| Em 13/03/2019

Instituições definem ações para preservar recursos geridos pela Fapemig

As instituições de pesquisa mineiras e entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) vão organizar dados sobre recursos gerados pela produção de ciência e tecnologia, promover encontros com o governo do estado e parlamentares e realizar campanha de mobilização da opinião pública. O objetivo é reverter o recém-anunciado corte de recursos para a Fundação de Apoio à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

O tema reuniu, na tarde da sexta, 8, na UFMG, representantes de universidades federais e estaduais de Minas, da Fundação Oswaldo Cruz, da PUC Minas e de entidades científicas. Os dirigentes enfatizaram a disposição de contribuir para a recuperação do estado, também a médio e longo prazos, conduzindo debates e estudos sobre alternativas de diversificação da matriz econômica. A Fapemig passa a contar com cerca de R$ 6,5 milhões mensais, para bolsas (R$ 4,5 milhões), manutenção e compromissos diversos. Estão suspensas bolsas de iniciação científica e novas chamadas para apoio a projetos, entre outras formas de suporte à pesquisa.

A reitora Sandra Regina Goulart Almeida lembrou que a redução dos recursos disponíveis para a Fapemig tem consequências graves de diversas naturezas. “Além do enorme prejuízo para a produção científica, há o impacto social, já que milhares de estudantes e pesquisadores dependem dessas bolsas para se manter, e o impacto econômico para o estado, porque a produção científica gera desenvolvimento e riquezas”, afirmou.

No caso da UFMG, estão suspensos recursos de R$ 2,5 milhões anuais em bolsas de iniciação científica e cerca de R$ 13 milhões para projetos de pesquisa liderados por professores. O financiamento de bolsas de mestrado e doutorado está ameaçado. “Sem os financiamentos da Fapemig, fica reduzida nossa capacidade de captar recursos que dependem da contrapartida. O impacto negativo é incalculável, também em forma de aprofundamento da recessão econômica”, acrescentou a reitora

Sinergia
De acordo com o presidente da Fapemig, Evaldo Vilela, 2015 foi o último ano em que a entidade recebeu integralmente 1% da receita orçamentária corrente ordinária do Estado, cota que lhe é garantida pela Constituição mineira. No ano passado, esse percentual que, segundo a Constituição do Estado, deve ser o mínimo a ser repassado e “em parcelas mensais equivalentes a um doze avos, no mesmo exercício”, não foi cumprido. Em 2018, o repasse foi de apenas 30% do valor constitucional.

A Fundação ainda enfrenta outra medida que agrava a restrição orçamentária: a legislação estadual determina que 40% da verba que recebe seja transferida a projetos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico considerados estratégicos pelo governo mineiro. Esse repasse reduz ainda mais a capacidade de financiamento de projetos de pesquisa. Diante do quadro atual, de contenção de recursos, participantes da reunião defenderam a necessidade de se fazer gestões junto a parlamentares e ao próprio governo mineiro para que seja revista essa parcela de 40% que é transferida para financiar outros projetos.“A existência da Fapemig faz sentido se ela puder influenciar positivamente a vida das pessoas. A melhoria da qualidade do povo mineiro depende do investimento em ciência, tecnologia e inovação”, disse Evaldo Vilela. “Devemos construir pontes entre o governo, a sociedade e a academia, atuar em sinergia”, defendeu. Recentemente, a Fapemig perdeu um terço de sua força de trabalho.

O presidente do Fórum das Instituições Públicas de Ensino Superior de Minas Gerais (Foripes/MG), Valder Steffen Júnior, ressaltou a “enorme capilaridade” das universidades e institutos de pesquisa no estado. “Essas instituições são poderosos vetores de desenvolvimento regional em Minas. A limitação de recursos tem o potencial de interromper projetos de inovação e prejudicar a formação de gerações de pesquisadores”, alertou Steffen, que é reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Ildeu Moreira, presidente da SBPC, lembrou que a situação de Minas Gerais é similar à de outros estados, como Rio de Janeiro, Goiás e Rio Grande do Sul. Segundo ele, é importante que o governo federal apoie as fundações estaduais de apoio à pesquisa, “para evitar um desmonte em cascata”. “A Fapemig é um patrimônio de Minas Gerais e da ciência brasileira”, disse Ildeu, que propôs a elaboração de estudo sobre o impacto das ações da fundação sobre a produção científica e o desenvolvimento do estado.

Também com o objetivo de proteger os recursos administrados pela Fapemig e contribuir para a recuperação do estado, os participantes do encontro propuseram iniciativas de aproximação entre a academia e o governo, realização de eventos para discussão de nova agenda para a economia mineira e a elaboração, por parte das equipes de comunicação das instituições, de estratégias de sensibilização da sociedade para a importância do investimento em ciência, tecnologia e inovação.

Fonte: Comunicação Fapemig / UFMG.

Leia também

Em 07/07/2026

Novo centro de pesquisa usará relógios e anéis inteligentes para detecção precoce de doenças

Os relógios e anéis inteligentes costumam ser vistos apenas como acessórios para contar passos, calorias ou monitorar o sono, mas no Viva Bem: inteligência artificial para saúde e bem-estar eles são considerados peças-chave para o avanço da medicina preventiva. O novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA), fruto de uma parceria entre FAPESP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) […]

Em 06/07/2026

Saúde terá destaque nas discussões da 78ª Reunião Anual da SBPC

Controlar as superbactérias e desenvolver imunoterapias para o tratamento de enfermidades estão entre os grandes desafios da medicina na atualidade. Este tema de grande relevância, que mobiliza especialistas em busca de soluções inovadoras, está entre os destaques da programação 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada de […]

Em 26/06/2026

Iniciativa Amazônia+10 lança chamada de R$ 107 milhões para fortalecer sociobioeconomia da Amazônia

A Iniciativa Amazônia+10, em uma parceria estratégica entre o Fundo Amazônia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), anuncia o lançamento da primeira chamada do Programa Desafios da Amazônia. Com um investimento total de R$ 107,1 milhões, a chamada financiará projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, voltados à criação de […]

Em 22/06/2026

Lançada a Chamada CONFAP & WBI 2026 para apoio a projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre Brasil e Bélgica

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com a Wallonie-Bruxelles International (WBI), lançou, nesta segunda-feira (22), a Chamada CONFAP & WBI – Bélgica 2026, destinada ao financiamento de projetos conjuntos de pesquisa e inovação entre o Brasil e a Bélgica.  A iniciativa é realizada no âmbito do Memorando de […]

Em 06/07/2026

FUNBIO abre inscrições para a 9ª edição de programa que apoia pesquisas aplicadas de campo em conservação ambiental 

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) está com inscrições abertas para a 9ª edição do programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro. A iniciativa apoia pesquisas aplicadas de campo de mestrandos e doutorandos de instituições reconhecidas pelo MEC, com recursos destinados a despesas como deslocamento, hospedagem, equipamentos e outras atividades essenciais para o desenvolvimento dos estudos. […]