| Em 03/06/2020

FAPDF e SECTI investem mais de um milhão em Laboratório Aberto de Brasília para ampliar produção de protetores faciais

Laboratório Aberto de Brasília (LAB) da Universidade de Brasília (UnB). (Foto: LAB/UnB)

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (SECTI), por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), vai investir no Laboratório Aberto de Brasília (LAB) para ampliar a capacidade de produção de protetores faciais, equipamentos de proteção individual utilizados por profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid-19. 

O projeto “Produção Vida 2020 Faceshield” foi aprovado no âmbito do Convênio 03/2020, firmado pela SECTI/FAPDF com a Finatec, com o objetivo de estabelecer uma cooperação técnico-científica para apoiar projetos e ações de pesquisa, inovação e extensão destinadas ao combate do Covid-19.

Hoje, o LAB, que funciona na Faculdade de Tecnologia da UnB, tem capacidade de produzir 50 unidades por dia, mas, com o aporte de R$ R$ 1.200.746,05 poderá ampliar essa capacidade de produção em quatro vezes, passando a produzir 200 protetores por dia. De acordo com a coordenadora do Laboratório, a intenção é produzir mais de cinco mil protetores por mês e, até o final da vigência do projeto apoiado pela SECTI/FAPDF, passar a marca de 25 mil itens produzidos. 

O Laboratório já produziu 1836 protetores, tudo com recursos oriundos de doações. Ainda assim, a equipe já conseguiu ajudar várias instituições brasilienses com a doação de protetores faciais: Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Materno Infantil, Hospital Odontológico de Taguatinga, Hospital Regional do Gama, Hospital de Base, Hospital das Forças Armadas, Secretaria de Segurança Pública do DF (Papuda), Divisa-DF, Recicla Vida, além da Comunidade Interna da UnB.

Uma das equipes de profissionais de saúde que já receberam protetores faciais fabricados no LAB (Foto: SECOM-IGES-DF)

“O recursos da SECTI/FAPDF são essenciais para mantermos o projeto ativo, conseguirmos aumentar a nossa produção e atender aos profissionais de saúde da melhor maneira possível.

Faz três meses que os alunos estão trabalhando em ritmo de fabricação em três turnos, de forma voluntária”, destaca Andrea Cristina dos Santos, professora do Departamento de Engenharia de Produção da Faculdade de Tecnologia da UnB e coordenadora do projeto.

O LAB

Implantado no final do ano de 2016, o Laboratório Aberto de Brasília (LAB) foi criado pela  Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com a Finatec e com o Senai/DF. Ele atua como um agente de promoção das metodologias ativas no ensino, incentivando uma integração entre a teoria e a prática em disciplinas da engenharia e projetos de outras disciplinas cursadas pelos alunos da Universidade. O LAB também busca atuar como formador de profissionais em tecnologias habilitadoras da indústria 4.0, além de prestar serviços à comunidade.

Estrutura do LAB (Foto: LAB/UnB)

Atendendo a esta última finalidade e diante da pandemia de Covid-19, o Laboratório foi demandado à produção emergencial de protetores faciais. “A importância dos protetores faciais é devido a sua proteção física aos outros respiradores semifaciais (PFF2 ou N95- barreira microbiológica) aumentando seu tempo de uso. Ele também serve de barreira contra o próprio profissional, que acaba levando as mãos contaminadas involuntariamente ao rosto sem perceber”, explica o projeto.

Andrea Santos enxerga no Laboratório Aberto um grande potencial para ajudar a ampliar a capacidade brasileira nesse tipo de produção e de aliar ciência, tecnologia e inovação para atender às urgências da população. Para ela, o apoio e o financiamento são essenciais para essas iniciativas: “nós teremos, no Brasil, a maior linha de produção por Manufatura Aditiva. A inovação do projeto está no processo de produção, mas sem esse apoio do governo do Distrito Federal isto não seria possível. Temos uma oportunidade única de mostrar a importância das equipes multidisciplinares (engenharia, design, saúde) para resolver problemas reais. Este projeto só foi possível por que, em 2016 montamos o LAB com recursos do MCTIC. Agora com os recursos da SECTI/FAPDF podemos dar mais um salto na pesquisa aplicada no DF”.

A fabricação

Os protetores produzidos no LAB são feitos sem espumas de apoio, o que permite que possam ser reutilizados após a correta desinfecção. Já a confecção da parte que entra em contato com o usuário é feita com ajustes elásticos de forma a permitir maior conforto, já que não conta com espumas. Isso evita que o produto seja retirado involuntariamente.

Falando mais tecnicamente, o apoio da testa (headband) é fabricado em manufatura aditiva, ou seja, impressão 3D do tipo deposição de material fundido (FDM). O visor (shield) é fabricado a partir de uma folha de Polietileno Tereftalato de Etileno Glicol (PETG) e cortado a laser. O elástico para presilha (rubberband) é fabricado industrialmente e incorporado na solução. Uma vez prontas, as peças são montadas e embaladas em sacos plásticos (tipo Zip Lock ou filme plástico com seladora).

Por ser um equipamento de Proteção Individual (EPI) para o setor de saúde, a produção necessita atender às boas práticas de fabricação, como a Norma RDC n. 356, de 23 de março de 2020, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O atendimento a estas normas exige, por exemplo, a implementação de sistema de rastreabilidade no processo de fabricação, o que está sendo montado pela equipe do LAB.

A tecnologia de impressão 3D FDM selecionada pelo Laboratório Aberto de Brasília apresenta um custo mais  baixo de manutenção e é operada pela equipe do próprio laboratório. Quando comparado a outros processos de fabricação em polímeros, como o de molde de injeção, por exemplo, os custos de mudanças de projeto são muito menores. Isso porque, esta e outras técnicas exigem maiores tempos de projeto, planejamento e implementação das máquinas, além de equipe especializada para implementação e manutenção.

Outro fator importante, refere-se a redução da cadeia logística de abastecimento. Uma das justificativas para o emprego da Impressão 3D é a redução da cadeia logística de abastecimento, por meio do atendimento da demanda de produtos mais próximo do cliente por meio do emprego da customização em massa.

Como participar

A equipe do LAB precisa e aceita todo tipo de colaboração. Para quem quer fazer doações em dinheiros ou oferecer trabalho para a produção dos protetores, o site do laboratório oferece todas as informações necessárias. Acesse e saiba como contribuir: www.laboratorioaberto.com.br/producao-vida-2020/.

Fonte: FAPDF

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