| Em 02/05/2025

Com apoio da Fundect, campo experimental avalia sustentabilidade agrícola na Rota Bioceânica em Porto Murtinho

(Foto: Arquivo pessoal/ Ricardo Gava)

Projeto de pesquisa liderado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) está avaliando a sustentabilidade de diferentes culturas para recuperação de pastagens degradadas em Porto Murtinho (MS), município estratégico na Rota Bioceânica. A iniciativa é resultado da criação da primeira Unidade Experimental de Pesquisa da rota, com investimento de R$ 1,5 milhão da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

A recuperação de pastagens degradadas é uma política do governo de Mato Grosso do Sul para promover a produção sustentável, sem expansão sobre vegetação nativa, garantindo a proteção do meio ambiente enquanto promove o desenvolvimento econômico. No Estado, segundo a Semadesc, existem 12 milhões de hectares de pastagens degradadas, sendo 4,7 milhões que poderão ser trabalhados com algum tipo de atividade, seja agricultura, pecuária, sistemas agroflorestais, ou silvicultura.

Porto Murtinho é o segundo maior município do Estado, com uma área de 1,7 milhão de hectares, ficando atrás apenas de Corumbá. Cerca de 60% de seu território está inserido no bioma Pantanal, área protegida por legislação ambiental. Os mais de 700 mil hectares restantes são passíveis de aproveitamento econômico mediante sistemas sustentáveis de produção.

Ricardo Gava, engenheiro agrícola e coordenador do projeto, destaca que a área fora do bioma é maior que o município de Maracajú, ou ainda duas vezes maior que Chapadão do Sul, com pastagens degradadas que merecem atenção. “O uso eficiente dessas terras reduz a pressão por expansão sobre áreas sensíveis do Pantanal. Por meio de práticas sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), podemos não apenas melhorar o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida das famílias locais, como também contribuir para a preservação ambiental”, reforça o pesquisador.

(Foto: Arquivo pessoal/ Ricardo Gava)

A unidade experimental está localizada a 40 quilômetros do centro urbano, em uma área de dois hectares na bacia hidrográfica do rio Apa. Os solos da região são naturalmente férteis, mas apresentam limitações, como adensamento superficial devido ao acúmulo de argila e formação de um horizonte endurecido em períodos secos. “Essas condições favorecem o surgimento de lençois d’água suspensos, aumentando a frequência de inundações e a salinização, o que torna essencial a adoção de manejos adaptados às características locais”, pontua Gava.

Entre as espécies já avaliadas estão quatro variedades de braquiária (Ruziziensis, Decumbens; Xaraés-MG5 e Marandú), além de milheto, algodão e soja. Os testes foram conduzidos com e sem aplicação de fertilizantes químicos, permitindo avaliar a viabilidade de sistemas produtivos com menor impacto ambiental.

Professor e pesquisador do campus da UFMS em Chapadão do Sul, onde desenvolve diversos projetos, Ricardo Gava realiza também o cruzamento de dados entre as duas regiões, o que permite comparações relevantes quanto à adaptação das culturas em distintos contextos climáticos. “Enquanto em Porto Murtinho as altitudes chegam a menos de 100 metros em relação ao nível do mar, com temperaturas que frequentemente ultrapassam os 50?°C, Chapadão do Sul está no divisor topográfico mais alto do Estado, próximo aos 900 metros de altitude, com clima mais ameno. O estudo comparativo pode ajudar a identificar cultivares mais resilientes às mudanças climáticas”.

Além da pesquisa, a unidade também atua como centro de formação e intercâmbio científico, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação, além de pesquisadores e produtores rurais do Brasil e do Paraguai. “A troca de experiências tem fortalecido o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis na Rota Bioceânica e as pesquisas têm mostrado o potencial de uma nova fronteira de produção agrícola”, conclui Ricardo Gava.

Fonte: FUNDECT (Por: Maristela Cantadori/ Ascom Fundect)

Leia também

Em 18/05/2026

Fapac apresenta artigo sobre governança e inclusão social do Programa Mentes Azuis no 2º Congresso do Conseplan

O governo do Acre, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac), participou do 2º Congresso do Conselho Nacional de Secretários do Planejamento (Conseplan) com a apresentação do artigo científico “Governança e transversalidade orçamentária em âmbito estadual: uma avaliação da eficiência do Programa Mentes Azuis como investimento em ciência cidadã”. […]

Em 15/05/2026

Divulgado o resultado da chamada CONFAP & CDTI 2025-2026

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (15), o resultado da chamada CONFAP & CDTI 2025-2026, lançada em parceria com o Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação da Espanha (CDTI).  A chamada tem como objetivo apoiar projetos colaborativos de pesquisa e inovação tecnológica entre Brasil e […]

Em 13/05/2026

Laboratório inaugurado na UFMS coloca Mato Grosso do Sul na vanguarda da transição energética com pesquisa inédita sobre hidrogênio verde

Mato Grosso do Sul deu um passo estratégico na agenda da transição energética e da inovação tecnológica. Foi inaugurado na terça-feira (5), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o Laboratório Modular Copa H2, espaço voltado ao desenvolvimento de pesquisas sobre a mistura de hidrogênio verde com GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) para […]

Em 13/05/2026

Governo de Alagoas abre 26 vagas em concurso público para a Fapeal

O Governo de Alagoas publicou, no Diário Oficial de sexta-feira (8), edital de concurso público para ingresso no quadro de servidores efetivos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeal). São 26 vagas, sendo 10 para provimento imediato e 16 para cadastro de reservas. Todas as vagas exigem nível superior, para o cargo de […]

Em 21/04/2026

Agricultura ganha aliada da ciência: pesquisa desenvolve plantas mais produtivas e resistentes

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para uma nova geração de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal. A proposta é […]