| Em 21/08/2017

Livro reúne artigos de estudiosos do café

Ele pode dar aquele ânimo nas manhãs, um reforço na hora dos estudos e até um pouco mais de energia para os exercícios físicos. Bebida deliciosa e revigorante, paixão nacional, o café é parte da cultura brasileira e um prato cheio de boas histórias, ou, nesse caso, uma xícara. Quem conta parte delas é o engenheiro agrônomo, pesquisador e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Henrique Duarte Vieira. Ele reuniu no livro Café Rural – Noções da Cultura, textos de vários autores, que discorrem desde a origem até a seleção de áreas de plantio e condições climáticas apropriadas para os cafezais, passando pelo manejo de plantas invasoras, controle químico, nutrição mineral e adubação, entre outros assuntos.

A publicação, que está em sua segunda edição, contou com subsídios do edital Apoio à produção de material didático para atividades de ensino e/ou pesquisa, da Faperj, e reúne textos de diversos especialistas no assunto, como Fábio Luiz Partelli, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Nelson Geraldo de Oliveira, que ajudou na organização do livro, e Roberto Tozani, ambos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); Wander Andrade, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio); e Weverton Rodrigues, colega de Vieira na Uenf.

O livro traz curiosidades, como a descoberta do efeito estimulante dos frutos do café e o registro mais antigo de seu consumo, como bebida, em manuscritos do Iêmen, no ano de 575. De acordo com história que remonta há mais de século, um pastor etíope, chamado Kaldi, passou a observar que seu rebanho de cabras se tornava mais ativo e resistente após mastigar as folhas e frutos de café. Da observação, o pastor passou à ação: começou a consumir a polpa adocicada desses frutos, às vezes macerada, misturada em banha ou como um suco fermentado. A forma de consumir o café como bebida, preparada pelo processo de infusão, fervendo-se as cerejas da planta em água, começou por volta do ano 1000, com os árabes. E o café, tal como conhecemos hoje, feito a partir da torrefação dos frutos, ou grãos, surgiu apenas no século XIV. O primeiro lugar público no mundo criado para o consumo da bebida foi aberto em 1475, em Constantinopla, atual Istambul. Tomar café se tornou então um ritual de sociabilidade. As primeiras plantas de café só chegaram ao Brasil em 1727. Desde então, foi, aos poucos, se tornando mania nacional.

Organizador do livro, o engenheiro agrônomo não é apenas um pesquisador no assunto, mas convive com o café desde criança, já que seu pai era produtor. “Eu também passei a produzir café e diante de todas as suas propriedades e do meu convívio intenso com a planta, passei também a pesquisá-la”, conta. Vieira dá aulas sobre a fisiologia do café desde 1986 e hoje é professor de grandes culturas e sementes, na Uenf. Da planta, ele destaca suas propriedades nutracêuticas, ou seja, farmacêuticas e nutritivas: “O café é um grande estimulante natural, é termogênico, o que o torna uma bebida fitness, seguindo a moda atual. Além de ser fonte de energia, o café pode até ajudar a fortalecer a autoestima, por ser um estimulante natural de acordo com algumas pesquisas já realizadas”, acrescenta.

O livro também aborda detalhes técnicos da produção cafeeira, destacando as características de solo adequadas para um cafeeiro; tipos de herbicidas e doses recomendadas para eliminar determinadas plantas invasoras de cafezais; além de ajudar a identificar as principais pragas e doenças da plantação. “O livro é um verdadeiro guia para estudantes e para quem produz café. Ele traz textos de especialistas no assunto e consegue reunir, de forma detalhada, informações primordiais sobre o café. Reunir em um só volume os principais assuntos técnicos sobre essa cultura não foi um trabalho fácil. Felizmente, pude contar com grande número de pesquisas e informações geradas diariamente nessa atividade, sem falar no corpo técnico que se reuniu para que esse livro fosse lançado”, diz Vieira.

De acordo com o engenheiro agrônomo, a nova edição do livro atualiza a primeira, lançada em 2006, trazendo novos conhecimentos e os estudos mais recentes sobre a cultura do café, tão difundida no Brasil e no mundo. O pesquisador ressalta o papel do território fluminense na cultura cafeeira ao longo do tempo: “Não podemos esquecer a importância do estado do Rio de Janeiro na história do café brasileiro, configurando-se, durante o século XIX, como o maior produtor do País, num período em que o Brasil ocupava a posição de maior produtor mundial”, conclui.

Fonte: Boletim Faperj (texto: Danielle Kiffer).

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