| Em 13/05/2024

Cerimônia de premiação do 36º Prêmio Almirante Álvaro Alberto homenageia Niède Guidon

Marcia Chame recebeu o prêmio em nome da vencedora Niéde Guidón – (Foto: Rafael Leitel)

Agraciada com o 36º Prêmio Almirante Álvaro Alberto do CNPq, a historiadora e arqueóloga Niède Guidon agradeceu ao Conselho pelo apoio que possibilitou a realização de seu trabalho pioneiro na Serra da Capivara. Aos 91 anos, impossibilitada de comparecer à cerimônia realizada no a cerimônia realizada na noite de quarta-feira, 8 de maio, no auditório da Escola Naval do Rio de Janeiro, Guidon enviou depoimento em vídeo, exibido durante o evento.

Guidon disse esperar que os estudos na Serra da Capivara continuem, pois ainda há muito o que se descobrir no local. “Simplesmente eu fiz o meu trabalho como pesquisadora, arqueóloga. Vinha da França para o Brasil fazer pesquisas aqui na Serra da Capivara, que é realmente um local fantástico, tanto pela natureza, como por toda a memória que o homem pré-histórico deixou aqui e que foi reconhecido pela Unesco como patrimônio da Humanidade”, afirmou Guidon, representada no evento pela pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz) e diretora científica da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), Márcia Chame.

“É muito interessante a gente perceber, que ela sempre nos diz que fez o trabalho dela. Mas ela fez muito mais do que isso”, afirmou Chame. “Além de toda a acurácia de dados, todo o comprometimento ético, metodológico das suas pesquisas, o enfrentamento de lidar com uma nova perspectiva e novos conhecimentos das migrações do homem para a América,  que contradiziam todas as teorias originais que nós tínhamos, ela incentivou dezenas de jovens pesquisadores e transformou a região de São Raimundo Nonato, que era extremamente pobre”, ressaltou.

Ao falar sobre Niède Guidon, o presidente do CNPq, Ricardo Galvão,  também comentou a importância da ciência para o progresso de um país. “É pela reafirmação de um país que acredita na ciência, na história e no desenvolvimento humano que o CNPq premiou hoje a extraordinária pesquisadora Niède Guidon”, afirmou. Em seu discurso, Galvão traçou um sumário das ações do CNPq ao longo do último 1 ano e meio, evidenciando os esforços da agência para ajudar a recompor, com celeridade, o ecossistema de fomento à ciência, tecnologia e inovação no país.

Presidente Ricardo Galvão durante discurso na Escola Naval l – (Foto: Coronha/ Marinha do Brasil)

Ciência para transformar um país

Chame lembrou que, durante o período em que Guidon trabalhou na Serra da Capivara, a arqueóloga construiu cinco escolas e atendeu mais de três mil crianças e adolescentes em um projeto profissionalizante, planejado para que aquela região se tornasse um centro de pesquisa. Hoje a região é a maior produtora de mel orgânico do país, retirado a partir do desenvolvimento de atividades não predatórias.

“Niède trouxe a ciência para transformar um país. Ela deixa para todos nós um exemplo espetacular de como a ciência pode transformar este país em um país muito melhor”, completou Chame. A diretora científica da Fumdham também recebeu em nome de Guidon, durante a cerimônia, a honraria “O Farol – A luz que emana o conhecimento”, tradicionalmente concedida pela Marinha do Brasil.

O Prêmio Almirante Álvaro Alberto existe desde 1981 e é uma parceria do CNPq com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com a Marinha do Brasil. Atribuído anualmente, seguindo um rodízio entre as três grandes áreas do conhecimento, o Prêmio contempla o pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso de sua área. Nesta edição, a área agraciada foi a de Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. A premiação consiste em diploma e medalha, prêmio de R$ 200 mil oferecidos pelo CNPq e MCTI, além de uma visita ao Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (ICT) e uma viagem à Antártica, a critério do agraciado, oferecidas pela Marinha do Brasil.

Na mesma cerimônia, foram entregues também os títulos de Pesquisador Emérito, outorgados pelo CNPq a pesquisadores brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil em reconhecimento ao conjunto de sua obra científico-tecnológica e de seu renome junto à comunidade científica; e as Menções Especiais de Agradecimentos, categoria instituída pelo CNPq em 2005 com o objetivo de reconhecer pessoas físicas ou jurídicas pelos significativos serviços prestados ao crescimento, ao desenvolvimento, aprimoramento e divulgação do CNPq no ano anterior.

O título de Pesquisador Emérito foi atribuído de forma póstuma a Antônio Ricardo Droher Rodrigues, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Laboratório Nacional Luz Síncroton (CNPEM), representado por seus filhos Érica Rodrigues e Kevin Liu Rodrigues.

O professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Clóvis Caesar Gonzaga também foi agraciado de forma póstuma e representado na cerimônia por sua viúva, Tânia Regina Ávila Gonzaga.

Além deles, foram contemplados com o título de Pesquisador Emérito durante o evento o ex-presidente do CNPq Evaldo Ferreira Vilela; a professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Josefa Salete Barbosa Cavalcanti; o professor sênior do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Alberto Morettin; e Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, representado na cerimônia pelo sobrinho Pedro Bezerra de Meneses Bolle.

A Menção Especial de Agradecimentos, por sua vez, foi atribuída à Deputada Federal Maria do Rosário Nunes, autora do Requerimento nº 428/24 para a instituição de Frente Parlamentar em defesa das universidades públicas; à Senadora pelo estado de Pernambuco Maria Teresa Leitão de Melo, membro titular da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado;  e à ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e professora da Universidade de Brasília, Mercedes Maria da Cunha Bustamante. A Menção também foi atribuída a uma pessoa jurídica, o Ministério da Igualdade Racial (MIR), que não enviou representantes para receber a honraria. A deputada Maria do Rosário Nunes também não compareceu à cerimônia, devido às inundações que ocorreram no Rio Grande do Sul.  

Fonte: CNPq (Por: Ascom CNPq)

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