
O Instituto Serrapilheira anunciou, na quarta-feira (3), os 14 pesquisadores contemplados em dois editais que vão destinar R$ 8,2 milhões ao desenvolvimento de pesquisas científicas no Brasil. A 9ª chamada pública de apoio à ciência selecionou dez cientistas em início de carreira vinculados a instituições de ensino e pesquisa nas áreas de ciências naturais, matemática e ciência da computação. Outros quatro foram selecionados pela 4ª chamada de apoio a pós-docs negros e indígenas em ecologia, realizada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). Do total, o Serrapilheira oferece R$ 6 milhões e a Fapesb, R$ 2,2 milhões.
O objetivo dos dois editais é criar condições para que jovens cientistas desenvolvam pesquisas originais com autonomia, flexibilidade e abertura ao risco. Os pesquisadores estão vinculados a instituições localizadas em vários estados brasileiros, como Bahia, Amazonas, Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
“Os projetos selecionados trazem hipóteses ousadas e arriscadas”, afirma o diretor-presidente do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu. “Os jovens cientistas receberão recursos flexíveis para atender às necessidades às vezes imprevisíveis da pesquisa de ponta, mas o apoio do Serrapilheira vai além da transferência de recursos. A partir de agora, eles integram uma comunidade que promove uma cultura de valorização à ciência feita de forma colaborativa, aberta, com equidade e diversidade.”
9ª chamada pública de apoio à ciência
Foram selecionados dez pesquisadores na 9ª chamada pública de apoio à ciência. A iniciativa, que contou com a adesão de 24 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), por meio do Memorando de Entendimento assinado entre o Serrapilheira e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), é direcionada a cientistas em início de carreira que tenham vínculo permanente a uma instituição de pesquisa, com projetos nas áreas de ciências naturais (ciências da vida, física, geociências e química), matemática e ciência da computação.
Cada cientista receberá entre R$ 380 mil e R$ 450 mil para desenvolver suas pesquisas ao longo de cinco anos. Eles também poderão acessar recursos adicionais por meio do bônus da diversidade, destinado à formação e inclusão de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa.
Os projetos aprovados são de alto risco, mas também com grandes possibilidades de impacto. Eles buscam responder a perguntas fundamentais da ciência, questionando o conhecimento atual, abrindo novas perspectivas de avanço e aprofundando a compreensão sobre fenômenos naturais. Entre os temas selecionados estão desde a evolução da comunicação vocal em tartarugas até o desenvolvimento de técnicas com feixes de luz para investigar amostras biológicas e nanomateriais magnéticos.
A pesquisadora Tamara Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está entre os selecionados. Ela vai investigar por que alguns vírus podem causar sintomas neurológicos persistentes, enquanto outros não deixam sequelas. Já Israel de Jesus Sampaio Filho, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vai pesquisar a “dendropausa”, uma espécie de menopausa das árvores, buscando entender como o estresse climático prolongado pode afetar a produção de hormônios em árvores gigantes da Amazônia.
4ª chamada de apoio a pós-docs negros e indígenas em ecologia
A chamada exclusiva para pós-docs negros e indígenas em ecologia selecionou quatro cientistas para desenvolver pesquisas na Bahia, em parceria com a Fapesb. A iniciativa busca ampliar a participação de grupos sub-representados na academia e contribuir para que esses pesquisadores alcancem posições formais como professores e pesquisadores em universidades e institutos de pesquisa.
Os aprovados receberão até R$ 525 mil para execução de seus projetos ao longo de três anos, além de uma bolsa mensal de R$ 5.200, oferecida pela Fapesb. Os estudos contemplados tratam de temas relacionados à conservação da biodiversidade, funcionamento dos ecossistemas, impactos ambientais e relações entre comunidades humanas e natureza. Os pesquisadores vão desenvolver novas linhas de pesquisa em grupos nos quais não tenham estudado ou atuado anteriormente, fortalecendo a circulação de pessoas e ideias entre instituições científicas.
Um dos selecionados foi o indígena potiguara Fabricio Claudino de Albuquerque, que vai desenvolver sua pesquisa na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia. Seu projeto busca entender como processos de coextinção (quando o desaparecimento de uma espécie causa impacto em outras) podem alterar sistemas socioecológicos e afetar benefícios que a natureza fornece às populações humanas. Para isso, ele vai mapear interações alimentares entre peixes e os usos desses recursos por comunidades costeiras.
Para Handerson Leite, diretor-geral da Fapesb, o resultado consolida um compromisso de longo prazo. “Anunciar os selecionados deste edital é dar um passo prático em direção à ciência que acreditamos: diversa e de excelência. Ao lado do Serrapilheira, vamos viabilizar estudos avançados que vão impactar diretamente a nossa sociedade. Fortalecer pesquisadores de grupos sub-representados é, acima de tudo, garantir que a ciência baiana e brasileira seja um reflexo real do nosso povo.”
Acesse aqui o resultado da 9ª chamada pública de apoio à ciência.
Fonte: Serrapilheira (Por: Ascom Serrapilheira, com adaptações)
