| Em 04/07/2019

Estudo brasileiro explica a relação da isquemia renal com alterações no ritmo cardíaco

As arritmias cardíacas são complicações frequentemente associadas a quadros de pacientes com isquemia renal. Esta ocorre quando há deficiência ou ausência de suprimento sanguíneo e, consequentemente, de oxigênio, neste órgão, como nos casos de transplante renal, por exemplo. Analisando mais a fundo essa associação, um grupo de pesquisadores do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF/UFRJ), em parceria com a Universidade Federal do ABC (UFABC), de São Paulo, desvendaram o mecanismo responsável pelo desencadeamento das irregularidades no ritmo do coração em pacientes com danos renais dessa natureza. Eles descobriram que a proteína interleucina 1-beta (IL-1?), sintetizada – isto é, fabricada – principalmente por células do sistema imune, tem um papel “chave” nesse processo.

O estudo resultou na publicação de um artigo (confira a íntegra do texto aqui) que ganhou a capa do mês de junho do Journal of Molecular and Cellular Cardiology, revista especializada publicada pela Sociedade Internacional de Pesquisa do Coração (a International Society for Heart Research), que tem sede nos Estados Unidos, e considerada nível A1 – o mais alto – pelo Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), sistema que faz a classificação da produção científica dos programas de pós-graduação brasileiros. “A importância da pesquisa é que fomos capazes de descrever a molécula proteica que consegue gerar alterações no ritmo do coração após um dano renal agudo. Essa proteína é liberada no sangue após a isquemia renal e gera alterações estruturais e bioquímicas no coração que levam a alterações no ritmo cardíaco. Ela altera vias de sinalização, que são os caminhos bioquímicos que têm o objetivo de manter as funções do coração”, explicou o médico e professor Emiliano Horacio Medei, diretor do Laboratório de Cardioimunologia, do IBCCF/UFRJ, e coordenador da pesquisa, ao lado da professora Marcela Sorelli Carneiro-Ramos, da UFABC.

Medei recebe o apoio da Faperj por meio do programa de fomento à pesquisa Jovem Cientista do Nosso Estado. O estudo também recebe o apoio da Capes, pelo Programa de Cooperação Acadêmica (Procad), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Essa pesquisa começou a ser desenvolvida em 2016, no Laboratório de Cardioimunologia, do IBCCF/UFRJ, e ganhou muito a partir da parceria estabelecida com a UFABC”, disse Medei. “Há mais de 20 anos trabalho com eletrofisiologia cardíaca e nos últimos 15 anos me dedico a essa linha de pesquisa em cardioimunologia”, completou.

Para o pesquisador, o reconhecimento internacional do trabalho reforça a importância da pesquisa brasileira no meio acadêmico mundial, apesar do recente contingenciamento de recursos destinados à Ciência e Tecnologia (C&T) no País. “Considero que, neste momento de penumbras científicas, essa nossa contribuição pode ser uma pequena alegria para a comunidade científica brasileira e para a Faperj, que tem nos ajudado em tantos momentos e continua nos apoiando”, destacou. “Não é todo dia que conseguimos a capa de uma revista internacional de pesquisa básica em Cardiologia. Isso mostra que, mesmo com poucos recursos, conseguimos manter a qualidade da pesquisa brasileira e reforça a necessidade de maiores investimentos, já que somos capazes de fazer pesquisa de qualidade e de alto impacto para a sociedade. A partir do conhecimento do papel da interleucina 1-beta, podemos avançar e testar como controlar essa proteína com medicamentos, em casos clínicos”, concluiu.

Além de Medei e Marcela, assinam o artigo Mayra Trentin-Sonoda, Karine Panico, Ygor Schleier, Thabata Duque, Oscar Moreno-Loaiza, Ainhoa Rodriguez de Yurre, Fabianno  Ferreira, Wellington Caio-Silva, Pedrosa Roberto Coury e Claudia N. Paiva.

Fonte: Comunicação Faperj (texto: Débora Motta).

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