| Em 12/08/2026

Dispositivo simula tecidos humanos e oferece alternativa à experimentação animal

Plataforma microfluídica durante teste de toxicologia; o design reversível permite abrir o dispositivo após os ensaios e recuperar os modelos celulares intactos para análises adicionais (imagem: CNPEM)

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolveram uma tecnologia em escala microscópica para cultivar células em três dimensões (3D). O objetivo é realizar testes de toxicidade de novos produtos, simulando de forma mais fiel os organismos vivos.

A tecnologia é um avanço para o desenvolvimento de medicamentos, a avaliação da segurança de materiais e as pesquisas em ecotoxicologia (área que estuda o impacto de substâncias nos ecossistemas), além de contribuir para a redução da experimentação animal. O dispositivo usa microfluídica, tecnologia que permite controlar com precisão o fluxo de nutrientes, oxigênio e substâncias em testes em escala microscópica, mantendo modelos celulares tridimensionais mais próximos da estrutura e do funcionamento dos tecidos humanos. Em comparação às culturas celulares convencionais, cultivadas em superfícies planas, os modelos 3D oferecem melhores respostas sobre os efeitos de fármacos, nanomateriais e poluentes ambientais.

Produzida em PDMS – um tipo de silicone maleável, transparente, biocompatível e de baixo custo –, a plataforma permite a realização de múltiplos experimentos de forma automatizada. Um dos principais diferenciais é seu design reversível, que permite abrir o dispositivo após os ensaios e recuperar os modelos celulares intactos para análises adicionais. Dessa forma, amplia as possibilidades de investigação dos mecanismos de ação das substâncias avaliadas.

Publicado em julho na revista científica ACS Measurement Science Au, o estudo é desenvolvido no âmbito do Centro de Pesquisa em Engenharia Molecular para Materiais Avançados (CEMol), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP no CNPEM.

O trabalho apresenta três avanços principais. O primeiro é o desenvolvimento de um protocolo experimental padronizado, reprodutível e de fácil utilização, permitindo que pesquisadores sem experiência prévia em microfluídica utilizem a tecnologia em ensaios celulares de rotina. O segundo diferencial é a possibilidade de recuperar os modelos celulares tridimensionais após os testes para análises complementares. Essa característica, incomum em plataformas microfluídicas, permite investigar com mais profundidade como fármacos e materiais interagem com as células. O terceiro avanço é a realização de ensaios sob condições de fluxo contínuo, reproduzindo de maneira mais fiel a circulação de nutrientes e moléculas observada no organismo.

Dessa forma, os resultados obtidos em laboratório tendem a refletir com maior precisão o comportamento das substâncias em sistemas biológicos reais. “Desenvolvemos um protocolo simples e reprodutível, que permitirá o uso da plataforma por pesquisadores de diferentes áreas. Além disso, a possibilidade de recuperar os modelos celulares após os ensaios amplia significativamente as análises que podem ser realizadas”, explica à Assessoria de Imprensa do CNPEM Iris Renata Sousa Ribeiro, pesquisadora de pós-doutorado vinculada ao Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano-CNPEM) e primeira autora do estudo.

A equipe trabalha agora para disponibilizar até o início do ano que vem a plataforma como infraestrutura aberta a pesquisadores externos de universidades, institutos de pesquisa e empresas. O objetivo é ampliar seu uso em estudos nas áreas de farmacologia, nanotecnologia, ciência dos materiais, biotecnologia e ecotoxicologia. “Queremos que pesquisadores de todo o país possam utilizar essa tecnologia para desenvolver ensaios de toxicidade mais precisos e mais próximos das condições reais encontradas em organismos vivos”, afirma Ribeiro.

O trabalho também foi apoiado pela FAPESP por meio dos projetos 22/02378-0, 23/00246-1, 24/14758-7, 25/22142-9, 25/00614-6, 25/22280-2 e 25/26623-1.

O artigo Reversible microfluidic platform for spheroid culturing, downstream characterization, and dynamic anticancer susceptibility testing pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsmeasuresciau.6c00140.

Fonte: Agência FAPESP

Leia também

Em 28/09/2026

FAPESP lança chamada para jovens pesquisadores internacionais

A FAPESP anuncia o lançamento da chamada de propostas de Auxílio à Pesquisa Jovem Pesquisador para Pesquisadores Internacionais, com o objetivo de atrair pesquisadores de excelência do exterior para desenvolver programas de pesquisa independentes e internacionalmente competitivos em instituições de ensino superior e pesquisa no estado de São Paulo. A iniciativa selecionará até 20 pesquisadores […]

Em 25/09/2026

FAPERJ e SECTI lançam editais para pesquisas sobre obesidade e envelhecimento saudável

Em cerimônia realizada no Palácio Guanabara, nesta quinta-feira, 24 de setembro, a FAPERJ, em conjunto com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), anunciou o lançamento de quatro editais inéditos, planejados especificamente para financiar pesquisas sobre dois temas estratégicos para a saúde pública: a obesidade e o envelhecimento saudável. Ambos representam desafios contemporâneos […]

Em 24/09/2026

Facepe se torna sócia da SBPC e amplia presença das FAPs nordestinas na entidade

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) é a mais nova instituição a integrar o quadro de sócios institucionais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Criada pela Lei Estadual nº 10.401/1989 e vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), a Fundação tem como missão […]

Em 22/09/2026

Divulgado o resultado da chamada CONFAP–Brasillinois 2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), em parceria com o Programa de Mobilidade Brasillinois, publicou, nesta terça-feira (22), o resultado da chamada CONFAP–Brasillinois 2026. A iniciativa tem como objetivo apoiar projetos conjuntos de pesquisa entre cientistas brasileiros e pesquisadores de universidades do estado de Illinois, nos Estados Unidos. A chamada […]

Em 28/09/2026

Em novembro, Brasília sedia o Fórum Aberto de Ciências da América Latina e do Caribe (CILAC 2026)

De 24 a 26 de novembro de 2026, Brasília sediará o Fórum Aberto de Ciências da América Latina e do Caribe (CILAC 2026). Representantes de governos, universidades, organizações internacionais, setor privado e sociedade civil se reunirão para a quinta edição — e comemoração do 10º aniversário — do Fórum CILAC. Organizado pela UNESCO, OEI, BID, […]