicações e sequelas no membro atingido.

“Nossa proposta foi preparar a formulação de um fitoterápico baseado no conhecimento e uso da planta (goiaba-de-anta) pela população tradicional, validando a planta como antiofídica, para que a indústria farmacêutica possa elaborar o remédio e distribuir à população”, completou.

Início

A pesquisa começou a ser desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) a partir de uma tese de doutorado das pesquisadoras Valéria Mourão de Moura e Luana Travassos. Após um levantamento de plantas utilizadas como antiofídicas pela população com a obtenção de diversas informações do uso tradicional, o estudo terminou na Ufam com a colaboração de vários professores do curso de Farmácia, em parceria com a Fiocruz e Fapeam, sob a coordenação de Maria Cristina Sampaio.

“Espera-se contribuir com o desenvolvimento de um remédio coadjuvante para o tratamento de acidentes ofídicos na região amazônica, utilizando matéria-prima da própria biodiversidade local para valorizar e gerar recursos a partir da biodiversidade amazônica”, destacou Maria Cristina.

Números 

Conforme a pesquisa, no Brasil, os números registrados pelo Ministério da Saúde mostram que ocorrem em média 26 mil casos/ano de acidentes ofídicos, sendo a maior incidência na Amazônia brasileira (52,6 casos/100 mil habitantes). Esses números podem ser ainda maiores devido às subnotificações existentes nessa região, especialmente devido às longas distâncias a serem percorridas entre os locais dos acidentes e o atendimento médico especializado.

Sobre o Programa 

o Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas é uma iniciativa da Fapeam que tem o objetivo financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento  socioeconômico e ambiental do Amazonas em instituição de pesquisa ou ensino superior ou centro de pesquisa, públicos ou privados, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no Estado.

 

Fonte: FAPEAM 

 

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