| Em 12/01/2017

Exercícios físicos ajudam a frear progresso de doenças mentais

Após verificar a eficácia das atividades aeróbias e de força na redução dos sintomas de depressão ou no retardamento da evolução de doenças como depressão, Alzheimer e Parkinson, a professora Andréa Camaz Deslandes, pesquisadora do Instituto de Educação Física e Desportos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IEFD/Uerj), quer ir além das investigações e pretende estudar os biomarcadores associados ao efeito benéfico do exercício em idosos com depressão e Alzheimer.

Em nova etapa, projeto vai investigar alterações
bioquímicas no corpo de idosos  (Fotos: Divulgação)

Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, ela inicia esta nova etapa do projeto com o apoio do edital Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, que conta com a participação dos docentes do IEFD/Uerj Jomilto Praxedes e Daniel Chagas, além do suporte e do conhecimento da equipe de pesquisadores do Laboratório de Biomecânica e Comportamento Motor (Labicom/Uerj), que contribuirá para ampliar as investigações através da análise do movimento. Andréa explica que o treinamento aeróbio associado a exercício de força pode promover resultados mais eficientes na resposta clínica dos pacientes com doenças mentais, além de redução da fragilidade nos idosos. No entanto, a maioria dos estudos feitos em pacientes com depressão e doença de Alzheimer submetidos ao treinamento físico limitam-se à avaliação dos sintomas, sem investigar as adaptações motoras e fisiológicas, assim como os biomarcadores associados à atividade física.

“Nesta segunda fase do projeto, vamos avaliar os níveis hormonais e fatores tróficos antes e depois da realização de exercícios, isto é, proteínas que atuam no cérebro diretamente na proliferação e diferenciação de diferentes tipos celulares, que são capazes de promover reparo tecidual e recuperação funcional. Com a ajuda de exames de eletroencefalografia, queremos estudar as reações do corpo às combinações de diferentes tipos de treinamento, por meio de sessões de uma hora de treinamento que reúnam séries de aeróbio, força, flexibilidade e coordenação motora”, diz Andréa.

A pesquisadora explica que alguns dos fatores tróficos, também chamados de biomarcadores, como a neurotrofina BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro ou em inglês Brain-derived neurotrophic factor), ligada às diversas funções, como neuroplasticidade e metabolismo celular, e produzida em áreas centrais e periféricas como no cérebro e no músculo; o hormônio cortisol; e o DHEA (do inglês dehydroepiandrosterone), hormônio esteroide precursor de hormônios sexuais, serão investigados por terem relação direta com o envelhecimento. O estudo será composto por um conjunto de exames que incluem testes laboratoriais, exames que avaliam o desempenho neuropsicológico, funcional e clínico do paciente, testes que identifiquem o comportamento desses biomarcadores (BDNF, cortisol e DHEA) e exames de eletroencefalografia.

Andréa Deslandes: à frente de estudo que pode contribuir
para o desenvolvimento de novas técnicas de intervenção
não-farmacológica em pacientes com depressão e Alzheimer

“Os pacientes serão avaliados no início do estudo e após três meses através de diferentes biomarcadores, desempenho motor e sintomas das doenças. Serão realizados testes de capacidade funcional, estabilometria (técnica de avaliação da oscilação postural), análise cinemática da marcha, avaliação neuropsicológica, avaliação hormonal (cortisol e DHEA salivar), avaliações eletrofisiológicas (por meio de eletroencefalografia e variabilidade da frequência cardíaca), navegação espacial e independência nas atividades de vida diária”, lista a Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ.

Segundo a pesquisadora, os pacientes serão divididos em dois grupos: treinamento físico e grupo controle. Os idosos que forem alocados no grupo com treinamento físico realizarão treinamento aeróbio e de força em uma sessão de atendimento de 60 minutos, 30 minutos para cada método de treinamento, duas vezes por semana. “Esperamos que os resultados do projeto contribuam para o desenvolvimento de novas técnicas de intervenção não-farmacológica para pacientes com depressão e Alzheimer, assim como identificar biomarcadores e padrões motores específicos que contribuam para o diagnóstico diferencial e para a determinação de estágios dos sintomas no tratamento das doenças”, ressalta Andréa.

O projeto é produto da união de pesquisadores recém-doutores de dois laboratórios: o Laboratório de Biomecânica e Comportamento Motor (Labicom) e Laboratório de Neurociência do Exercício (Lanex) do Instituto de Educação Física e Desportos da Uerj, que contribuirá para o desenvolvimento de um núcleo de pesquisas em Exercício Físico e Saúde Mental, com a criação de novas técnicas de análise neurofisiológicas e motoras para essa população, contribuindo para fortalecer a Graduação e a Pós-graduação (Programa de Pós-graduação Stricto-Sensu em Ciências do Exercício e do Esporte).

“A neurociência vem mostrando que os exercícios físicos estão aí para ajudar a prevenir o aparecimento de doenças neurodegenerativas. É mais um aliado para reduzir esse risco”, destaca a pesquisadora.

Fonte: Aline Salgado – Ascom FAPERJ

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