| Em 20/12/2016

Número de pesquisadores no Brasil chega a quase 200 mil

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou hoje os resultados do novo Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil (DGP).

A boa notícia é que, em comparação com 2014, o número de pesquisadores em atuação no Brasil aumentou 11%, e o número de grupos de pesquisa, 6%. E é bom que continuem aumentando mesmo, pois o número de cientistas no Brasil ainda é muito pequeno, proporcionalmente ao tamanho da nossa população.

A má notícia é que, no mesmo período, a quantidade de recursos disponível para esses cientistas fazerem pesquisa nas universidades e institutos federais só diminuiu. Ou seja, temos mais gente, para muito menos dinheiro. Cresceu a demanda, mas diminuiu a oferta, como mostram os números dos orçamentos do próprio CNPq, Finep e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC). Em valores corrigidos, o orçamento do MCTIC em 2016 (R$ 4,597 bilhões) foi cerca de 50% menor do que em 2014 (R$ 8,943 bilhões).

DGP Principais Dimensões

Ainda dá para fazer boa ciência no Brasil, com menos dinheiro? Claro que dá, mas em menor escala. Alguém vai ter de sair perdendo nessa história: Ou vai todo mundo receber menos (e portanto produzir menos), ou será necessário fazer escolhas que privilegiam alguns em detrimento de outros — por exemplo, dar mais dinheiro para alguns grupos de excelência ou temas específicos, em detrimento de outros temas ou grupos mais insipientes, que perderão a oportunidade de se desenvolver.

A culpa é da crise econômica? Em parte, sim; mas é também resultado de uma falha estratégica. Ao longo dos últimos anos o governo federal investiu pesado na expansão do ensino superior e na formação de recursos humanos, mas não aumentou na mesma proporção os investimentos em ciência, tecnologia e inovação. O resultado é uma massa crescente de cientistas que têm cada vez menos dinheiro para fazer o que foram treinados para fazer: ciência!

O governo federal e o MCTIC estão, finalmente, conseguindo pagar as dívidas que tinham pendentes com a comunidade científica — incluindo a Chamada Universal 2014 e a chamada do novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). Mas as perspectivas para 2017 são pouco animadoras. Tirando talvez o Estado de São Paulo, onde a situação é “menos ruim” por conta da Fapesp, vai ser um ano de vacas magras para todo mundo.

Na verdade, não só 2017, mas os próximos 20 anos, visto que a PEC do Teto congela o orçamento federal nos níveis atuais pelas próximas duas décadas. O orçamento de ciência e tecnologia até poderá crescer nesse período, mas só se o governo diminuir o orçamento de outros ministérios para isso.

Fonte:: O Estado de S. Paulo

 

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