| Em 22/05/2026

Câncer de pele: estudo apoiado pela FAPDF desenvolve tratamento inovador para melanoma com aplicação direta na área afetada

Iniciativa da UnB cria tecnologia para tratar a forma mais agressiva do câncer diretamente no local do tumor, ampliando a eficácia e reduzindo impactos sistêmicos. (Imagem: Fotomicrografias dos carregadores lipídios nanoestruturadas contendo ibrutinib que foram desenvolvidos pelo grupo do Prof. Guilherme Gelfuso/Divulgação)

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) está avançando no uso da nanotecnologia para tornar o tratamento do melanoma — um dos tipos mais agressivos de câncer de pele — mais eficaz e menos invasivo. A iniciativa propõe a aplicação do medicamento diretamente na pele, utilizando estruturas microscópicas capazes de atravessar as barreiras naturais do corpo e agir diretamente no local do tumor.

Com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital Demanda Induzida (2021) e coordenado pelo professor Guilherme Martins Gelfuso, o estudo busca superar limitações dos tratamentos tradicionais, como a quimioterapia convencional, que atua em todo o organismo e pode causar efeitos colaterais severos.

“A principal motivação foi superar as limitações dos tratamentos atuais para o melanoma, como a quimioterapia sistêmica, que pode causar reações adversas graves e resistência tumoral”, explica o pesquisador .

Trabalho apresentado pelo Professor Guilherme Gelfuso no PBP World Meeting que aconteceu em Viena, Áustria, no ano de 2024. (Foto: Divulgação)

O fármaco, ou seja, a substância ativa utilizada na pesquisa é o ibrutinib, que apresenta potencial terapêutico, mas possui limitações quando administrado por via oral, como baixa absorção e maior risco de toxicidade. A proposta do estudo é justamente contornar esses desafios por meio de uma nova forma de administração.

Os resultados da pesquisa vêm sendo publicados em periódicos científicos internacionais de relevância, como Colloids and Surfaces B: Biointerfaces, Pharmaceutics e International Journal of Pharmaceutics, demonstrando a consistência e a maturidade da pesquisa

Como a nanotecnologia potencializa o tratamento

Para viabilizar essa estratégia, os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia baseada em nanopartículas, estruturas extremamente pequenas que funcionam como veículos para transportar o medicamento.
Essas partículas — chamadas de Carreadores Lipídicos Nanoestruturados (CLN) — permitem que o fármaco atravesse a barreira da pele, alcance regiões mais profundas e seja liberado de forma controlada.

“A nanotecnologia permitiu contornar a principal barreira do corpo, possibilitando que o fármaco penetre nas camadas mais profundas da pele em concentrações adequadas”, destaca o professor .

Validação científica e estágio da tecnologia

Antes de chegar aos pacientes, a tecnologia passa por uma série de testes em laboratório para garantir sua eficácia e segurança.

Os estudos utilizaram modelos que simulam a pele humana e culturas celulares de melanoma, permitindo avaliar tanto a penetração do medicamento quanto sua ação sobre o tumor. Essa etapa é conhecida como prova de conceito, fundamental para validar a viabilidade da solução.

Atualmente, a pesquisa se encontra entre os níveis TRL 5 e 6 (Nível de Maturidade Tecnológica), indicando que a tecnologia já foi validada em ambiente relevante e está avançando para fases mais próximas da aplicação prática. Entenda o Nível de Maturidade Tecnológica da FAPDF clicando aqui

Impacto e contribuição da FAPDF

Além do melanoma, a tecnologia pode ser aplicada em outros tipos de câncer de pele e até em produtos dermatológicos e cosméticos.
Os próximos passos incluem testes em modelos animais, otimização da formulação e aumento da escala de produção, etapas essenciais para que a tecnologia possa chegar à população.

O apoio da FAPDF foi decisivo para o desenvolvimento do projeto.

“O fomento permitiu a aquisição de equipamentos, manutenção da infraestrutura e concessão de bolsas de estudo, consolidando grupos de pesquisa de relevância internacional no Distrito Federal”, destaca o pesquisador.

Com os avanços alcançados até aqui, a pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas mais eficazes e menos agressivas, aproximando a inovação científica de soluções concretas para o tratamento do câncer de pele.

Fonte: FAPDF (Por: Gabriela Pereira/Ascom Fapdf)

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