| Em 22/05/2026

Governo do Amazonas apoia projeto que transforma obras literárias em arte visual e estimula a leitura

Divulgação/Acervo professora Carla Woany Rabelo Pereira

Aproximar estudantes do Ensino Médio da leitura de clássicos da literatura brasileira é o objetivo de um projeto apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A iniciativa foi desenvolvida na Escola Estadual Padre Luis Ruas, localizada na rua Bom Jesus, bairro Zumbi dos Palmares, zona leste de Manaus.

Com o título “Hermenêutica Visual? Transformando obras literárias em arte”, a iniciativa uniu literatura e artes visuais como estratégia para despertar o interesse dos jovens pelos livros e fortalecer habilidades de interpretação e pensamento crítico. Dessa forma, a escola apostou na produção e exposição de cartazes artísticos inspirados em obras literárias brasileiras. O projeto é amparado pelo Programa Ciência na Escola (PCE), edital nº 004/2025.

Segundo Carla Woany Rabelo Pereira, professora da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, que coordena o projeto, a proposta surgiu diante da preocupação da comunidade escolar com o afastamento gradual dos alunos da biblioteca e das práticas de leitura. Mesmo contando com mais de três mil exemplares disponíveis, o espaço era pouco frequentado pelos estudantes, especialmente quando se tratava de obras clássicas, muitas vezes evitadas pela extensão e pela linguagem dos textos.

“Isso nos impulsionou a buscar uma forma de despertar a curiosidade e o desejo de aprender nos nossos discentes, provocando-os a encarar o desafio de romper o comportamento inerte sobre aquele espaço, e a questionar a sua própria resistência habitual ao ser desafiado a descobrir uma obra literária”, pontuou Carla.

Metodologia

A ideia começou a ser construída em 2024, em meio aos debates sobre o uso excessivo de smartphones nas escolas e seus impactos no foco e no desempenho escolar. A partir dessa reflexão, professores e coordenação passaram a discutir formas de tornar a leitura mais atrativa e acessível aos estudantes.

Com base nisso, foram selecionadas três obras literárias: “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto; “Eu”, de Augusto dos Anjos; e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos; as quais serviram de inspiração para a criação de cartazes produzidos por alunos bolsistas e voluntários. O projeto utilizou recursos como colagem digital, edição de imagens e inteligência artificial para combinar símbolos e signos capazes de despertar interpretações e debates entre os estudantes.

As mostras dos cartazes foram realizadas nos corredores da escola entre julho e novembro, transformando o ambiente escolar em espaço de curiosidade e diálogo. Posteriormente, os alunos participaram de encontros no auditório para discutir as obras, suas narrativas e as percepções despertadas pelas imagens. O ponto alto ocorreu em dezembro de 2025, com apresentação dos resultados à comunidade escolar.

Apoio institucional

Para Carla Woany, além de fomentar a iniciativa, a Fapeam foi uma grande aliada em seu desenvolvimento como profissional e no despertar de uma carreira como professora pesquisadora.

“Hoje, observando esse cenário com minha subjetividade e também com um olhar mais analítico, posso definir que o suporte da Fundação no projeto Hermenêutica Visual veio a incentivar os envolvidos a se lançarem como pensadores em ciência, assumindo uma postura mais dedicada, compreendendo a importância do seu trabalho na escola e ao gerar novos dados de pesquisa”, ressaltou a coordenadora.

Mesmo após o encerramento oficial, os reflexos do projeto continuam. Atualmente, a escola conta com quatro clubes de estudo organizados pelos próprios alunos, além de um mural atualizado quinzenalmente com resenhas, críticas, poemas e cartazes literários. Também está prevista a chegada de livros em braile para incentivar a participação de alunos com deficiência visual.

Sobre o PCE

O PCE é uma iniciativa criada pela Fapeam, com o objetivo de apoiar a participação de professores e estudantes do 5º ao 9º ano do ensino Fundamental, da 1ª à 3ª série do ensino Médio e suas modalidades: Educação de Jovens e Adultos, Educação Escolar Indígena, atendimento educacional específico e Projeto Avançar, em projetos de pesquisa científica e de inovação tecnológica, a serem desenvolvidos em escolas públicas estaduais sediadas no Amazonas e municipais de Manaus, Coari, Manacapuru e Uarini.

Fonte: FAPEAM (Raissa Eme – Decon/Fapeam)

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