| Em 20/05/2026

Encontro internacional em Curitiba debate integração científica do Sul da América do Sul no contexto do acordo Mercosul-União Europeia

(Foto: Divulgação)

Curitiba sedia nesta terça e quarta-feira (19 e 20) o Encontro de Agências de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) do Sul da América do Sul, iniciativa coordenada pela Fundação Araucária que reúne representantes de instituições de fomento e pesquisa do Brasil, Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai para discutir estratégias conjuntas de cooperação científica, inovação e desenvolvimento sustentável no contexto do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O evento acontece no Campus da Indústria – FIEP e reúne representantes das Fundações de Amparo do Pará (FAPESPA), Santa Catarina (Fapesc), do Rio Grande do Sul (Fapergs) e do Mato Grosso do Sul (Fundect), além de instituições internacionais como o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (CONICET), o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Paraguai (CONACYT), a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação do Uruguai (ANII), a Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Chile (ANID) e o Instituto Politécnico de Bragança.

Segundo o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o acordo entre Mercosul e União Europeia exige, cada vez mais, competitividade, sustentabilidade e inovação dos países do Mercosul. Ele afirmou que a ciência e tecnologia têm um papel fundamental nesse processo, ajudando a construir soluções e pesquisas que fortaleçam a participação da América do Sul nesse novo cenário internacional.

“O que estamos fazendo aqui é dando início a uma aproximação entre as agências de ciência e tecnologia do Sul do Brasil e dos países do Mercosul, buscando identificar agendas comuns e possibilidades de atuação conjunta. Claro que, para avançarmos, é fundamental garantir financiamento estável para iniciativas de desenvolvimento científico e tecnológico compartilhadas. Este encontro representa justamente esse primeiro passo para construirmos, nos próximos meses e anos, uma integração regional mais forte baseada em ciência, inovação e cooperação”, disse.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Bona, ressaltou o protagonismo do Estado na promoção da integração científica sul-americana. “A Europa já possui uma tradição consolidada de cooperação em ciência e tecnologia e queremos discutir aqui como avançar em trabalho em rede, colaboração e financiamento conjunto na América do Sul em temas de interesse transfronteiriço”, comentou. Para ele, o encontro fortalece o papel do Paraná como articulador de uma agenda regional de inovação.

A programação inclui apresentações institucionais, debates sobre prontidão tecnológica, oficinas colaborativas e construção de estratégias conjuntas voltadas ao fortalecimento da integração regional em áreas estratégicas como bioeconomia, agroalimentação, sustentabilidade, logística, energia e digitalização produtiva.

O presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Marcel do Nascimento Botelho, destacou que “a construção de estratégias regionais exige integração entre os diferentes biomas e realidades da América do Sul e este encontro poderá contribuir para novas agendas cooperativas em bioeconomia, sustentabilidade e inovação regional.”

Agenda Comum de Curitiba – Entre os destaques do encontro está a construção da chamada “Agenda Comum de Curitiba”, documento que deverá consolidar prioridades de pesquisa aplicada, mecanismos de financiamento conjunto e estratégias de compartilhamento de infraestrutura científica entre os países participantes.

A representante da ANII, Sofia Riobo, destacou que o momento é especialmente importante para fortalecer a cooperação científica regional. “Estamos em um momento em que a cooperação entre as agências da região é fundamental. Esperamos ampliar iniciativas de pesquisa colaborativa em rede com foco em temas relevantes para toda a América do Sul”, afirmou. Entre os temas prioritários apontados por ela estão mudanças climáticas, biodiversidade, transição energética e bioeconomia.

Do Paraguai, a representante do CONACYT, Zunilda Medina, ressaltou o interesse do país em ampliar projetos conjuntos com os demais integrantes do Mercosul. “Nos interessa muito trabalhar temas ligados à energia sustentável e ao agronegócio, que são setores estratégicos para o Paraguai”, declarou. Ela também destacou a relevância de construir projetos regionais voltados à integração científica e tecnológica sul-americana.

O encontro integra a estratégia da Fundação Araucária de fortalecer as chamadas “Rotas de Integração Sul-americanas em CT&I”, proposta voltada à construção de uma integração regional baseada em ciência, tecnologia e inovação, tendo como eixo central o desenvolvimento sustentável e os ativos compartilhados do território sul-americano.

O representante da ANID, Fernando Alvarez, destacou a importância da integração regional para fortalecer a ciência e a inovação no contexto do acordo Mercosul-União Europeia.

“O corredor bioceânico do Capricórnio pode se tornar uma importante plataforma de integração produtiva, tecnológica e científica entre nossos países. Temos áreas prioritárias em comum, como agro e biotecnologia, digitalização produtiva, logística, mineração sustentável e sustentabilidade, e a cooperação regional será fundamental para transformar essas potencialidades em desenvolvimento para toda a região.”

A metodologia do encontro inclui dinâmicas colaborativas voltadas à construção de cenários futuros e à chamada “Prontidão do Sistema de CT&I”, conceito que envolve a capacidade dos ecossistemas científicos de responder rapidamente a desafios econômicos, sanitários, ambientais e tecnológicos impostos pelo novo cenário internacional.

Nesta quarta-feira (20) acontece a assinatura do memorando de entendimento do programa Ganhando o Mundo da Ciência entre a Fundação Araucária e o CONICET, da Argentina, ampliando as ações de internacionalização da ciência paranaense e a cooperação acadêmica entre os países.

“Este programa nos permite integrar jovens em ambientes científicos e tecnológicos, promover intercâmbio e fortalecer a integração entre pessoas e equipes de pesquisa. Para o CONICET, essa parceria com o Paraná é muito importante porque amplia as possibilidades de cooperação em áreas estratégicas e aproxima nossos sistemas científicos em uma agenda comum de desenvolvimento e inovação”, comentou o diretor do CONICET, Walter Sione.

Fonte: Fundação Araucária (Por: Ascom F.A.)

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