O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Wildlife Conservation Society (WCS Brasil) lançam o livro “Quelônios Amazônicos: guia de identificação e distribuição”, com informações atualizadas sobre taxonomia, biologia, ecologia, ameaças e distribuição das espécies. O livro possui mapas de distribuição e de áreas ambientais adequadas à ocorrência de cada uma das 18 espécies da Amazônia, chave taxonômica para auxiliar na identificação de indivíduos jovens e adultos e imagens em tamanho real dos ovos.
Os quelônios são um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do mundo por serem altamente vulneráveis a impactos humanos, principalmente pelo comércio em grande escala.
“A obra também procura informar incertezas e divergências nas pesquisas sobre as espécies contempladas, como o questionamento da validade taxonômica de algumas espécies, e propõe estudos prioritários a serem desenvolvidos para o conhecimento e conservação do grupo”, explicou a bióloga Camila Fagundes.
Também participaram da elaboração do guia os pesquisadores Camila Ferrara, Thais Morcatty e Richard Vogt, um dos maiores especialistas em conservação e ecologia de tartarugas de água doce. Eles afirmam que a o livro vem suprir uma carência de fonte atualizada que reúna o conhecimento científico disponível sobre os quelônios, o que limita a capacidade de diferentes atores e instituições desenvolver ações conjuntas de conservação.
Cerca de 50% das espécies de quelônios do mundo estão listadas em alguma categoria de ameaça de extinção ou já foram extintas. Na Amazônia, as espécies de quelônios também são altamente vulneráveis devido à cultura de consumo de ovos e carne dessas espécies, como da tartaruga e do tracajá. Além do consumo, os quelônios são ameaçados pela perda de habitat ocasionada pelo desmatamento, construção de hidrelétricas e mineração.
“Para se ter uma ideia, a tartaruga da Amazônia viaja centenas de quilômetros pelos rios amazônicos e retorna para desovar em seus locais de origem, sendo muito vulnerável a alterações no leito dos rios”, destacou o pesquisador Richard Vogt, do Inpa.
Estratégias de conservação
Segundo a pesquisadora Camila Fagundes, as estratégias de conservação adotadas na Amazônia abrangem, principalmente, a proteção dos sítios de reprodução das espécies que desovam em praias e o monitoramento de fêmeas reprodutivas, e envolvem com frequência os moradores locais nessas atividades.
“Entretanto, para garantir maior eficácia da conservação dos quelônios na Amazônia é imprescindível conhecer a dinâmica populacional das espécies – onde se estuda sobrevivência, crescimento e fecundidade, por exemplo – especialmente para as espécies da família Podocnemididae e Testudinidae, devido ao alto grau de exploração que sofrem para consumo”, ressaltou.
Fonte: MCTIC.