| Em 28/02/2017

Diretor presidente da FAPERN tem projeto de patente aprovado pela UFRN

Um aço mais resistente e durável. Este é o resultado do trabalho do Grupo de Pesquisa de Materiais e Tecnologia do Pó, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que desenvolveu uma técnica para obtenção desse material especial. E foi justamente essa técnica que uniu o aço ao carbeto de nióbio que resultou na terceira carta patente da universidade.

O coordenador do grupo, professor Uilame Umbelino Gomes, afirma que sua equipe multidisciplinar com cerca de 20 pessoas, entre professores e alunos, está muito feliz com essa patente. “Esse trabalho foi registrado em 2005. É um processo de dez anos, o que mostra a dificuldade nessa questão das patentes. Mas estamos felizes de ser a terceira carta patente da UFRN”, afirma Umbelino que também é o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte – Fapern. Nessa linha, o grupo tem em andamento cerca de 15 pedidos de privilégio de patente.

De acordo com Umbelino, o grupo de pesquisa trabalha com os chamados materiais particulados, um nome recente para o que era conhecido como Metalurgia do Pó ou Tecnologia dos Pós. “Os materiais particulados têm uma série de vantagens no seu processamento, é a única técnica de processamento de materiais onde você pode durante o processo controlar propriedades, ao contrário do que chamamos de fusão. Aqui você pode mexer na propriedade, controlar a porosidade, a propriedade mecânica, condutividade elétrica ou térmica, tudo pelo processamento”, explica.

Para obter o aço especial, os pesquisadores da UFRN adicionaram carbeto de nióbio que apresenta alta dureza, ótima resistência à corrosão e excelente estabilidade química. “Através dessa técnica, se eu acrescento materiais especiais, no caso aqui o carbeto de nióbio, e com isso posso modificar o aço e obtê-lo com propriedades mais específicas, por exemplo, a micro dureza, a resistência ao desgaste. Essa foi a proposta da tese do professor Marciano Furukava, que desenvolveu esse trabalho e obteve um excelente resultado”, ressalta Umbelino. Ao lado dos professores Umbelino e Furukava, a equipe também conta com os pesquisadores Leiliane Alves de Oliveira, Carlson Pereira de Souza e Sergio Renato da Silva Soares.

Reconhecimento internacional

Com o título “Sinterização de aço inoxidável reforçado com partículas nanométricas dispersas de carbeto de nióbio – NbC”, a tese de doutorado do professor Furukava é de 2007 e, segundo Umbelino significou um grande salto. “Os carbetos de nióbio citados pelo professor Marciano variam de 15 a 45 nanometros. Com essa adição você modifica propriedades, por que a adição desses materiais durante a sinterização, ele controla o que a gente chama de crescimento do grão do material na solidificação, a sinterização é isso, um processo, um agregado de pó que adquire uma forma sólida, coerente. Você ter uma microestrutura de grão refinada melhora a propriedade mecânica, melhora a resistência, a micro dureza do material”, explica Umbelino.

E foi justamente essa melhora na resistência que fez o projeto ser reconhecido internacionalmente. “Tivemos a oportunidade de manter um convênio com o Instituto Nuclear da Hungria, em Budapeste, para o desenvolvimento de novos materiais para usinas nucleares que foi um dos objetivos desse produto, porque quando o aço é utilizado na proteção das usinas nucleares pela radiação ele acaba fofando, a radiação vai tirando átomos, moléculas do aço. Essa pesquisa foi no sentido de deixar o tamanho dos grãos bem pequenos, por conta da ação desses carbetos nanométricos, de forma que quando a radiação batesse, ela pudesse até levar esse átomo, mas não causasse um dano maior na estrutura do aço e da usina nuclear”, detalha Furukava.

Minério nordestino

A pesquisadora Leiliane Alves de Oliveira destaca que os carbetos utilizados no trabalho do grupo são recursos minerais do Rio Grande do Norte. De acordo com os pesquisadores da UFRN o estado é o maior produtor de minério tungstênio, um dos grandes produtores de tântalo, e também é produtor do nióbio. “Chamo o nióbio de metal brasileiro, praticamente só existe minério de nióbio no Brasil, 98% da reserva conhecida está no Brasil”, ressalta Umbelino. Ele explica que o nióbio é um metal refratário, com ponto de fusão na faixa de 2.600 graus centígrados e deverá ser o metal do século XXI, porque é o metal da supercondutividade. “Ele é um metal forte na formação de ligas, propriedades especiais. A aplicação tecnológica do nióbio vai aumentar, mas o brasileiro não conhece esse minério”, aponta o coordenador.

O professor Umbelino revela que a maior reserva de tungstênio no Brasil é no município potiguar de Currais Novos, e que o nióbio (foto) e o tântalo, o primeiro aplicado na supercondutividade e o segundo usado na indústria eletrônica, são encontrados na região do Seridó (RN), aonde tem a ocorrência entre os municípios de Caiçara do Rio do Vento e Equador, na divisa com a Paraíba. “Diferentemente da ocorrência do tungstênio que é mina, o nióbio ocorre nas rochas pegmatíticas numa região mais esparsa, esse é um tipo de minério de nióbio, porque tem outro tipo que ocorre na Amazônia e no Mato Grosso. Então é um metal brasileiro”, destaca.

Universidade e indústria

Apesar da satisfação com a carta patente, os pesquisadores da UFRN lamentam o futuro incerto do aço especial. Para o professor Umbelino a universidade brasileira cresceu longe das empresas, se isolou do setor produtivo. “O próximo passo seria realmente vender, industrializar esse material. E esse é o grande gargalo no Brasil, que me preocupa muito, que faz com que o país perca tudo em termos de competitividade. Hoje estamos vivendo um processo de desindustrialização do país. O mundo é competitivo, nos EUA as universidades são fortíssimas, aqui as universidades são amarradas. A área tecnológica tem que falar com as empresas”.

Fonte: FAPERN e Nossa Ciência

 

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