| Em 04/05/2026

Com apoio da Fapes, pesquisadores do Ifes Cachoeiro desenvolvem aplicativo inovador para sustentabilidade no setor de rochas

Projeto traz solução inédita para análise ambiental já desperta interesse internacional. (Foto Divulgação: Envato)

O desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade tem ganhado protagonismo no setor de rochas, uma das principais atividades econômicas do Espírito Santo. Nesse contexto, um projeto conduzido por pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Cachoeiro de Itapemirim, vem se destacando ao criar um aplicativo inovador para coleta e organização de dados ambientais, viabilizando a análise do ciclo de vida (ACV) das rochas naturais. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do edital nº 09/2024 – Extensão Tecnológica.

A análise do ciclo de vida é uma metodologia reconhecida internacionalmente, que permite mensurar os impactos ambientais de um produto em todas as etapas da cadeia produtiva — da extração ao transporte e beneficiamento. De acordo com o professor do Ifes e coordenador do projeto, Igor Henrique Beloti Pizetta, no caso das rochas ornamentais, esse tipo de estudo é essencial para que o setor possa comprovar sua sustentabilidade e competir em um mercado global cada vez mais exigente.

“A análise do ciclo de vida permite entender, com precisão, todos os impactos envolvidos na produção das rochas naturais, desde a extração até o produto final. Isso é fundamental para posicionar o setor de forma competitiva, especialmente diante de materiais concorrentes”, explica Pizetta.

A principal inovação do projeto está no desenvolvimento de um aplicativo que substitui métodos tradicionais, como planilhas, por uma plataforma digital mais segura, dinâmica e adaptada às necessidades do setor. A ferramenta, que fica dentro do site do Laboratório de Automação e Inovação em Rochas (Lair), permite o registro, armazenamento e exportação de dados de forma padronizada, facilitando a participação das empresas e garantindo a confiabilidade das informações.

“Criamos uma solução que atende a uma demanda real do setor, principalmente no que diz respeito à segurança dos dados. Muitas empresas tinham receio de compartilhar informações estratégicas. O aplicativo resolve esse problema e ainda torna o processo muito mais eficiente”, destaca o pesquisador.

A ferramenta já está sendo utilizada em âmbito nacional e tem potencial para ampliar significativamente a base de dados do setor, envolvendo centenas de empresas. Segundo o coordenador, essa escala é essencial para gerar diagnósticos mais precisos e fortalecer a imagem das rochas naturais em projetos de construção sustentável, que exigem comprovação de baixo impacto ambiental para certificações como o LEED, sistema global mais reconhecido para edifícios sustentáveis.

Aplicativo apresentado em feira na Itália

Além do impacto direto no setor produtivo, o projeto também vem ampliando a inserção internacional da pesquisa capixaba. A solução foi apresentada na tradicional feira internacional Marmomac, realizada na Itália, um dos principais eventos globais do segmento de rochas ornamentais.

“Apresentar o projeto em um evento internacional, com a presença de lideranças e especialistas de diversos países, foi uma experiência extremamente relevante. Tivemos a oportunidade de mostrar que o trabalho desenvolvido no Espírito Santo tem aplicação global e pode contribuir para a padronização de práticas no setor”, ressalta Pizetta.

A participação no evento também fortaleceu parcerias com instituições estrangeiras e abriu caminho para colaborações futuras, incluindo iniciativas conjuntas com universidades europeias e organizações internacionais do setor.

“Estabelecemos uma parceria com o Politécnico de Turim, concretizada por meio de uma colaboração para intercâmbio de conhecimentos quando estivemos lá nos anos de 2024 e 2025. Estamos desenvolvendo um artigo em conjunto com a professora Isabella Bianco, que possui expertise em análise de rochas mentais e ciclo de vida, tema central de sua tese e parte de sua contribuição na elaboração do ciclo de vida na Itália. Sua colaboração é extremamente valiosa e enriquece nosso trabalho”, afirma Pizetta.

Recurso da Fapes impulsiona projeto e novas conexões

Para Pizetta, o apoio da Fapes foi decisivo para a execução do projeto, especialmente no que diz respeito à formação de recursos humanos e à estrutura necessária para o desenvolvimento da tecnologia. Ao todo, foram investidos um total de R$ 60 mil em bolsas e equipamentos necessários.

“O financiamento da Fapes foi fundamental porque permitiu a participação de estudantes, a aquisição de equipamentos e a criação de um ambiente adequado de trabalho. Sem esse apoio, seria muito difícil alcançar os resultados que estamos obtendo”, pontua o coordenador.

Segundo o pesquisador, o incentivo também contribuiu para aproximar ainda mais o instituto das empresas, ampliando a visibilidade das pesquisas aplicadas e estimulando novas parcerias.

“A partir desse projeto, conseguimos fortalecer o diálogo com o setor produtivo e mostrar, na prática, como a pesquisa pode gerar soluções inovadoras. Isso tem criado um efeito positivo, despertando o interesse de outras empresas e incentivando a adoção de novas tecnologias”, garante.

Com o avanço da ferramenta e a consolidação da base de dados, a expectativa é ampliar o uso do aplicativo para outros países e, futuramente, incorporar novas funcionalidades, como integração direta com sistemas das empresas e realização de análises ambientais dentro da própria plataforma.

“A iniciativa reforça o papel estratégico do investimento em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável da economia capixaba, especialmente em setores tradicionais que buscam se adaptar às novas exigências do mercado global”, avalia o diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão.

Fonte: FAPES (Por: Ascom Fapes)

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