| Em 18/09/2019

FAPEMIG apoia pesquisa que cria cartilha com informações sobre a utilização de plantas para regular o sistema metabólico

O uso de plantas para tratar doenças e enfermidades é milenar. A prática é tão importante que em 2006 foi instituído a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Projeto que propõe a ampliação das opções terapêuticas e melhoria da atenção à saúde aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicas

Em harmonia a essa iniciativa, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) criaram uma cartilha para orientar o uso de plantas medicinais da Bacia do Rio Pandeiros. A publicação é um dos diversos desdobramentos da pesquisa “Potencial terapêutico e farmacológico de espécies de vegetais nativas do Rio Pandeiros”. Estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), por meio da Chamada – Sustentabilidade do Rio Pandeiros.

Segundo Sérgio Henrique Santos, coordenador da pesquisa, o Norte de Minas Gerais, principalmente a área da Bacia do Rio Pandeiros até Montes Claros, possui uma das vegetações mais ricas, porém menos estudadas do Brasil. “Temos na região uma interseção de matas: Atlântica, Cerrado e até Caatinga. Isso associado ao clima quente e seco da região resulta em características únicas dessas plantas”, conta.

Ciente disso, os pesquisadores decidiram identificar, na sabedoria popular, quais plantas eram utilizadas pela população ribeirinha e focaram seus estudos em três espécies:  Sambaibinha (Davilla elliptica), Dedaleira (Lafoensia pacari) e Unha-D’anta (Acosmium dasycarpum). “O objetivo era pesquisar se as plantas de fato eram úteis e quais são as suas reais aplicações – especialmente com foco nas doenças metabólicas”, informa o professor.

O estudo, conduzido pelo pesquisador, mostrou que as ervas realmente podem ajudar no tratamento de doenças, como obesidade e Síndrome Metabólica (casca da Unha d’anta), depressão (Dedaleira), úlceras estomacais (Dedaleira) e, até, mesmo edemas de picadas de cobras (Sambaibinha). Algumas das plantas também possuem propriedades antibacterianas, antioxidantes, anti-inflamatórias, antifúngicas, antivirais, ansiolíticas e analgésicas. Saiba quais outras enfermidades podem ser tratadas pelas plantas, e como, na cartilha produzida pela equipe (aqui).

Para Santos, a publicação é importante pois permite que a comunidade faça o uso correto, com embasamento científico, dessas plantas. “Com a cartilha conseguimos resumir, de forma clara, aquilo que já se sabe cientificamente sobre essas três plantas. Assim a população pode utilizar de forma correta. Sem prejuízos para a saúde”, destaca.

Fomento
O estudo contou com a ajuda de vários agentes, como o Instituto de Ciências Agrárias (ICA), do programa de Mestrado em Alimentos e Saúde (ICA/UFMG) e do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (PPGCS/Unimontes). Para o professor a iniciativa teve diversos ganhos. “Agora podemos inovar na parte farmacêutica da população. Também conseguimos fazer com que alunos de diferentes formações ajudassem a comunidade.”, informa Sérgio Santos.

Fonte: Comunicação Fapemig.

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