| Em 02/05/2024

Governo de Minas, por meio da Fapemig, inaugura 1º Centro de Referência à Cachaça na Ufla

Laboratórios fazem parte de projeto aprovado na FAPEMIG, no valor de R$ 3,7 milhões, para reestruturação do local e aprimorarão das práticas de produção da cachaça de alambique em Minas Gerais (Foto: Bárbara Teixeira/ FAPEMIG)

Um sonho de mais de 20 anos está se tornando realidade na Universidade Federal de Lavras (Ufla), com apoio da FAPEMIG e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). Na segunda-feira (29/04), foi inaugurado o Centro de Referência em Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC), para a realização de pesquisas que permitam agregar valor à cachaça de alambique de Minas Gerais.

O trabalho, coordenado pela professora Maria das Graças Cardoso, é fruto de projeto aprovado pela Fundação, com recursos de R$ 3,7 milhões, que serão empregados ainda na execução de cursos de capacitação para os produtores de cachaça e para a compra de equipamentos. Com o centro, será possível aplicar os conhecimentos gerados em sala de aula, permitindo o aprimoramento de parâmetros de análise.

A inauguração contou com a presença do Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG (DCTI), Marcelo Speziali, que parabenizou a iniciativa e destacou o poder de multiplicação da pesquisa. “Hoje, nós temos em Minas Gerais um dos melhores produtos, de padrão internacional, graças às pesquisas desenvolvidas na área. A FAPEMIG apoia desde as ciências mais fundamentais, não seria possível fazer nenhuma análise se a gente não tivesse muito conhecimento sobre química, físico-química, matemática, até a ciência mais aplicada, com o desenvolvimento de novas tecnologias e o transbordamento delas para o mercado”, destaca.

O secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Guilherme da Cunha, destacou a importância do centro de pesquisas para a valorização da cachaça mineira e a redução da informalidade no setor. “O Centro de Referência na Ufla vai contribuir ainda mais para a valorização de um produto genuinamente brasileiro, que tem Minas Gerais como um de seus principais players, e o fortalecimento do setor no estado a partir da validação da qualidade da cachaça mineira. O que significa maior formalização, geração de empregos e renda no estado”, avalia. 

A idealizadora deste Centro, Maria das Graças Cardoso, comemora a sua implementação e afirma que os produtos mineiros irão abrir portas ao redor do mundo. “Esse centro irá elevar o nosso nome não só no âmbito da cachaça, mas em tudo que os produtores puderem fazer com essa bebida nacional. Os derivados, as melhorias que podem ser feitas nas bebidas e no engenho, a criação de novas bebidas, a criação de bebidas envelhecidas com diferentes madeiras, isso tudo é baseado em pesquisa e pesquisa se busca nos centros de pesquisa das universidades”, afirma.

O evento também contou com a participação de João Chrysostomo de Resende Junior, reitor da Ufla; Ranier Chaves Figueiredo, representante da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa); Jonas Leal Neto, chefe do Departamento de Química; Teodorico de Castro Ramalho, diretor do Instituto de Ciências Naturais; e Luciano José Pereira, pró-reitor de pesquisa.

Junto da professora Maria das Graças estão Guilherme da Cunha (à esquerda), Marcelo Speziali, João Chrysostomo e Lucas Mendes (à direita). – (Foto: Bárbara Teixeira/ FAPEMIG)

Valor agregado

Atualmente, Minas Gerais é a maior produtora nacional de cachaça de alambique, sendo mais de 350 cachaçarias e cerca de 2,2 mil marcas diferentes. “Na nossa universidade nós temos toda a cadeia produtiva, desde o plantio até a comercialização. Há anos eu venho instigando a elaboração deste laboratório e agora o meu agradecimento é grande porque eu senti o valor que realmente a bebida tem”, destaca Cardoso.

O projeto a ser financiado pela FAPEMIG prevê a reestruturação do Laboratório de Análise de Qualidade de Aguardente/Cachaça (LAQA), já existente na Ufla, para que este se torne um Centro de Referência de Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC). A proposta prevê a realização de um diagnóstico da qualidade das cachaças de Minas Gerais e do Brasil quanto aos aspectos de composição química, interesse econômico e saúde pública. Adicionalmente, em parceria com os órgãos governamentais de Minas Gerais, espera-se traçar, anualmente, um mapeamento da bebida em todo o Estado, que permitirá a identificação quanto à regionalidade, agregando valor ao produto, melhorando sua qualidade e combatendo fraudes comuns no setor.

O novo Centro possui uma exposição de cachaças que já passaram pela análise do laboratório. (Foto: Pedro Cardoso/ Ufla)

Como explicam os pesquisadores da Ufla responsáveis pelo projeto, até o presente momento, não existe no Estado um centro de estudos, de pesquisas, de desenvolvimento e de prestação de serviços aos integrantes da Cadeia Produtiva e de Valor da Cachaça de Alambique e de outras bebidas alcoólicas. O setor produtivo de cachaça apresenta elevada taxa de informalidade (superior a 87%), o que favorece condutas baseadas no empirismo primário, com más práticas de fabricação, liberando produtos informais de baixa qualidade no mercado. Tal comportamento é decorrente dos preços elevados para realização de análises laboratoriais.

Espera-se, assim, que o CRAQC atenda à demanda por análises, emissões de laudos, selo de qualidade, diagnósticos e certificações de qualidade de cachaças, de bebidas alcoólicas fermentadas, fermento-destiladas e mistas fabricadas em Minas Gerais e demais regiões do Brasil, quanto aos aspectos químicos de interesse econômico e da saúde pública, visando ao fortalecimento do mercado da cachaça para Minas Gerais e, concomitantemente, para o Brasil e o mundo.

Fonte: FAPEMIG (Por: Bárbara Teixeira/ Ascom Fapemig)

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