| Em 07/11/2017

Parques Tecnológicos e Universidades como parceiros

Como integrar os parques tecnológicos ao contexto e à vivência das universidades? A pergunta deu nome a um painel realizado na última quinta (2) durante a Finit 2017 – Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia, evento que aconteceu até o dia 4 no Expominas, em Belo Horizonte. A proposta foi apresentar a experiência de parques tecnológicos brasileiros e de agências de fomento, discutindo os desafios que se colocam para incentivar a inovação no Brasil.

Participaram do debate Ronaldo Pena, diretor presidente do Parque Tecnológico BH-Tec; Jorge Audy, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec); Vanderli Fava de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge); Evaldo Vilela, presidente da Fapemig; e Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os palestrantes apresentaram dados que contextualizam a situação do Brasil na área. Apesar de um aumento expressivo no número de doutores formados nos últimos anos e do aumento da contribuição brasileira para a produção científica mundial, os índices de inovação são ruins. Hoje, o país ocupa a 69ª posição no ranking global, sendo que há 6 anos ocupava a 64ª posição. Apesar do retrocesso, no quesito parques tecnológicos, estamos crescendo. Se em 2000 o Brasil tinha apenas 10 ambientes como esse em funcionamento, hoje são 94.

Mudança
Todos os palestrantes concordam em um ponto: é preciso mudança. Jorge Audy enxerga essa questão como o principal desafio para alavancar a inovação. “É preciso quebrar resistências e modelos mentais”, enfatiza. Ele acredita que a universidade deve enxergar a inovação como uma terceira missão, ao lado do ensino e da pesquisa. Audy destaca, também, a necessidade de agregar valor à sociedade. “A universidade precisa se aproximar da sociedade, da qual ela faz parte”, diz. O presidente da Abenge, por sua vez, destaca a importância da mudança dentro da sala de aula, na forma de ensino e na configuração dos espaços, especialmente nos cursos de Engenharia.

Evaldo Vilela falou sobre a importância de se renovar a cultura, que precisa ser mais favorável à CT&I. Investir em ambientes de inovação, como os parques tecnológicos (mas também incubadoras, aceleradoras, entre outros), seria um caminho necessário. “Esses locais contribuem para essa mudança de cultura, pois neles se aprendem atitudes, se aprende a empreender. O empreendedorismo independe de crenças e ideologias. Empreender é resolver problemas. E isso é essencial para convencer a sociedade de que CT&I é o futuro”.

Oportunidades
Para além dos desafios, que são muitos, foram destacadas as oportunidades. Mario Neto Borges, presidente do CNPq, apresentou alguns programas do órgão para incentivar a inovação. Ele destacou a modalidade Doutorado Acadêmico Industrial (DAI), que busca inserir doutores nas empresas; e a bolsa de atração de jovens talentos (BJT), uma forma de incentivar atividades tecnológicas, a pesquisa aplicada e o empreendedorismo. Ele destacou que o desenvolvimento pleno só é alcançado quando as três pontas – ciência, tecnologia e inovação – crescem em equilíbrio.

Finalizando o painel, o presidente da Fapemig fez uma provocação aos presentes. “Está claro que nós sabemos fazer. Mas, então, por que as coisas não acontecem? Elas acontecem, mas precisamos de quantidade e velocidade. Tenho a convicção de que o futuro está ligado à CT&I. Mas não acreditamos nisso como país. Por isso, é essencial que a ciência – e nós, cientistas – se aproxime do poder político, dos órgãos de controle e da sociedade. É difícil, mas é o único caminho”.

Fonte: Comunicação Fapemig (texto: Vanessa Fagundes).

Leia também

Em 07/07/2026

Novo centro de pesquisa usará relógios e anéis inteligentes para detecção precoce de doenças

Os relógios e anéis inteligentes costumam ser vistos apenas como acessórios para contar passos, calorias ou monitorar o sono, mas no Viva Bem: inteligência artificial para saúde e bem-estar eles são considerados peças-chave para o avanço da medicina preventiva. O novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA), fruto de uma parceria entre FAPESP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) […]

Em 06/07/2026

Saúde terá destaque nas discussões da 78ª Reunião Anual da SBPC

Controlar as superbactérias e desenvolver imunoterapias para o tratamento de enfermidades estão entre os grandes desafios da medicina na atualidade. Este tema de grande relevância, que mobiliza especialistas em busca de soluções inovadoras, está entre os destaques da programação 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada de […]

Em 26/06/2026

Iniciativa Amazônia+10 lança chamada de R$ 107 milhões para fortalecer sociobioeconomia da Amazônia

A Iniciativa Amazônia+10, em uma parceria estratégica entre o Fundo Amazônia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), anuncia o lançamento da primeira chamada do Programa Desafios da Amazônia. Com um investimento total de R$ 107,1 milhões, a chamada financiará projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, voltados à criação de […]

Em 22/06/2026

Lançada a Chamada CONFAP & WBI 2026 para apoio a projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre Brasil e Bélgica

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com a Wallonie-Bruxelles International (WBI), lançou, nesta segunda-feira (22), a Chamada CONFAP & WBI – Bélgica 2026, destinada ao financiamento de projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre o Brasil e a Bélgica.  A iniciativa é realizada no âmbito do Memorando de […]

Em 06/07/2026

FUNBIO abre inscrições para a 9ª edição de programa que apoia pesquisas aplicadas de campo em conservação ambiental 

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) está com inscrições abertas para a 9ª edição do programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro. A iniciativa apoia pesquisas aplicadas de campo de mestrandos e doutorandos de instituições reconhecidas pelo MEC, com recursos destinados a despesas como deslocamento, hospedagem, equipamentos e outras atividades essenciais para o desenvolvimento dos estudos. […]